terça-feira, 25 de março de 2008

A Nova Ortografia Portuguesa

A possibilidade de que se modifique a ortografia do português, em virtude de um acordo firmado entre os países lusófonos, está dividindo opiniões entre portugueses e criou uma atmosfera de preocupação no país, segundo informou a agência EFE.

Para suavizar a medida, que é polêmica, o governo de Portugal estabeleceu um período de transição de seis anos para que as novas regras da língua escrita sejam obrigatórias. A unificação da língua atinge oito países e 200 milhões de pessoas.

De acordo com a agência, as novas normas lingüísticas colocaram o orgulho da pátria em jogo em Portugal. Escritores, editores, políticos e intelectuais afirmam que, com o acordo ortográfico, o país do velho mundo cederia a interesses brasileiros, sustentados pela força de uma população de cerca de 180 milhões de pessoas.

Razões
Uma das razões para que o acordo ortográfico entre em vigor é que é impossível a afirmação da língua portuguesa no cenário internacional se ela tiver diversas ortografias. Por isso, os defensores da mudança de regras confiam que o parlamento português ratifique o documento. Mas mesmo no partido do governo português há divergências sobre a matéria.

O prêmio Nobel português, José Saramago, já disse sua opinião sobre o acordo no semanário "Expresso": “Desejo êxito e muitos livros bons, escritos na forma antiga ou moderna, e que não me obriguem a escrever de outro modo nos poucos anos de vida que me restem”.

Diante da hesitação do povo, paira em Portugal uma dúvida: o acordo vai ser efetivamente aplicado ou as novas normas serão utilizadas unicamente em documentos oficiais e em textos acadêmicos?

O que muda
O novo alfabeto proposto pelo acordo vai incorporar o “k”, o “w”, e o “y”, ficando, então, com 26 letras. Haverá a supressão de acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”); e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”; além de mudanças com o hífen.

E o trema (aqueles dois pontinhos que ficam sobre o “u” de lingüiça, por exemplo) desaparecerão.

O histórico
O acordo ortográfico foi assinado em 1990 e entraria em vigor em 1994, com a ratificação dos sete países que o assinaram - na época, o Timor Leste ainda não era independente.

Passaram os anos e, em 2004, foi assinado um protocolo modificativo que determinava que o acordo entraria em vigor quando três países tivessem ratificado – o que já fez o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o último em dezembro de 2006. O Brasil foi o primeiro a ratificar o acordo, em 2004.

Legalmente, todas as mudanças que buscam unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - já poderiam estar valendo. Isso porque o que foi firmado internacionalmente é que, se três países assinassem o acordo, ele poderia entrar em vigor.

No entanto, no ano passado, o Brasil definiu que, sem a implantação das normas por Portugal, o acordo teria pouca utilidade e, na prática, não unificaria realmente as normas ortográficas.

(Alexandre Malvestio 24/03/2008 em http://www.brasilquele.com.br

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