quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mês da Consciência Negra

Esse mês é um dos meus preferidos, muita cor, muita dança, e muita formação. O mês da Consciência Negra vai se firmando no cenário intelectual e educacional no Brasil e isso é muito importante para todos, para os negros e para todos os descendentes da diáspora.

Ontem mesmo conversava com minha amiga Vera Nascimento, Coordenadora do Nucleo Étnico de Japeri, minha cria muito amada, e ela me falava que algumas diretoras reclamavam que alguns professores ainda resistem muito em falar da questão dos negros nas salas de aula.

É sempre muito dificil para mim escutar isso. Mas acredito que venceremos a resistência com conhecimento e formação.

Esse é um dos maiores desafios de um Coordenador Pedagógico na escola:  Deixar de lado os tabus impostos pela disciplina do preconceito,rasgar a cartilha das intolerâncias,  resgatar a Africa que existe em nós  e trazê-la para o palco principal que é no nosso dia a dia.

Se você não trabalhou estas questões esse ano, não deixe de priorizar essa formação no ano que vem. Faça projetos, leve palestrantes para sua escola, fala saraus de poéticas negras, intere-se do assunto, porque além de fazer parte do resgate de nós e de nossa história, a valorização  da nossa africanodade, nos transforma como pessoas.
E não podemos nos esquecer que pessoas transformadas, transformam o mundo!


Nesse blog da Professora Denise Guerra, vocês irão  encontrar várias atividades interessantes e vitais para quem trabalha a questão da diversidade na vida e na escola.

Não deixem de dar uma visitada. http://afrocorporeidade.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre o caso da UniBan

Como pedagoga, esse caso  me surpreendeu  bastante, ainda no inicio da semana  passada, quando  as cenas da estudante sendo perseguida pelos colegas nos corredores porque simplesmente vestia um vestido curto na universidade foram ao ar.

Eu não consegui entender os motivos da perseguição, visto que vivemos num mundo de  grandes e ininterruptas exposições midiáticas, de you tubes e twiters da vida.

O vestido da aluna era curto? Sim. Impróprio? Talvez.

Vivemos num mundo onde as pessoas  vestem para serem vistas, pode ter havido  um pouco de exibicionismo por parte da aluna, mas nada que justfique tamanha histeria.
Eu não sou de julgar ninguém, meu lema é viva e deixe viver, até porque acho insuportável se  meterem na minha vida e acho desnecessário fazer isso com os outros.

Eu como  ex-aluna de uma uninersidade pública do Rio de Janeiro, a Uni Rio, me acostumei a ver todos os tipos de estudantes num convívio democrático de gostos e cores.

Havia desde os engravatdaos alunos de Direito, até os multicoloridos estudantes de teatro, passando pelos ripongas, os  góticos que se vestem de preto, os alternativos, os moderninhos, os que só usam chinelo de dedo, enfim, todos os tipos de gentes, personificados cada um no seu estilo de ser e portanto de se vestir.

Nunca me liguei que alguém  pudesse perseguir uma pessoa numa universidade, lugar de convivio intelectual,  de construção de  democracia, de produção técnico-científica, cultural, artística, acadêmica e administrativa.

Que universidade é essa onde  esses alunos  estudam?  Que tipo de formação eles estão tendo? Que tipo de pessoas são essas que se sentem ameaçadas, subjulgadas, ofendidas  por um  simples vestido?
Que universidade é essa que acolhe o  preconceito e expulsa  uma aluna baseada em conceitos morais  duvidosos?

Que instituição pedagogicamente  séria  toma uma atitude dessas?

A universidade ao expulsar a aluna respaldou a atitude retrógrada, preconceituosa,machista, ignorante no pior sentido da palavra dos alunos que segundo o reitor, tiveam uma reação coletiva em defesa do ambiente escolar.
A aluna foi agredida, ameaçada de linchamento por ser quem é, por vestir o que deseja e ainda foi acusada de ser a culpada da agressão pela universidade no melhor estilo " E não sei porque estou batendo, mas você  sabe porque está apanhando".

Reação coletiva em defesa  do ambiente escolar para mim é honrar a universidade que você estudou ou estuda retribuindo  com produção intelectual  para a sociedade retribuindo aquilo que você  teve o privilégio de vivenciar neste espaço de construção acadêmica tão importante.

Obviamente o indefectível vestido vermelho não é o tipo de roupa que eu escolheria para frequentar uma aula,mas vá lá saber o que se passou na cabeça da jovem...
De repente ela ia sair para uma balada após a aula.

Mas o mais importante dessa história toda  é que as  pessoas tem o direito de  vestir  o que quiserem, afinal  por mais curto qe fosse sua vestimenta, ainda sim, ela estava vestida(.Em ultima análise devemos ressaltar que estamos falando de uma universidade localizada num centro urbano reconhecido como um dos mais importantes da américa latina e não de um povoado  qualquer do interior do Brasil).

O fato do reitor ter voltado  atrás e revogado a expulsão não adianta de muita coisa.A primeira impressão é sempre a que fica. E não há justificativas plausíveis para  a perseguição insólita  que aconteceu ali.

A meu ver, expulos deveriam ser cada um dos alunos que propiciaram tão  cuel  e indigno comportamento em pleno século XXI, numa universidade que deveria ser o berço de discussão coletiva e o lugar onde as diferenças, a diversidade, devem ser tolerados, juntamente com o direito à  liberdade de ir, vir e ser quem somos.  

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lévi-Strauss

A morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, anunciada na terça-feira (3), motivou declarações e homenagens em todos os maiores centros mundiais de estudos das ciências humanas e não é difícil entender por quê.


O Jornal Nacional ouviu cientistas que explicam a importância do trabalho e das ideias de Lévi-Strauss.

Foi o modo de vida de índios brasileiros que provocou os primeiros passos de uma revolução na maneira de como pensar a humanidade. O intérprete da mudança foi o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Na década de 1930 ele saiu de uma Paris cosmopolita e se embrenhou no Cerrado, no Pantanal e na Amazônia.

A antropóloga da Universidade de São Paulo (USP), Sylvia Caiuby, diz que ao conviver com os bororos, os nhambiquaras e outras etnias, Lévi-Strauss chegou a uma conclusão inovadora.

“Que o modo de pensar dos índios é absolutamente idêntico ao nosso e o que o Lévi-Strauss vai mostrar é essa universalidade do pensamento humano, seja o pensamento dos ditos povos selvagens, seja o pensamento dos ditos povos civilizados. A importância disso é mostrar que, na verdade, não se pode hierarquizar povos, não se pode hierarquizar culturas, como se alguns fossem superiores a outros”, explicou ela.

Foi Lévi-Strauss quem mostrou que as sociedades podiam andar por caminhos diferentes. Por isso, diz a antropóloga Dorothea Passeti, o encontro com os índios foi decisivo.

“Provoca nele uma defesa que ele vai levar até o resto da vida dele pela diversidade cultural, pela necessidade da existência de povos diferentes. Não é pelo direito, é pela necessidade. Uma humanidade que seja igual, globalizada, todo mundo do mesmo jeito, comendo a mesma coisa não tem sentido. Isso é o fim do homem”, explicou Dorothea.

E a antropóloga vai mais longe: a paisagem do Brasil Central também inspirou Lévi-Strauss e fez dele um pioneiro na defesa da natureza: “Para o Lévi-Strauss, o selvagem vive usando a natureza na medida em que ele precisa dela, só. E nós, os chamados civilizados, destruímos o planeta”, declarou.

As ideias de Lévi-Strauss tiveram um forte impacto no pensamento moderno, principalmente em um momento muito importante do século XX. Foi depois da Segunda Guerra Mundial, depois das atrocidades cometidas pelo nazismo, que propagava a superioridade de uma raça em relação às outras. Lévi-Strauss aproveitou a experiência que teve com os índios brasileiros para combater todas as teorias racistas.

“Nesse sentido o pensamento dele é absolutamente atual, se a gente se lembra da dificuldade que a Europa enfrenta hoje em relação aos imigrantes e a discriminação de todos os imigrantes. O Lévi-Strauss vai mostrar exatamente que a discriminação não tem nenhuma justificativa científica”, explicou Sylvia Caiuby.

Fonte: G1

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vygostsky - O teórico social da inteligência

A obra do psicólogo russo que ressaltou o papel da sociedade no processo de aprendizado ganha destaque com a expansão do socioconstrutivismo.

No interior da Rússia pós- revolucionária, nos anos 20, um professor de ginásio que amava as artes se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante, ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual, sustentando que todo conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas.

O nome do professor era Lev Vygotsky e sua obra é hoje a fonte de inspiração do sócioconstrutivismo, uma tendência cada vez mais presente no debate educacional.

A repercussão que o pensamento de Vygotsky vem obtendo possui a força de uma redescoberta.

Nascido há um século, morreu em 1934, aos 37 anos.

Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), lamentando que os dois não tivessem se conhecido, leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932.

No Brasil, Vygotsky é estudado há pouco mais de uma década.

Segundo a pedagoga Maria Teresa Freitas, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que pesquisou a difusão do trabalho dele por aqui, suas idéias chegaram no fim dos anos 70, trazidas por estudiosos que as conheceram no exterior. Mas sua obra só começou a ser divulgada, de fato, nos anos 80, ao mesmo tempo em que a linha educacional construtivista se expandia, impulsionada pela psicóloga argentina Emilia Ferreiro, discípula de Piaget.

Embora não tenha elaborado uma pedagogia, Vygotsky deixou idéias sugestivas para a educação. Atento à "natureza social" do ser humano, que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura, defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. Para ele, "na ausência do outro, o homem não se constrói homem".

Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano.

É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental.

Segundo o psicólogo, a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES, como os reflexos e a atenção involuntária, presentes em todos os animais mais desenvolvidos. Com o aprendizado cultural, no entanto, parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES, como a consciência, o planejamento e a deliberação, características exclusivas do homem.

Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio.

Com um detalhe importantíssimo, ressaltado pela psicóloga Cláudia Davis, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): "As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. São sempre intermediadas, explícita ou implicitamente, pelas pessoas que rodeiam a criança, carregando significados sociais e históricos". Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho, apenas refletindo o que aprende.

"As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna", explica o pedagogo João Carlos Martins, diretor pedagógico do Colégio São Domingos, de São Paulo. "É isso que caracterizará a individualidade". Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky.

Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos, ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha, mas sim em parceria com as outras, que são os mediadores".

Cultura Negra em Pauta




Aproveitando as comemorações do Mês da Consciência Negra, o site AfroeducAÇÃO promove o curso Cultura Negra em pauta, destinado a educadores e interessados em geral. Com duração de oito horas, temas relativos a história e cultura afrobrasileira serão abordados de forma educomunicativa, ou seja, usando práticas de comunicação. O curso oferece embasamento para o cumprimento da Lei Federal nº 11.645/08, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Indígena em todas as escolas brasileiras.

De forma teórica e prática serão abordados os seguintes temas:

  • O contexto da Lei Federal nº 11.645
  • Tradição e cultura afrobrasileira
  • Identidade e resistência cultural
  • Igualdade racial
  • Uso de blog, rádio e TV para tratar de cultura negra

Faça já sua inscrição!

Quando

  • Dias: 18 e 25/11
  • Horário: das 18h às 22h
  • Duração: 8 horas (com certificado)

Onde

  • Rua Salvador de Lima, 17 - 3º andar
    Carrão - São Paulo
    (Próximo ao Metrô Carrão)

Quanto:

  • R$ 40,00

Inscrições

  • Envie o formulário anexo preenchido, mais o comprovante de pagamento para o email: contato@afroeducacao.com.br, até o dia 16/11/09.
  • Observação: O valor da inscrição deve ser depositado em uma das seguintes contas bancárias:
    • Banco Bradesco
      Agência: 0095-7
      Conta corrente: 0288463-1
      Favorecido: Cinthia Gomes
    • Banco Itaú
      Agência: 4833
      Conta corrente: 05464-8
      Favorecido: Paola Prandini

sábado, 24 de outubro de 2009

Educar para os Direitos Humanos

Fui convidada para participar de um Colóquio sobre Direitos Humanos.

Fiquei pensando sobre o que poderia falar sobre um tema tão amplo, então a resposta veio rápida: Não há muito o que pensar. Toda a minha vida é baseada nessa luta.

Tenho mais do que papéis para me assegurar alguma especialiazação, tenho minha própria história de vida, como diploma certificante.

Sou uma Pedagoga militante dos Direitos Humanos, e tenho muito orgulho disso.

Fiz a minha escolha há muito tempo, quando tomei a minha posição na vida pessoal e profissional.

Mas do que uma pedagoga militante, nasci numa classe desprivilegiada, filha de mãe trabalhadora pobre, de emigrante pobre, moradora da baixada fluminense, oriunda do sistema publico de ensino, militante politica de movimento estudantil, de emancipação de mulheres, de movimento negro, enfim, eu estou sentada na cadeira certa.

Então escolhi meu temapara o colóquio: Educar para os Direitos Humanos.

Por que desta escolha? Por que a educação é o maior dos Direitos humanhos negado às classes desfavorecidas.

Nega-se esse direito desde sempre no Brasil.

As escolhas governamentais sempre fizeram uma opção.

E a opção sempre foi baseada nas diferenças sociais e econômicas que separam nosso povo entre os que podem tudo e os que não podem nada.

Essa diferença social e econômica são uma das marcas identitárias do nosso povo. Uma diferença quinhentista, que nasce junto com o povo brasileiro e se confude com ele próprio.

E essa marca resvala na educação.A educação como já estamos cansados de saber por Bordieu é o um dos maiores centros de reprodução do pensamento ideologizante dominante que pode existir numa sociedade.

Educar para os direitos humanos portanto se torna fundamental, pois significa formar uma rede para dignificar a pessoa humana, através da promoção da igualdade racial, da solidariedade, de respeito às diferenças e às vivências.

É preciso transformar em prática, valores, atitudes não discriminatórias, hábitos e comportamentons numa educação compartilhada e solidária.

Compreender de onde vem o nosso aluno, sua origem étnica, social, econômica, cultural linguistica, é compreendee e respeitar essa origem,para encontrar meios de dar significância e signficado aos conhecimentos historicanente contruídos.

Como professores precisamos garantir que nossos alunos possam expressar o que pensam, o que querem, suas idéias sobre este mundo tão vasto e conturbado que se apresenta diante de nós.

Na sala dos professores frequentemente ouvimos que nossos alunos não querem nada.
Mas não acho que seja assim.Eles simplesmente não sabe o que querem.
Mundo vasto mundo, já dizia o poeta, e é assim mesmo. A vida apresenta muitos caminhos, muitas informações e gargalhos que precisam ser contornados.

A escola é a única opção para muitos. Não somos conselheiros da vida de ninguém, mas somos formadores de gente.
E isso é opcional., embora não devesse ser assim.
O professor não precisa optar pelo humano, mas também depois não pode reclamar do
o aluno que tem.
Porque a educação é isso aí mesmo: Uma via de mão dupla.

Os direitos humanos tem que respeitar os desejos humanos.

O desejo de ser respeitado, livre, o desejo de conhecer, de ter sua linguagem e meios valorizados não é apenas o desejo do professor.

Quando a gente começa a pensar que todos fazemos parte de uma rede, passamos a não nos sentir tão sozinhos e se aprendermos a nos solidarizar com os outros, redescobrimos bem rápido o prazer de ver obrilho no olhar do nosso aluno.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009