quinta-feira, 21 de maio de 2009

Festival Mundial das Artes Negras

No próximo dia 25 de maio, às 20h, o palco do Teatro Castro Alves, em Salvador, abrigará o lançamento oficial do III FESMAN - Festival Mundial das Artes Negras, realização do governo do Senegal, previsto de 1º a 14 de dezembro de 2009, em Dacar / Senegal. O objetivo do evento é intensificar a valorização das artes negras no cenário mundial e a unificação dos países africanos e diáspora.

O evento será realizado no dia 25 de maio, data em que se comemora o Dia da Libertação da África, instituída pela ONU, em 1972. A data simboliza a luta e o combate dos povos do continente africano pela sua independência e emancipação e representa a memória coletiva dos seus povos e o objetivo comum de unidade e solidariedade na luta para o desenvolvimento econômico do continente.


A solenidade de abertura terá a presença do presidente Lula, do presidente Abdoulaye Wade, do Senegal, dos ministros da Cultura dos dois países, do governo do Estado e de diversas autoridades.


O Brasil participa da organização do evento como convidado de honra e é o responsável por articular os demais países da América Latina. Até por isso o lançamento oficial do evento será em Salvador, reunindo artistas do Brasil e do Senegal numa celebração da arte através da dança e da música.


Estarão em cena nessa confraternização, artistas brasileiros como Gilberto Gil, Margareth Menezes, Grupo Gêge Nagô, Ilê Ayê, Cortejo Afro e Filhos de Gandhy e o grupo senegalês Fréres Guisse. Todos dividirão o palco numa espécie de "jamsession" com performances solo e encontros inéditos sob a concepção geral de Márcio Meirelles e direção de Márcio Meirelles e Zebrinha.

Além de música, a dança também estará representada no evento com as duas companhias mais conceituadas pela excelência na produção e na pesquisa da dança negra no mundo: Balé do Senegal e Balé Folclórico da Bahia.


A cenografia do espetáculo fica a cargo de Zuarte Jr, a iluminação é de Fernanda Paquelet com realização da Fundação Cultural Palmares - Minc, com a parceria do governo do Estado da Bahia.

O evento terá entrada franca para organizações culturais e sociais, além de artistas e políticos dos dois países. A distribuição dos convites terá início no próximo dia 22 de maio das 14h às 18h no Hotel da Bahia.

Contatos: fesman@palmares.gov.br
Telefone: (71) - 2105-2047

ROTEIRO LANÇAMENTO
III FESTIVAL MUNDIAL DAS ARTES NEGRAS
20h - ABERTURA

Convidados:

Presidente do Brasil
Presidente do Senegal
Ministro da Cultura do Brasil
Ministro das Comunicações
Governador do Estado da Bahia
Secretário de Cultura do Estado

- Lançamento do selo comemorativo da capoeira pelos Correios. O presidente dos Correios, e os presidentes do Brasil e do Senegal obliteram o selo.
- Apresentação do III Festival Mundial de Artes
- Discursos autoridades

Roteiro Artístico

Capoeira - Balé Folclórico da Bahia
Gilberto Gil (Canta La lune de Goreé)
Balé do Senegal
Margareth Menezes - Óya Tetê
Fréres Guisse
Grupo Gêge Nagô
Margareth Menezes + Gêge Nagô
Balé Folclórico da Bahia e Balé do Senegal - Afixirê
Grupos Culturais - Ilê Ayê, Cortejo Afro, Male e Gandhy
Gilberto Gil - Hino do FESMAN
________________________________________________________
Fonte:Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa - assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas - jacqueline.freitas@palmares.gov.br
Marcus Bennett - marcus.bennett@palmares.gov.br
Telefones: (61) 3424-0166/ 0164/ 0165
www.palmares.gov.br

Conae terá seis eixos temáticos.

O primeiro intitula-se “Papel do Estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional”, e terá colóquios sobre, entre outras questões, as responsabilidades de cada sistema de educação e os indicadores para o monitoramento público do efetivo direito à educação; a autonomia universitária; e o setor privado e a educação: participação, regulação e papel social.

O segundo eixo temático – “Qualidade da educação, gestão democrática e avaliação” – inclui discussões sobre padrões de qualidade para a educação básica e superior; concepções curriculares e a consolidação político-pedagógica da prática educativa; e indissociabilidade, na educação superior, entre ensino, pesquisa e extensão. “Democratização do acesso, permanência e sucesso escolar” é o terceiro eixo temático da Conae, que prevê colóquios sobre educação integral; desafios, expectativas e possibilidades da educação infantil; expansão do ensino médio; tecnologias da informação e comunicação; perspectivas da educação de jovens e adultos.

“Formação e valorização dos profissionais da educação” é o quarto eixo temático, que discutirá, entre outros temas, piso salarial e melhoria das condições de trabalho na educação escolar; políticas e desafios da formação inicial e continuada de professores; e avaliação e instrumentos de valorização.

O quinto eixo temático – “Financiamento da educação e controle social” – será tratado por meio de colóquios sobre novas fontes de recurso; e vinculação e subvinculação dos recursos financeiros à manutenção e desenvolvimento da educação na perspectiva do custo-aluno-qualidade (CAQ).

“Justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade” é o sexto eixo temático da conferência nacional, que tratará da política de ações afirmativas para estudantes; de estratégias de superação da violência no ambiente educacional; das relações etnorraciais e multiculturais; da educação ambiental, do campo.


Fonte: Agência Senado

domingo, 17 de maio de 2009

Oficina Literária para Mulheres na Biblioteca Pública

A Biblioteca Pública do Estado e o Sesi Lazer de Porto Alegre estão abrindo as inscrições para uma Oficina Literária destinada ao público feminino, com a duração de seis meses, de maio a novembro de 2009. O objetivo é valorizar a expressão das mulheres através da escrita, a partir de experiências pessoais. A ministrante será a professora de Literatura e escritora Lívia Petry Jahn, cuja formação é em Literatura, Cinema e Gênero. Desta oficina resultará uma publicação. As inscrições para a seleção do grupo serão realizadas através do envio de uma carta, de próprio punho, por parte das interessadas. Informações podem ser obtidas pelo fone 32259426 ou pessoalmente na sede atual da Biblioteca, à Rua dos Andradas, 736, 3º andar (Casa de Cultura Mario Quintana). A oficina será inteiramente gratuita e as vagas são limitadas.

Segundo os critérios elaborados para a formação da turma, além do quesito básico de domínio da escrita, será dada preferência para mulheres advindas de segmentos socialmente marginalizados, como mulheres indígenas e negras, que participem de movimentos comunitários e de mulheres e não tenham publicações ou não tenham passado por oficinas anteriores. Trabalhadoras da indústria serão integradas ao grupo. Será exigida freqüência em 80% das oficinas e o cumprimento das tarefas pactuadas pelo grupo. A Associação dos Amigos da BPE atuará como apoiadora do projeto.



Divulgação: TN Fenaj 689PRV4

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CONAE em Japeri

Ontem e hoje, o município de Japeri iniciou as discussões sobre a CONAE 2010.
Nas escolas em que fui a mediadora, fiquei imensamente feliz com os resultados e mais ainda com as discussões.
Os professores mais do que tudo querem ser valorizados.

As discussões rolaram em torno dos seis eixos propostos pela Coordenação da CONAE.

Os eixos são extensos e muitíssimos pertinentes, e o trabalho de grupo foi fundamental para que a discussão pegasse fogo, literalmente.

Impulsionados pela possibilidade de construção de um sistema nacional, e pela real participação, os professores se doaram bastante nas discussões.

Além disso, o trabalho de grupo, gera integração e promove a troca de idéias e experiências.

Como Organizadora, fiquei muito feliz com tudo.Agora vamos garantir que as discussões cheguem a Brasília em 2010 pelas mãos dos delegados municipais ou intermunicipais.

Depois desses dois dias, acredito mais que nunca que a discussão democrática nas escolas é a saída pra muitas das mazelas que enfrentamos como profissionais.

Para o orientador que quiser trabalhar na sua escola, proponho que seja feito como realizamos em Japeri.

Vou compartilhar minha pauta com vocês:

Roteiro de Pauta para Organização de Reunião sobre a CONAE 2010


Objetivo do Encontro: Discutir a CONE e construção de Propostas concretas de participação.

1º momento:

Abertura/ Boas Vindas

Leitura de texto Reflexivo ( a escolha das suas necessidades: sensibilização, mobilização, motivador, etc)

Informes Locais

Apresentação da CONAE(Em mídia ou a cópia xerografada da apresentação do documento referencia)Objetivo da CONAE

3º momento:

Apresentação dos Eixos Temáticos

Divisão em 6 grupos por eixos.

Finalização:

Apresentação das propostas no grupão para acréscimo e supreção de proposta,.

Encerramento

O ideal é que a discussão dos eixos seja feita pelos professores, e que a escola possibilite o acesso ao documento referência ou que pelos menos divulgue como consegui-lo por meios eletrônicos.

Garantir a discussão democrática, mesmo nos assuntos mais espinhosos, garantir que os professores se exponham e principalmente que que possam relacionar a universalidade dos eixos com as particularidades de cada escola e município, são alguns dos objetivos a serem perseguidos.

Como Orientador Pedagógico, só não deixe de levar a discussão à sua equipe.

A CONAE é uma pirâmide invertida, ou seja, a discussão começa na base e será um reflexo de cada realidade, de cada município, de cada escola, de cada professor deste Brasil.

Não vamos esperar que plantem em nosso jardim. Se queremos flores, vamos nós mesmos plantá-las, bem coloridas, bem lindas, bem nossas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

13 de maio

Quanto vale a liberdade?



Aproveito que semana que vem é um dia de luta negra muito importante, o 13 de maio, e compartilho com vocês de um vídeo do filme "Amistad".

Um filme que pode ser trabalhado tanto com alunos como professores, pois é de uma sensibilidade a toda prova.

Algumas questões que podem ser trabalhadas a partir do filme:

O passado muito recente da escravidão são fatos que não devem ser esquecidos,mas sim discutidos e relembrados para irmos adiante na luta contra o preconceito racial.


O conceito de Sankofa: Resgatar o passado para resignificar o presente.

Liberdade x Escravidão: O que isso significa para cada um de nós?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Foto-debate


Educação: Um direito do Estado? Um dever dos Pais? Uma carga ou um desafio para os professores? Uma obrigação para os alunos?Cabide de empregos para políticos cara de pau? Um direito inalienável das pessoas? A única possibilidade de mudanças?

EDUCAÇÂO....

Que território é este?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Conceito de "raças" foi criado para justificar dominação

As "raças" e o racismo são uma invenção recente na história da humanidade. O conceito de que existem diferentes "raças humanas" foi criado pelo próprio homem e ganhou força com base em interesses de determinados grupos, que necessitavam de justificativas para a dominação sobre outros grupos.


O livro explica o conceito de "raças" e propõe a sua "desinvenção"
A afirmação é do geneticista Sérgio Pena, autor do livro "Humanidade Sem Raças?" (Publifolha, 2008), da Série 21. O título tem formato de ensaio e aborda o conceito de "raças" e o racismo de forma sintética. Saiba mais sobre o livro

O autor examina a questão sob o prisma da biologia e da genética moderna, com uma perspectiva histórica. E propõe, já no trecho de abertura do livro, que pode ser lido abaixo, a necessidade da "desinvenção" imediata do conceito de "raças".

"Perversamente, o conceito tem sido usado não só para sistematizar e estudar as populações humanas, mas também para criar esquemas classificatórios que parecem justificar o status quo e a dominação de alguns grupos sobre outros", afirma o autor. "Assim, a sobrevivência da ideia de raça é deletéria por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor."

Leia abaixo o trecho de introdução de "Humanidade Sem Raças?". O texto mantém a ortografia original do livro, publicado em 2008.

*
A Bíblia nos apresenta os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Morte, Guerra, Fome e Peste. Com os conflitos na Irlanda do Norte, em Ruanda e nos Bálcãs, no fim do século passado, e após o 11 de Setembro, a invasão do Afeganistão e do Iraque e os conflitos de Darfur no início do século 21, temos de adicionar quatro novos cavaleiros: Racismo, Xenofobia, Ódio Étnico e Intolerância Religiosa.

Neste livro vamos examinar um desses: o racismo, com o seu principal comparsa, a crença na existência de "raças humanas". Proponho demonstrar que as raças humanas são apenas produto da nossa imaginação cultural. Como disse o epidemiologista americano Jay S. Kaufman, as raças não existem em nossa mente porque são reais, mas são reais porque existem em nossa mente.1

Acredito que a palavra devia ser sempre escrita entre aspas. Como isso comprometeria demais a apresentação do texto, serão omitidas aqui, mas gostaria de sugerir que o leitor as mantivesse, imaginariamente, a cada ocorrência do termo. No passado, a crença de que as raças humanas possuíam diferenças biológicas substanciais e bem demarcadas contribuiu para justificar discriminação, exploração e atrocidades. Ao longo dos tempos, esse infeliz conceito integrou-se à trama da nossa sociedade, sem que sua adequação ou veracidade tenham sido suficientemente questionadas.

Perversamente, o conceito tem sido usado não só para sistematizar e estudar as populações humanas, mas também para criar esquemas classificatórios que parecem justificar o status quo e a dominação de alguns grupos sobre outros. Assim, a sobrevivência da idéia de raça é deletéria por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor. Essa persistência é tóxica, contaminando e enfraquecendo a sociedade como um todo.

Henry Louis Gates Jr. (1950), professor da Universidade de Harvard e diretor do Instituto w.e.b. Du Bois de Pesquisa Sobre Africanos e Afro-Americanos, é um brilhante intelectual norte-americano da atualidade. Em um artigo intitulado "A Ciência do Racismo", recentemente publicado online na revista The Root, Gates faz a seguinte afirmativa: "[...] a última grande batalha sobre o racismo não será lutada com relação ao acesso a um balcão de restaurante, a um quarto de hotel, ao direito de votar, ou mesmo ao direito de ocupar a Casa Branca; ela será lutada no laboratório, em um tubo de ensaio, sob um microscópio, no nosso genoma, no campo de guerra do nosso DNA. É aqui que nós, como uma sociedade, ordenaremos e interpretaremos a nossa diversidade genética".2

Vou seguir a sugestão de Gates e examinar toda a questão das raças humanas e do racismo sob o prisma da biologia e da genética moderna, com uma perspectiva histórica. Assim, contrasto três modelos estruturais da diversidade humana. O primeiro, com base na divisão da humanidade em raças bem definidas, foi desenvolvido nos séculos 17 e 18 e culminou no racismo científico da segunda metade do século 19 e no movimento nazista do século 20. Esse equivocado modelo tipológico definiu as raças como muito diferentes entre si e internamente homogêneas. E foi essa crença de que as diferentes raças humanas possuíam diferenças biológicas substanciais e bem demarcadas que contribuiu para justificar discriminação, exploração e atrocidades.

O segundo foi o modelo populacional. Incorporando novos conhecimentos científicos, ele surgiu após o final da Segunda Guerra Mundial, e fez a divisão da humanidade em populações, que passaram a ser corretamente percebidas como internamente heterogêneas e geneticamente sobrepostas. Infelizmente ele se degenerou em um modelo "populacional de raças" e tem sido compatível com a continuação do preconceito e da exploração.

O que proponho para o século 21 é a substituição desses dois modelos prévios por um novo paradigma genômico/individual de estrutura da diversidade humana, que vê essa espécie dividida não em raças ou populações, mas em seis bilhões de indivíduos genomicamente diferentes entre si, mas com graus maiores ou menores de parentesco em suas variadas linhagens genealógicas.

Este terceiro e novo modelo genômico/individual valoriza cada ser humano como único, em vez de enfatizar seu pertencimento a uma população específica, e está solidamente alicerçado nos avanços da genômica, especialmente na demonstração genética e molecular da individualidade genética humana e na comprovação da origem única e recente da humanidade moderna na África. Ele é fundamentalmente genealógico e baseado na história evolucionária humana - enfatiza a individualidade e a singularidade das pessoas e o fato de que a humanidade é uma grande família. Nele, a noção de raça humana perde totalmente o sentido e se desfaz como fumaça.

A mensagem principal deste livro é que se deve fazer todo esforço em prol de uma sociedade desracializada, que valorize e cultive a singularidade do indivíduo e na qual cada um tenha a liberdade de assumir, por escolha pessoal, uma pluralidade de identidades, em vez de um rótulo único, imposto pela coletividade. Esse sonho está em perfeita sintonia com o fato demonstrado pela genética moderna: cada um de nós tem uma individualidade genômica absoluta, que interage com o ambiente para moldar uma exclusiva trajetória de vida.

A Invenção das Raças

Parece existir uma noção generalizada de que o conceito de raças humanas e sua indesejável conseqüência, o racismo, são tão velhos como a humanidade. Há mesmo quem pense neles como parte essencial da "natureza humana". Isso não é verdade. Pelo contrário, as raças e o racismo são uma invenção recente na história da humanidade.

Desde os primórdios da humanidade houve violência entre grupos humanos, mas só na era moderna essa violência passou a ser justificada por uma ideologia racista. De fato, nas civilizações antigas não são encontradas evidências inequívocas da existência de racismo (que não deve ser confundido com rivalidade entre comunidades). É certo que havia escravidão na Grécia, em Roma, no mundo árabe e em outras regiões. Mas os escravos eram geralmente prisioneiros de guerra e não havia a idéia de que fossem "naturalmente" inferiores aos seus senhores. A escravidão era mais conjuntural que estrutural - se o resultado da guerra tivesse sido outro, os papéis de senhor e escravo estariam invertidos.

A emergência do racismo e a cristalização do conceito de raças coincidiram historicamente com dois fenômenos da era moderna: o início do tráfico de escravos da África para as Américas e o esvanecimento do tradicional espírito religioso em favor de interpretações científicas da natureza.

Diversidade Humana

Antes de prosseguirmos, proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local onde haja grande número de pessoas - uma sala de aula, um restaurante, o saguão de um edifício comercial ou mesmo a calçada de uma rua movimentada. Agora observe cuidadosamente as pessoas ao redor.

Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina e na falta relativa de pêlos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros primatas.

Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular e distribuição de gordura corporal, comprimento, cor e textura dos cabelos (ou ausência deles), cor e formato dos olhos, formatos do nariz e lábios, cor da pele etc.

Essas variações são quantitativas, contínuas, graduais. A priori, não existe absolutamente qualquer razão para valorizar uma ou outra dessas características no exercício de perscrutação. Mas logo se descobre que nem todos os traços têm a mesma relevância. Alguns são mais importantes; por exemplo, quando reparamos que algumas pessoas são mais atraentes que outras.

Além disso, há características que podem nos fornecer informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a inferir que a pessoa tenha ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental etc. Mas isso é tudo: não há nada mais que se possa captar à flor da pele.

Pense bem. Como é possível que o fato de possuir ancestrais na África faça o todo de uma pessoa ser diferente de quem tem ancestrais na Ásia ou Europa? O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver com as qualidades humanas singulares que determinam uma individualidade existencial? Tratar um indivíduo com base na cor da sua pele ou na sua aparência física é claramente errado, pois alicerça toda a relação em algo que é moralmente irrelevante com respeito ao caráter ou ações daquela pessoa.

1 Kaufman, J. S., "How Inconsistencies in Racial Classification Demystify The Race Construct in Public Health Statistics". Em: Epidemiology, 10:108-11, 1999.
2 Gates, H. L., "The Science of Racism". Em: The Root (www.theroot.com/id/46680/output/print), 2008.

Fonte: Folha On Line?

* E você, o que acha sobre isso. Opine.