sexta-feira, 30 de maio de 2008

Texto para reflexão:

"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor.
Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." ( Paulo Freire )

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Universidade para todos

As inscrições para o ProUni estão abertas.

Vamos entender como funciona:

O Programa:

O ProUni - Programa Universidade tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior, oferecendo, em contrapartida, isenção de alguns tributos àquelas que aderirem ao Programa.

Não precisa fazer vestibular para concorrer a um bolsa do ProUni

Os tipos de bolsa oferecidos são:

Bolsa integral: para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio (R$ 622,50).

• Bolsa parcial de 50%: para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos (R$ 1.245,00).

• Bolsa complementar de 25%: para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos (R$ 1.245,00), destinadas exclusivamente a novos estudantes ingressantes.

O período das inscrições para participação no processo seletivo do ProUni, referente ao segundo semestre de 2008 estará aberto de 21 de maio até as 21 horas de 06 de junho de 2008, horário de Brasília.

Maiores informações e inscrições, devem ser realizadas exclusivamente pela Internet, na página eletrônica do ProUni http:www.mec.gov.br/prouni

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Defasagem no ensino médio e superior

... mais de 15 anos são necessários para superar desigualdade entre brancos e negros no ensino.

Embora a desigualdade entre brancos e negros no que se refere à presença no ensino fundamental tenha diminuído nos últimos dez anos, nos níveis médio e superior há assimetrias que só poderiam ser superadas no prazo de 17 anos.

A conclusão é do levantamento elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 27 de maio de 2008

Todos pela Educação

Como professor você já ouviu falar da campanha Todos pela Educação?

A campanha é uma iniciativa da sociedade civil, da inicitiava privada, organizações sociais, gestores públicos e educadores, cujo objetivo é garantir uma educação básica de qualidade.

Considerado um projeto de nação, é uma aliança de esforços e de compromissos onde cada um se mobiliza para fazer a sua parte.

Para isso, foram definidas,5 metas. Específicas. Simples. Focadas.

As metas devem ser atingidas até 7 de setembro de 2022.

E aí, vamos fazer a nossa parte?

O objetivo do Todos Pela Educação pode ser traduzido em uma frase: “todas as crianças na escola, aprendendo”.

Meta 1: toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola

A Meta 1 é o primeiro passo para uma Educação de qualidade, pois, para que o aluno aprenda, ele precisa estar matriculado e freqüentando a escola. Segundo dados do Inep referentes a 2005, estão na escola 73% das crianças de 4 a 6 anos, 97% das crianças e jovens de 7 a 14 anos e 82% dos jovens de 15 a 17. Mesmo na faixa etária de 7 a 14 anos, em que o Brasil apresenta seu melhor resultado, ainda temos um grande desafio, pois os 3% que estão fora da escola representam 800 mil crianças.

Meta 2: toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos

Além de ter as crianças na escola, é preciso que elas aprendam. O ponto de partida para isso está na Meta 2, pois saber ler e escrever corretamente permite que alguém aprenda muito e pela vida toda. Não existem, atualmente, informações sobre alfabetização nessa faixa etária, mas o problema fica evidente com os dados do Saeb 2003. Essa avaliação nacional mostra que 55,5% das crianças chegam à 4ª série do Ensino Fundamental sem estar corretamente alfabetizadas.

Meta 3: todo aluno com aprendizado adequado à sua série

Somente quando o aluno está realmente aprendendo pode-se dizer que existe Educação de qualidade. No Brasil, os dados relativos ao ensino de Língua Portuguesa apresentados no Saeb 2005, por exemplo, mostram que apenas 29% dos alunos da 4ª série do Ensino Fundamental sabem o conteúdo adequado a essa série. O desempenho também é baixo na 8ª série do Ensino Fundamental (19%) e na 3ª série do Ensino Médio (22%).

Meta 4: todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos

Muitos alunos sequer chegam ao Ensino Médio, pois saem da escola muito cedo. Dos alunos que ficam, quase a metade não cursa as série apropriada à sua idade. Segundo a PNAD de 2005, somente 39% dos jovens de 19 anos conseguem concluir o Ensino Médio.

Meta 5: investimento em Educação ampliado e bem gerido

A Meta 5 é a única que não está ligada diretamente à sala de aula, mas é ferramenta indispensável para a melhoria da Educação. Dados do PISA mostram que os países com melhor rendimento escolar investem, pelo menos, 5% do PIB em Educação, enquanto o Brasil investe apenas 3,2%. Assim, a Meta é atingir, no mínimo, o percentual de 5% até 2011, mantê-lo até 2022, e investi-lo de maneira correta.

Fonte: Todos pela Educação

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Campanha Nacional de Combate a Pedofilia na Internet

Como Educadora e como mãe, eu não poderia deixar de me mobilizar por esta causa tão importante quanto o combate a pedofilia na internet.
É importante estarmos ligados e sabermos como lidar com a situação, pois não estamos livres dela.
A internet é um campo aberto, milhões de frequentadores no mundo inteiro, e as crianças são alvos fáceis desses monstros, então, nós que lidamos com crianças precisamos estar preparados para tudo.

Como educadores devemos alertar aos nossos alunos dos males que podem encontrar on line. O texto abaixo inclusive pode servir de base para reflexões,pesquisas, murais, dramatização...

É só sentar e planejar. O assunto merece toda nossa atenção.

Mais noticias sobre o assunto, você encontra no site:http:www.censura.com.br

Saiba como proteger seus filhos (e alunos):

1 Mantenha o computador em uma área comum da casa. Não deixe no quarto da criança usuária da Internet por ser diferente de um móvel ou de um livro.

2 Acompanhe a criança quando utilizar computadores de bibliotecas.

3 Navegue algum tempo com a criança internauta. Da mesma forma que você ensina sobre o mundo real, guie-o no mundo virtual.

4 Aprenda sobre os serviços utilizados pela criança, observe suas atividades na Internet. Caso encontrem algum material ofensivo, explique o porquê da ofensa e o que pretende fazer sobre o fato.

5 Denuncie qualquer atividade suspeita. Encoraje a criança a relatar atividades suspeitas, ou material indevido recebido.

6 Caso suspeite que alguém on-line está fazendo algo ilegal, denuncie-o às autoridades policiais ou ao site www.censura.com.br.

7 Estabeleça regras razoáveis para a criança. Discuta com ela as regras de uso da Internet, coloque-as junto ao computador e observe se são seguidas. As regras devem, por exemplo, estabelecer limites sobre o tempo gasto na Internet.

8 Se necessário, opte por programas que filtram e bloqueiam sites. Encontre um que se ajuste às regras previamente estabelecidas.
* Indicamos o NetFilter Família.

9 Monitore sua conta telefônica e o extrato de cartão de crédito. Para acessar sites adultos, o internauta precisa de um número do cartão de crédito e um modem pode ser usado para discar outros números, além do provedor de acesso à Internet.

10 Instrua a criança a nunca divulgar dados pessoais na Internet, por exemplo, nome, endereço, telefone, escola e o e-mail em locais públicos, como salas de bate-papo. É a versão moderna do “nunca fale com estranhos”. Recomende que a criança utilize apelidos, prática comum na Internet e uma maneira de proteger informações pessoais.

11 Conheça os amigos virtuais da criança. É possível estabelecer relações humanas benéficas e duradouras na Internet. Contudo, há muitas pessoas com más intenções, que tentarão levar vantagem sobre a criança.

12 Cuide para que a criança não marque encontros com pessoas conhecidas através da Internet, sem sua permissão. Caso permita o encontro, marque em local público e acompanhe a criança.

13 Aprenda mais sobre a Internet. Peça para a criança ensinar a você o que sabe e navegue de vez em quando.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

Em comemoração ao Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento (21 de maio) e ao Ano Internacional das Línguas (2008), a UNESCO no Brasil lançou uma campanha para promover a diversidade lingüística.

Vamos repassar a campanha!






terça-feira, 20 de maio de 2008

+ Educação Especial

Matrículas no Instituto Benjamim Constant podem ser feitas até dia 28

O Instituto Benjamim Constant (IBC), localizado no Rio de Janeiro, está com matrículas abertas até o dia 28. Vinculado ao MEC, o IBC atende pessoas cegas ou com baixa visão de todas as idades, em diversas modalidades de ensino.

Você que tem um aluno, um amigo ou um parente com deficiência visual, avise dessa oportunidade no Benjamim!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Educação Especial: Aprovada convenção que assegura inclusão

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira, 13, em primeiro turno, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Foram 418 votos favoráveis, nenhum contrário e 11 abstenções. Quando a norma entrar em vigor, o Brasil passará a ser o 21º país a adotar a Convenção, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nos demais países, vigora desde 3 de maio deste ano.

De acordo com o artigo 5o da Constituição, tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos ganham o status de emenda constitucional se aprovados por três quintos dos votos, em dois turnos, nas duas casas do Congresso Nacional.

A Secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, Cláudia Pereira Dutra, enfatizou a importância do documento, que foi discutido durante três anos. “No que diz respeito à educação, a Convenção assegura a inclusão educacional das pessoas de deficiência em todos os níveis de escolaridade, por meio do Artigo 24, que garante, por exemplo, que nenhuma pessoa com deficiência seja excluída do sistema educacional geral sob alegação de deficiência”.

A política desenvolvida pelo Ministério da Educação na defesa de uma educação inclusiva se consolidará com a aprovação da Convenção. As medidas previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e na Agenda Social, eixo Cidadania e Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, visam assegurar o direito de todos à educação de qualidade, promovendo ações de acessibilidade nos recursos, equipamentos, materiais didáticos e pedagógicos e nos prédios escolares, com o objetivo de garantir o acesso e a permanência de pessoas com deficiência nas classes comuns do ensino regular.

A nova Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, publicada em janeiro de 2008, orienta os sistemas de ensino a transformarem-se em sistemas educacionais inclusivos, e estão em sintonia com os princípios da Convenção.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MEC

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Professor Coordenador Pedagógico

Vivemos hoje uma sociedade onde a escola ocupa um lugar não muito nobre na escala de valores e de opções de perspectivas de vida da maioria dos indivíduos que nela transitam.

Por um lado temos alunos que não se “encaixam” nos projetos pedagógicos das escolas, e projetos pedagógicos que não se “encaixam” na realidade dos alunos. À parte dessa colocação, tenho uma outra não menos inquietante: A má formação dos professores, que é apontada como uma das causas dos problemas da educação no Brasil.

O receio da inovação, a segurança das metodologias tradicionais, a inexperiência didática, a formação na área pedagógica dos cursos de licenciatura com disciplinas fragmentadas e que são vistas pela maioria dos alunos apenas para “cumprir tabela” são algumas das dificuldades da formação docente.

Entretanto a formação inicial é um processo fundamental na construção da identidade do professor, mas é na formação continuada que esta identidade vai se consolidando.

Segundo Nóvoa (1992), concluir o magistério ou a licenciatura é apenas uma das etapas do longo processo de capacitação que não pode ser interrompido enquanto houver jovens querendo aprender.

É através da formação continuada enquanto processo que o professor vai construindo seus saberes e rompendo com as resistências impostas pelo sistema de ensino. O professor vai desconstruindo a rede das “seguranças metodológicas” que o levam a negar a mudança e a construir casulos de resistência nas escolas.

Casulos estes que geram uma enorme dificuldade de se pensar no conhecimento como algo dialético e não estático que dificulta a distribuição de conhecimento socialmente gerado, de maneira que o aluno perceba que o está recebendo.

Como Ressalta Demo (2000, p.20) “parece inaceitável que alguém que se dedica a fazer crianças aprender, seja criticado exatamente pela incompetência de fazê-lo”.

Mas é assim que acontece. E a escola não escapa da crítica, pois sofre do mesmo paradigma cristalizado da onipotência do saber, com limitações para aprender, com dificuldades para transformar.

Mas o que se busca não é uma transformação imediata, sem reflexão, mas uma transformação que seja baseada na autonomia, no conhecimento visto como algo dialético, prático e ao mesmo tempo social, pois o conhecimento estabelece relações de homens com outros homens e destes homens com objetos.

Como ressalta Alves et alii (1992, p.75).

“Homens que através de sua ação transformadora se”.
transformam. É neste processo que os homens produzem
conhecimentos, sejam os mais singelos, sejam os mais.
“sofisticados, sejam aqueles que resolvem um problema
imediato cotidiano, sejam os que criam teorias explicativas”.

Diante dessa realidade, e do imenso e diversificado universo escolar, dentre os muitos atores que nele atuam, temos a figura do Professor Coordenador Pedagógico que é o profissional que atua na gestão da escola e que tem como uma de suas funções construir um ambiente democrático e participativo. O que não é uma tarefa fácil.

O Professor Coordenador Pedagógico precisa se despir de sua imagem de “chefe” para tornar-se igual, para criar um clima em que todos participem coletivamente.

Pois administrar, assim como educar, não é uma ação individual, feita de um só sujeito, mas sim uma atividade coletiva que infere em discussões, em administrar conflitos, ceder a idéias dos outros, fazer com que as pessoas participem com suas idéias, façam e recebam críticas e aceitem os consensos.

Por isto, creio que o Professor Coordenador Pedagógico seja o profissional que atuando democraticamente (e internamente), leve o professor à reflexão da sua prática, gerando assim, questões para o debate constante a que podemos chamar de formação continuada docente.

Pois efetivamente, não existe educação sem a reflexão da própria prática.

Cria-se assim, segundo Nóvoa (1992) o paradigma do professor reflexivo, ou seja, do professor que pensa e elabora em cima da prática.

Para atender tal demanda o Professor Coordenador Pedagógico deve manter-se atualizado, realizando leituras especificas da sua área de atuação bem como a respeito de assuntos da contemporaneidade social.

Ou seja, o Professor Coordenador Pedagógico também está inserido no processo de formação continuada, formando e sendo formado numa relação dialética.

Concluindo, reforço ainda a importância e a atualidade desse assunto e a constatação que a figura do Professor Coordenador Pedagógico é indispensável na escola, mantendo-se uma postura democrática, para efetivamente contribuir no campo da formação docente.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

14 de maio de 1888, o dia seguinte

Hoje fazem 120 anos do dia seguinte à Abolição da Escravatura...
Ontem não havia nada para comemorar, hoje faço questão de refletir.

14 de maio de 1888.

Este conto é para minha tataravô Isidora, que forçosamente fez a travessia de África para trabalhar numa fazenda de café em Vassouras. Á você tata, que iniciou uma linda família com a sua diáspora.

Então ontem foi o dia em que tudo se acabou.
Minhas mãos ainda ardem, meu corpo está marcado pelas chagas que nunca param de sangrar.
Mas ontem tudo terminou.
Ainda hoje há regozijo pelas ruas, o povo brinda a liberdade, as tabernas estão cheias de homens brancos que  se embebedam de vinho barato,,,,
Mas bem ao lado, na calçada, uma pobre mãe negra dorme ao relento com seus três filhos.
Saiu da fazenda que fora escrava durante toda sua vida, achando que a liberdade ia lhe dar um teto e pratos quentes de comida no abrir e fechar dos seus olhos.
Ontem, eu perambulava pelo paço e vi quando sua augusta alteza chegou. De longe, pude ver as damas e os senhores que a aguardavam, todos muito bem vestidos, falantes e respeitosamente bem humorados.
Fiquei de longe assistindo as comemorações da nossa liberdade e quando cansei do que via, caminhei até a rua do Ouvidor onde senhoras bem elegantes, faustosas e, os cavalheiros garbosos, vez ou outra davam brados à  nossa liberdade.
 Mas eu queria algo mais que sorrisos e gritos.
Aceitaria de bom grado um pão dormido.
Queria que algum deles me ajudasse a encontrar os meus filhos, que
estão perdidos desde Africa,
Não sei para onde foram.
Não sei para onde ir.
Queria que algum desses bravos senhores brancos e pardos,  me oferecessem um trabalho digno, com salário, para que eu pudesse ter o direito a uma moradia... Pois não quero voltar para a senzala de onde vim...não quero  
Acabadas as danças e  a capoeira, abaixada a quantidade de cachaça no cérebro, todos começarão a pensar como eu. - Para onde  ir?
Todos os outros, os homens e mulheres livres, brancos e pardos, voltarão para suas casas, mesmo que seja pequena e humilde.
E muitos como eu, estaremos dormindo nesta praça onde ontem vossa alteza real brindou com satisfação a glória mais pura da abolição.
Pensar no futuro, foi o que nos pregaram os abolicionistas .
Bons senhores. Lutaram por nós contra todos.
Mas e agora?
Em todos os pontos que olho a escravidão persiste.E tenho medo, pois nada foi feito por nós...
Mas, liberdade tem cheiro. Posso senti-la vindo do mar.
Quero voltar para África.
Será que alguém, em nome da augusta liberdade, me mandaria de volta?
Trabalhei tanto forçadamente, vi minhas mulheres mortas e amigos marcados pelo açoite.
Presenciei meus próprios parentes dependurados pelas vísceras.
Fui chamado de animal e tratado como tal.
Mereço minha África, a minha verdadeira liberdade.
Por enquanto vou esperar.
Talvez mais alguns dias, vossa augusta alteza traga novidades.
Quem sabe pedaços de terra boa pra plantar, quem sabe um navio para atravessar kalunga?
Vou esperar mais alguns dias. Sentado na calçada da rua do Ouvidor.
África...pra que lado será que fica?
Dizem que dá pra chegar nadando...kalunga....aquelas correntes eu jamais esquecerei...minha carne jamais esqueçerá....
Inda bem que meus netos não passarão o que passei.
Ainda bem que no futuro, a liberdade, será nosso reconhecimento por tudo que nós, escravos fomos e fizemos por este pais
E meus netos serão considerados quase reis
Como em áfrica....
Hoje faz apenas um dia que nossa liberdade aconteceu.
Mais uns dias e tenho certeza que tudo será diferente e essa multidão de negros que caminha a esmo saberá para onde ir.
Terá um lar e uma terra reservada.
A imperatriz, dizem, é muito boa.Já nos deu a liberdade .
Ela não nos virará as costas.
Nossos corpos estão cansados, mas me recuso a morrer.
Vou adiante.
E amanha a liberdade terá um gosto menos amargo em minha boca.

JORNAIS DA ÉPOCA:

O Carbonário - 16 de maio de 1888

"Está extinta a escravidão no Brasil. Desde ontem, 13 de maio de 1888, entramos para a comunhão dos povos livres. Está apagada a nódoa da nossa pátria. Já não fazemos exceção no mundo.

Por uma série de circunstâncias felizes fizemos em uma semana uma lei que em outros países levaria nos. Fizemos sem demora e sem uma gota de sangue. (...)

Para o grande resultado de ontem concorreram todas as classes da comunhão social, todos os partidos, todos os centros de atividade intelectual, moral, social do país.

A glória mais pura da abolição ficará de certo pertencendo ao movimento abolicionista, cuja história não é este o momento de escrever, mas que libertou províncias sem lei, converteu ambos os partidos à sua idéia, deu homens de Estado a ambos eles e nunca de outra coisa se preocupou senão dos escravos, inundando de luz a consciência nacional.(...)"

"Em todos os pontos do império repercutiu agradavelmente a notícia da promulgação e sanção da lei que extingüiu no Brasil a escravidão. Durante a tarde e a noite de ontem fomos obsequiados com telegramas de congratulações em número avultado e é com prazer que publicamos todas essas felicitações, que exprimem o júbilo nacional pela áurea lei que destruiu os velhos moldes da sociedade brasileira e passou a ser a página mais gloriosa da legislação pátria."

"O júbilo popular explodiu ontem como bem poucas vezes temos presenciado. Nenhum coração saberia conter a onda entusiasmo que o inundava, altaneira, grandiosa, efervescente.

Desde pela manhã, o grande acontecimento, que será sempre o maior da história brasileira, agitava as massas e as ruas centrais da cidade e imediações do senado e paço imperial tinham festivo aspecto, constante e crescente movimento de povo, expansivo, radiante. Era finalmente chegado de atingir-se ao termo da grande conquista, campanha renhida, luta porfiada, sem tréguas, em que a parte honesta da população de todo o império se tinha empenhado desde há dez anos.O decreto da abolição tinha de ser assinado e para isso reuniu-se o senado extraordinariamente. (...) É inútil dizer que no rosto de toda gente transparecia a alegria franca, a boa alegria com que o patriota dá mais um passo para o progresso da sua pátria. Fora como dentro o povo agitava-se irrequieto, em ondas movediças, à espera do momento em que se declarasse que apenas faltava a assinatura da princesa regente para que o escravo tivesse desaparecido do Brasil. (...)

Logo que se publicou a notícia da assinatura do decreto, as bandas de música estacionadas em frente ao palácio executaram o hino nacional, e as manifestações festivas mais se acentuaram prolongando-se até a noite. O entusiamo popular cresceu e avigorou-se rapidamente, e a instâncias do povo Sua Alteza a Princesa Imperial assomou a uma das janelas do palácio, em meio de ruídos e unânime saudação de mais de 10.000 pessoas que enchiam a praça D. Pedro II. (...)"

Este post também está publicado no meu blog http://www.diariodafafi.blogspot.com/

terça-feira, 13 de maio de 2008

Dicas para contar histórias

Andei sumida um pouco.
Peguei uma dengue seguida de uma forte crise alérgica.
Depois na semana passada dei um pulo em Buenos Aires para participar da Feira do Livro onde fui autografar meus livros.
Foi tudo muito lindo e especial. Guardo Buenos Aires em mim.

Voltando a ativa:

No dia que o mar secar, quando prego for martelo, quando cobra usar chinelo, contador vai se acabar” (Ruth Rocha)


CUIDADOS AO CONTAR UMA HISTÓRIA

Reservar um tempo para ler

 Não se esqueça! Quem conta uma história abraça alguém

Introdução é crucial. "Você vai ganhar ou perder nos 3 primeiros minutos dependendo de como você começa". Deve haver, na introdução, o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade, unindo as crianças em antecipação. Não dê tudo na introdução. Sempre mantenha um certo nível de mistério, antecipação e surpresa durante toda a história.

Uma vez terminada a história, não fique divagando e corrigindo. Deixe os pensamentos das crianças presos no ponto da história, na mensagem central dela.

Crianças aprendem com seus sentidos. Elas adoram sentir, cheirar, tocar, escutar e ver. Descreva personagens e locais vividamente, ajudando-os a solidarizar-se com os personagens.

Leia e conheça a história que você vai contar. Ter curiosidade é essencial
Enquanto conta, procure ir vivendo a história, deixe-se guiar por ela.

 Conte para si mesmo. Não o faça por obrigação, esqueça a culpa. Observe a reação da platéia. Aproveite objetos inusitados e divertidos da casa, como panos e lenços, para dar mais possibilidades à história.

É bom que o contador seja leitor

É bom que haja um repertório variado

Lembrar que contar histórias é uma atividade que promove a leitura e forma leitores

Contador de histórias não é ator

Recomenda-se o suo de roupas neutras no caso de contador de histórias profissional.

O uso de poesia implica numa outra historia

Aconselha-se a olhar nos olhos dos ouvintes

Não esquecer de citar a fonte

Imitar vozes se sentir seguro para isto. Caprichar na entonação e no timbre de voz.


“O ambiente é essencial para despertar na criança o gosto pela leitura.”