quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Professor Coordenador Pedagógico

Vivemos hoje uma sociedade onde a escola ocupa um lugar não muito nobre na escala de valores e de opções de perspectivas de vida da maioria dos indivíduos que nela transitam.

Por um lado temos alunos que não se “encaixam” nos projetos pedagógicos das escolas, e projetos pedagógicos que não se “encaixam” na realidade dos alunos. À parte dessa colocação, tenho uma outra não menos inquietante: A má formação dos professores, que é apontada como uma das causas dos problemas da educação no Brasil.

O receio da inovação, a segurança das metodologias tradicionais, a inexperiência didática, a formação na área pedagógica dos cursos de licenciatura com disciplinas fragmentadas e que são vistas pela maioria dos alunos apenas para “cumprir tabela” são algumas das dificuldades da formação docente.

Entretanto a formação inicial é um processo fundamental na construção da identidade do professor, mas é na formação continuada que esta identidade vai se consolidando.

Segundo Nóvoa (1992), concluir o magistério ou a licenciatura é apenas uma das etapas do longo processo de capacitação que não pode ser interrompido enquanto houver jovens querendo aprender.

É através da formação continuada enquanto processo que o professor vai construindo seus saberes e rompendo com as resistências impostas pelo sistema de ensino. O professor vai desconstruindo a rede das “seguranças metodológicas” que o levam a negar a mudança e a construir casulos de resistência nas escolas.

Casulos estes que geram uma enorme dificuldade de se pensar no conhecimento como algo dialético e não estático que dificulta a distribuição de conhecimento socialmente gerado, de maneira que o aluno perceba que o está recebendo.

Como Ressalta Demo (2000, p.20) “parece inaceitável que alguém que se dedica a fazer crianças aprender, seja criticado exatamente pela incompetência de fazê-lo”.

Mas é assim que acontece. E a escola não escapa da crítica, pois sofre do mesmo paradigma cristalizado da onipotência do saber, com limitações para aprender, com dificuldades para transformar.

Mas o que se busca não é uma transformação imediata, sem reflexão, mas uma transformação que seja baseada na autonomia, no conhecimento visto como algo dialético, prático e ao mesmo tempo social, pois o conhecimento estabelece relações de homens com outros homens e destes homens com objetos.

Como ressalta Alves et alii (1992, p.75).

“Homens que através de sua ação transformadora se”.
transformam. É neste processo que os homens produzem
conhecimentos, sejam os mais singelos, sejam os mais.
“sofisticados, sejam aqueles que resolvem um problema
imediato cotidiano, sejam os que criam teorias explicativas”.

Diante dessa realidade, e do imenso e diversificado universo escolar, dentre os muitos atores que nele atuam, temos a figura do Professor Coordenador Pedagógico que é o profissional que atua na gestão da escola e que tem como uma de suas funções construir um ambiente democrático e participativo. O que não é uma tarefa fácil.

O Professor Coordenador Pedagógico precisa se despir de sua imagem de “chefe” para tornar-se igual, para criar um clima em que todos participem coletivamente.

Pois administrar, assim como educar, não é uma ação individual, feita de um só sujeito, mas sim uma atividade coletiva que infere em discussões, em administrar conflitos, ceder a idéias dos outros, fazer com que as pessoas participem com suas idéias, façam e recebam críticas e aceitem os consensos.

Por isto, creio que o Professor Coordenador Pedagógico seja o profissional que atuando democraticamente (e internamente), leve o professor à reflexão da sua prática, gerando assim, questões para o debate constante a que podemos chamar de formação continuada docente.

Pois efetivamente, não existe educação sem a reflexão da própria prática.

Cria-se assim, segundo Nóvoa (1992) o paradigma do professor reflexivo, ou seja, do professor que pensa e elabora em cima da prática.

Para atender tal demanda o Professor Coordenador Pedagógico deve manter-se atualizado, realizando leituras especificas da sua área de atuação bem como a respeito de assuntos da contemporaneidade social.

Ou seja, o Professor Coordenador Pedagógico também está inserido no processo de formação continuada, formando e sendo formado numa relação dialética.

Concluindo, reforço ainda a importância e a atualidade desse assunto e a constatação que a figura do Professor Coordenador Pedagógico é indispensável na escola, mantendo-se uma postura democrática, para efetivamente contribuir no campo da formação docente.

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