sábado, 29 de maio de 2010

Carta à Maria Odete Costa Semedo

Não pude resistir a este artigo onde quase pude sentir os aromas e gostos registrados, por isso estou postando ele aqui no Paideia, com todos os créditos do site e da  maravilhosa e talentosa autora, Conceição Lima.

 

Escritores Africanos

Carta à Maria Odete Costa Semedo

http://pambazuka.org/pt/category/African_Writers/57028


Ao encontro da mesa estendida sob o frondoso micondó, vereis o resplandecente mar da Baía Ana de Chaves: micondó é o mesmo que kabasera, é o baobá, é o imbondeiro.

Querida Detinha:

Venho falar-te da doçura das mangas, as mãos das nossas mães, aromas: os que sobem dos esburacados tectos das cozinhas, a caminho das nuvens. Venho falar-te da justeza e da generosidade dos frutos.

Amo os sofisticados cheiros e sabores da Guiné. Volta e meia, ensaio o meu próprio caldo de mancarra, caril de amendoim para os moçambicanos, moamba de jinguba para os angolanos. Na sua sisudez, a mancarra não se apaga na versatilidade dos nomes, cumpre o destino de ser alimento.

Amo o chabéu que é vermelho, sem ser sangue, soufflé e dendém. Amo o aroma da cafriela, os pedaços de frango corados em manteiga, de volta ao molho de limão e fartas rodelas de cebola. A escalada faz escancarar portas e janelas, mas todos sabemos que é muito nham-nham o seu arroz. Kandja e badjiki estão entre as minhas imortais memórias de Bissau. E olha que não mencionei a carne corada, essa iguaria da quadra natalícia que a saudosa Ivete um dia me serviu com tanto carinho.

Porque amor com amor se paga, quero, amiga, que tu e todos os teus irmãos e irmãs visitem as minhas ilhas. São ricas e verdes, as ilhas; os ilhéus, quezilentos. As quezílias cegas, sabes bem, tolhem a acção e candrezam, atrofiam, os frutos. Tal como na tua amada Guiné, também os nossos frutos são bondosos e os aromas pacíficos. Diz um velho provérbio são-tomense, que a casa nunca é estreita para a família. Venham pois!

Ao encontro da mesa estendida sob o frondoso micondó, vereis o resplandecente mar da Baía Ana de Chaves: micondó é o mesmo que kabasera, é o baobá, é o imbondeiro. Se despida de vaidades, é benigna a função dos nomes.

Tu e todas as manas e manos provarão primeiro uma marca registada da ilha do Príncipe, o bôbô frito, banana madura frita.

Depois será o calu ou calulu, o blablá e o djógó, de confecção meticulosa, com muita hortaliça picada, óleo de palma e peixe, preferencialmente, que é o que o mar mais dá. São pratos cerimonais, testes de aptidão.

Em tempos não longínquos, a sua depreciação num banquete acarretava opróbrio perpétuo. O izaquente, doce ou de óleo de palma, requer igualmente perícia e demora. Não escapareis à pontaria da banana com peixe, o cozido, infalível como o sol, benévolo como a chuva.

A banana está para os são-tomenses como o arus para vós. Cozem-na. Assam-na. É frita e é guisada e seca ao sol. A fruta-pão é muito estimada, mas não tem o mesmo carisma.
O molho no fogo, meu prato predilecto, é um refogado de peixe seco e fumado, com makêkê e quiabo, tudo homogeneizado em óleo de palma. O meu pai gostava muito da azagôa, feijoada com carne fumada e nacos de mandioca.

O vinho de palma, de tão fresco e doce será verde, como a decisão da poetisa e seu povo. Haverá uma bandeja enfeitada com folhas: todos os frutos de África e bananas, felizes nas suas variações de tamanho, feitio, de nomes, de cores e sabores. As crianças trarão alfarrobas e tamarindos, um ramo de salambás, o mesmo que veludo na Guiné. Cuidado com o safú: se o trincares, ficarás nas ilhas.

À despedida, a mãe comporá um lento cestinho de mangas para ti. A primeira vez que vi uma manga da Guiné, maravilhei o tamanho daquele coração de gigante, amarelo-alaranjado e tão doce como as minúsculas mangas do meu país, que as nossas mangas mais doces são pequenas, quais corações de pomba. Ainda hoje, quando vejo uma manga enorme, do Brasil ou da Colômbia, é uma «manga da Guiné» que estou a ver. Essa manga é luminosa. É pacífica. E alimenta. Como o brindji de bagre que comeremos com a mão nua. Como os cantos do tchinchor e do ossobó, as únicas explosões que romperão o silêncio.

Sei que em Bissau, beberemos juntas, um dia, o fresco sumo da kabasera, sentadas em redor do fogo.

*Conceição Lima é poeta, natural de São Tomé e Príncipe, esta crônica foi publicada em África 21.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Leitura em Debate

terça-feira, 25 de maio de 2010

Os Cultos Afro-Diaspóricos e os Antigos Hebreus

Não deixem de ler o artigo  " Os Cultos Afro-Diaspóricos e os Antigos Hebreus no http://cnncba.blogspot.com/ que faz uma relação entre os cultos religiosos dos antigos hebreus e os cultos religiosos africanos ao artigo é de Walter Passos, historiador,Panafricanista,Afrocentrista e Teólogo, cujo pseudônimo é  Kefing Foluke.

“122 Anos de Abolição: para onde vamos?”,

CONVITE



A Caixa Econômica Federal, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias, o COMDEDINEPIR, têm o prazer de convidar para a ação cultural “122 Anos de Abolição: para onde vamos?”, que será realizado no próximo dia 28 de maio, sexta-feira, no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Confira a programação:

No Teatro Municipal Raul Cortez: Seminário com debates e reflexões sobre o tema, com a presença de representantes,ativistas e pesquisadores do Movimento Negro, como Abdias Nascimento, Muniz Sodré, Wilson Prudente,Zezé Motta, entre outros – das 9h às 18h;

Na Praça do Pacificador: Gincana de Artes Plásticas, em homenagem ao Dia do Artista Plástico, sobre o tema do evento - das 8h às 17h;

No Teatro Municipal Raul Cortez: Abertura da Exposição “África: Berço da Humanidade?”, do artista Oséias Casanova, que irá ficar em cartaz de segunda à sexta-feira, de 10h às 17h, até o dia 11 de junho de 2010;

Ø Em anexo a programação do seminário e o regulamento para participação na Gincana.

Essa ação conta com a parceria da Secretaria Municipal de Educação, da Secretaria Municipal de Assistência Social, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos,do Caxias Shopping. É uma produção da Terreiro de Idéias - Arte, Comunicação, Cultura e conta com o patrocínio exclusivo da Caixa Econômica Federal.

 Geanne Campos
 2672 8874 / 8877
 9786 4209 / 7714 3030
E-mail alternativo: negrage@gmail.com

“Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão”. (Clarice Lispector)

"Vós acreditais naquilo que ouvis. Deveis acreditar naquilo que não ouvis, pois o silêncio dos homens está mais próximo da verdade do que suas palavras". (Khalil Gibran in Jesus, o filho do homem).






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II Fórum Popular de EducAção

Repassando para todos e todas:
>>> II Fórum Popular de EducAção <<<
 
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação convida educadoras(es) e educandas(os) de escolas, comunidades, sindicatos, universidades, organizações e movimentos sociais para debater: Democratizar a Democracia: Quanto custa uma Educação de Qualidade para tod@s?
 
  • Cine: FUNDEB pra valer! (Campanha Nacional pelo Direito à Educação). A luta por mais recursos para a educação. Livre.
  • Debate (com Libras): Daniel Cara (Coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação), Joaquim Neto (Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira/ MEC), Marcelo Freixo (Deputado estadual, Presidente da Comissão de Direitos Humanos/ ALERJ), Reimont (Vereador da Comissão de Educação e Cultura/ CMRJ), Ana Beatriz Carvalho (Coordenadora de Educação do Movimento Sem Terra Rio), Gualberto Pitéu (Dirigente do Sindicato Estadual de Profissionais da Educação Rio), Flávia Calé (Presidente da União Estadual dos Estudantes Rio).
  • Quando: 1 junho 2010 (terça) > 9h às 13h
  • Onde: Casa Rosa do Sesc Tijuca (R. Barão de Mesquita, nº 539, Andaraí/ Grande Tijuca, Rio, RJ).
Evento gratuito!
 
Mais informações: www.campanhaeducacao.org.br
Inscrições: mauriciofabiao@hotmail.com |  (21) 3181-68549696-9587
Parceria: MAIS Cidadania, Novamérica, Escola de Gente e Redes Comunitárias
Realização: Campanha Nacional pelo Direito à Educação (Comitê Rio) e SESC Rio
 
 
Forte abraço,
Maurício França Fabião
Sociólogo, Professor e Mestre em Ciências Sociais (Uerj)Artigos Sociais: http://mauriciofrancafabiao.blogspot.com
Diretor geral do Instituto MAIS CidadaniaEducAção contra Pobreza
Coordenador estadual da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (Comitê Rio)

"Ninguém liberta ninguém. Ninguém se liberta sozinho. As pessoas se libertam em comunhão." Paulo Freire

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Censo 2010 perguntará cor e raça de todos os brasileiros

Questões podem ser respondidas pela web como ‘último recurso’, diz IBGE.
Censo começa em três meses e terá pergunta sobre relação homoafetiva.

 Fonte: Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
A coleta de informações para o Censo 2010 começa em três meses e traz novidades como perguntas sobre cor e raça e relação homoafetiva. Desta vez também haverá a possibilidade de o questionário ser respondido pela internet, embora esta opção seja utilizada como "último recurso", segundo o IBGE.
A partir de 1º de agosto, recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) visitarão 58 milhões de domicílios em busca de um retrato atualizado da sociedade brasileira. Serão coletados dados sobre as características dos domicílios, relações de parentesco, fecundidade, educação, renda, trabalho, cor, raça e religião.
Quem não tiver tempo para receber o recenseador poderá responder aos questionários pela internet. O IBGE alerta, no entanto, que o ideal é uma conversa direta com o entrevistador do órgão. “Existe uma dificuldade histórica de disponibilidade das pessoas. A internet aparece como um último recurso para que o Censo seja respondido”, explicou a assessoria do IBGE.

Para utilizar a web, o entrevistado deve receber do recenseador um “e-ticket”, com o nome para acesso, senha e o site onde o questionário estará disponível. O Censo 2010, que terá orçamento de R$ 1,67 bilhão, será o primeiro totalmente informatizado, com a utilização de computadores de mão equipados com GPS e mapas digitalizados. Os novos recursos devem facilitar a apuração dos dados. Os primeiros resultados serão divulgados em dezembro deste ano.
Integram o Censo 2010 o questionário “Básico” e o de “Amostra”. O primeiro traz perguntas sobre as características dos moradores – sexo, idade, cor ou raça, educação e rendimento– e as características dos domicílios – abastecimento de água, saneamento básico e existência de energia elétrica. Já o questionário “Amostra”, que tem menos entrevistados, contém perguntas mais abrangentes sobre os domicílios, como número de cômodos, e dos moradores, como religião, deficiências, migração e estado civil.
 
Relação familiar
Para obter um cenário mais completo da família brasileira, o Censo deste ano vai introduzir nove categorias, entre elas a de “cônjuge do mesmo sexo”, “filho somente do responsável”, “enteado”, “agregado” e “parente do empregado doméstico”.
Cor e raça
No Censo 2010, o IBGE vai perguntar qual a cor e raça de todos os brasileiros. No Censo anterior, de 2000, o questionamento era feito apenas no questionário da Amostra, respondido apenas por uma parcela da população. No novo Censo, as perguntas sobre cor e raça serão feitas também no questionário básico.
Registro de Nascimento
Para conhecer o perfil e o local onde moram as famílias que não têm os filhos registrados, o Censo 2010 vai perguntar pela primeira vez se as crianças de até dez anos têm registro de nascimento. O objetivo é orientar políticas públicas e campanhas de registro civil. Dados do IBGE apontam que 9% das crianças que nasceram em 2008 não foram registradas.
Transporte
Também farão parte dos questionários perguntas sobre o tempo gasto pelas pessoas para se deslocarem de casa para o trabalho ou local de estudo. As informações, segundo o IBGE, vão auxiliar na identificação de municípios que fazem parte de um mesmo aglomerado urbano, o que deve facilitar o planejamento de uma rede integrada de transporte.
 

Quem é de Axé diz que é!

No Censo de 2010 declare seu amor ao seu Orixá
Diga que é do Santo, diga que é do Axé
Pois quem é de Umbanda, quem é de Candomblé
Não pode ter vergonha, tem que dizer que é!!!

( Marcio Alexandre M. Gualberto)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estudo indica desigualdades entre Idebs de escolas do mesmo município

Falta de equidade é entrave para Educação  


Fonte:Todos Pela Educação

Escolas da mesma rede municipal podem ter indicadores educacionais bastante díspares. Um estudo elaborado pelo movimento Todos Pela Educação aponta que há grande variação no Ideb das instituições de ensino das capitais brasileiras e de municípios paulistas.

“O direito à educação está vinculado diretamente à garantia ao acesso de todos a uma educação de qualidade de forma equitativa. Não basta ter um Ideb Índice de Desenvolvimento da Educação Básica municipal bom, é preciso que todos os alunos desta rede tenham acesso ao mesmo nível de ensino”, afirma o presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos.

Estudo das capitais
A pesquisa levou em conta apenas as capitais que tiveram notas iguais ou superiores à média nacional (4,2) no Ideb. Foram analisados os indicadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental dessas redes.

O que se concluiu é que a rede de Vitória apresenta as maiores taxas de variação entre os valores do Ideb das escolas. Há instituições que registraram desempenho acima da média e outras que tiveram notas insatisfatórias. De fato, na capital capixaba, a diferença de pontuação entre a melhor e a pior escola atingiu 51,43%.

“A grande desigualdade em termos de Ideb é a que acontece entre escolas públicas e privadas”, analisa Marcelo Neri, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro. “Mas o que este estudo mostra é que, mesmo na rede pública, há diferenças.”

Para Reynaldo Fernandes, professor da USP (Universidade de São Paulo) e ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), no entanto, é preciso considerar que “nunca vai haver uma igualdade total”. “As pessoas são desiguais, cada um tem um ‘background’ contexto familiar. Mas os sistemas de ensino podem agravar ou reduzir essa desigualdade”, pontua.

Belo Horizonte, com média geral 4,4, também teve grande variação entre os índices das escolas de sua rede. Lá a pior e a melhor nota apresentaram diferença de 42,11%.

Já em Boa Vista o Ideb das escolas é menos desigual. Com a mesma média que a capital mineira, a cidade teve divergência de 17,5% entre o melhor e o pior resultado. Veja os indicadores de outras capitais:


Variação do Ideb nas redes municipais das capitais que tiveram médias iguais ou superiores à do país (4,2)



No estado de São Paulo
Em São Paulo, foram analisadas as dez redes municipais com melhor desempenho no Ideb com mais de 15 instituições de ensino. Jundiaí, por exemplo, apresentou diferença de 47,62% entre o Ideb da melhor escola e o da que teve mais baixo desempenho. Já Indaiatuba teve menos variação de notas em sua rede: 11,76% de diferença entre a escola com Ideb mais alto e a que teve o mais baixo.

“O fato de os alunos não terem as mesmas oportunidades de ensino gera um tipo de ‘apartheid’, entre crianças de uma mesma rede. Elas deveriam ter oportunidades semelhantes, mas umas podem estar muito mais defasadas que outras”, explica Mozart.

Segundo ele, para diminuir as diferenças entre escolas, é preciso investir na formação de professores, na infraestrutura e aproveitar as boas experiências da própria rede de ensino. A tabela abaixo mostra os indicadores no estado:


Ideb e sua variação nas dez melhores redes municipais do estado de São Paulo com mais de 15 escolas



Desigualdade social x iniquidade na escola
O estudo também procurou identificar se a falta de equidade do ensino das redes municipais estaria relacionada com a desigualdade de renda local. Para isso, foi feito um cruzamento dos resultados do Ideb com o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda. Capitais que apresentam coeficiente de Gini similares possuem coeficientes de variação de rendimento na educação bem diferentes. Assim, não foi constatada uma relação direta entre os dois indicadores.

Metodologia
A análise levou em conta apenas os municípios com a média igual ou superior à nacional (4,2). É importante ressaltar que a média brasileira ainda se encontra abaixo dos patamares de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Foram descartadas, em cada município, as escolas situadas entre as 10% melhores ou piores. Essa exclusão faz com que a análise não se perca em casos isolados e elimine eventuais erros do banco de dados. Também foram considerados para análise somente os municípios com pelo menos 15 instituições de ensino.

Com a exclusão dos municípios com poucas escolas, percebeu-se que foram eliminados os municípios com pior média no Ideb (com notas num patamar inferior a 2,5), assim como os melhores (com Idebs superiores a 6). A partir disto pôde-se concluir que os piores e os melhores resultados do Ideb no Brasil são encontrados em redes com um pequeno número de instituições.