sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estudo indica desigualdades entre Idebs de escolas do mesmo município

Falta de equidade é entrave para Educação  


Fonte:Todos Pela Educação

Escolas da mesma rede municipal podem ter indicadores educacionais bastante díspares. Um estudo elaborado pelo movimento Todos Pela Educação aponta que há grande variação no Ideb das instituições de ensino das capitais brasileiras e de municípios paulistas.

“O direito à educação está vinculado diretamente à garantia ao acesso de todos a uma educação de qualidade de forma equitativa. Não basta ter um Ideb Índice de Desenvolvimento da Educação Básica municipal bom, é preciso que todos os alunos desta rede tenham acesso ao mesmo nível de ensino”, afirma o presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos.

Estudo das capitais
A pesquisa levou em conta apenas as capitais que tiveram notas iguais ou superiores à média nacional (4,2) no Ideb. Foram analisados os indicadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental dessas redes.

O que se concluiu é que a rede de Vitória apresenta as maiores taxas de variação entre os valores do Ideb das escolas. Há instituições que registraram desempenho acima da média e outras que tiveram notas insatisfatórias. De fato, na capital capixaba, a diferença de pontuação entre a melhor e a pior escola atingiu 51,43%.

“A grande desigualdade em termos de Ideb é a que acontece entre escolas públicas e privadas”, analisa Marcelo Neri, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro. “Mas o que este estudo mostra é que, mesmo na rede pública, há diferenças.”

Para Reynaldo Fernandes, professor da USP (Universidade de São Paulo) e ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), no entanto, é preciso considerar que “nunca vai haver uma igualdade total”. “As pessoas são desiguais, cada um tem um ‘background’ contexto familiar. Mas os sistemas de ensino podem agravar ou reduzir essa desigualdade”, pontua.

Belo Horizonte, com média geral 4,4, também teve grande variação entre os índices das escolas de sua rede. Lá a pior e a melhor nota apresentaram diferença de 42,11%.

Já em Boa Vista o Ideb das escolas é menos desigual. Com a mesma média que a capital mineira, a cidade teve divergência de 17,5% entre o melhor e o pior resultado. Veja os indicadores de outras capitais:


Variação do Ideb nas redes municipais das capitais que tiveram médias iguais ou superiores à do país (4,2)



No estado de São Paulo
Em São Paulo, foram analisadas as dez redes municipais com melhor desempenho no Ideb com mais de 15 instituições de ensino. Jundiaí, por exemplo, apresentou diferença de 47,62% entre o Ideb da melhor escola e o da que teve mais baixo desempenho. Já Indaiatuba teve menos variação de notas em sua rede: 11,76% de diferença entre a escola com Ideb mais alto e a que teve o mais baixo.

“O fato de os alunos não terem as mesmas oportunidades de ensino gera um tipo de ‘apartheid’, entre crianças de uma mesma rede. Elas deveriam ter oportunidades semelhantes, mas umas podem estar muito mais defasadas que outras”, explica Mozart.

Segundo ele, para diminuir as diferenças entre escolas, é preciso investir na formação de professores, na infraestrutura e aproveitar as boas experiências da própria rede de ensino. A tabela abaixo mostra os indicadores no estado:


Ideb e sua variação nas dez melhores redes municipais do estado de São Paulo com mais de 15 escolas



Desigualdade social x iniquidade na escola
O estudo também procurou identificar se a falta de equidade do ensino das redes municipais estaria relacionada com a desigualdade de renda local. Para isso, foi feito um cruzamento dos resultados do Ideb com o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda. Capitais que apresentam coeficiente de Gini similares possuem coeficientes de variação de rendimento na educação bem diferentes. Assim, não foi constatada uma relação direta entre os dois indicadores.

Metodologia
A análise levou em conta apenas os municípios com a média igual ou superior à nacional (4,2). É importante ressaltar que a média brasileira ainda se encontra abaixo dos patamares de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Foram descartadas, em cada município, as escolas situadas entre as 10% melhores ou piores. Essa exclusão faz com que a análise não se perca em casos isolados e elimine eventuais erros do banco de dados. Também foram considerados para análise somente os municípios com pelo menos 15 instituições de ensino.

Com a exclusão dos municípios com poucas escolas, percebeu-se que foram eliminados os municípios com pior média no Ideb (com notas num patamar inferior a 2,5), assim como os melhores (com Idebs superiores a 6). A partir disto pôde-se concluir que os piores e os melhores resultados do Ideb no Brasil são encontrados em redes com um pequeno número de instituições.

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