quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Bullying

O que é:

Bullying é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos que são adotados por um ou mais alunos contra outros colegas, sem motivação evidente. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira, mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos provoca dor, angústia e sofrimento na vítima da "brincadeira", que pode entrar em depressão.

As principais formas de maus-tratos:


* Físico (bater, chutar, beliscar).
* Verbal (apelidar, xingar, zoar).
* Moral (difamar, caluniar, discriminar).
* Sexual (abusar, assediar, insinuar).
* Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir).
* Material (furtar, roubar, destroçar pertences).
* Virtual (zoar, discriminar, difamar, por meio da internet e celular).

Sinais de que seu filho é vítima bullying

* Apresenta com freqüência desculpas para faltar às aulas ou indisposições como dores de cabeça, de estômago, diarréias, vômitos antes de ir à escola.
* Pede para mudar de sala ou de escola, sem apresentar movitos convincentes
* Apresenta desmotivação com os estudos, queda do rendimento escolar e dificuldades de concentração e aprendizagem.
* Volta da escola irritado ou triste, machucado, com as roupas ou materiais sujos ou danificados.
* Apresenta aspecto contrariado, deprimido, aflito, ou tem medo de voltar sozinho da escola.
* Possui dificuldades de relacionar-se com os colegas e fazer amizades.
* Vive isolado em seu mundo e não querer contato com outras pessoas que não façam parte da família.

O que fazer se o seu filho é vítima

* Observe qualquer mudança no comportamento.
* Estimule para que fale sobre o seu dia-a-dia na escola.
* Não culpe a criança pela vitimização sofrida.
* Transforme o seu lar num local de refúgio e segurança.
* Ajude a criança a expressar-se com segurança e confiança.
* Valorize os aspectos positivos da criança e converse sobre suas dificuldades pessoais e escolares.
* Procure ajuda psicológica e de profissionais especializados.


Sinais de que seu filho pratica bullying.
* Apresenta distanciamento e falta de adaptação aos objetivos escolares.
* Volta da escola com ar de superioridade, exteriorizando ou tentando impor sua autoridade sobre alguém.
* Apresenta aspecto e/ou atitudes irritadiças, mostrando-se intolerante frente a qualquer situação ou aos diferentes aspectos das pessoas.
* Costuma resolver seus problemas, valendo-se da sua força física e/ou psicológica.
* Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva com os irmãos e pais, podendo chegar a ponto de atemorizá-los sem levar em conta a idade ou a diferença de força física.
* Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem.
* Apresenta habilidades em sair-se de "situações difíceis".

O que fazer se o seu filho pratica bullying

* Observe atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pela criança.
* Mantenha tranqüilidade e calma. Converse, objetivando encontrar os motivos que o levam a agir desta maneira.
* Reflita sobre o modelo educativo que você está oferecendo ao seu filho.
* Evite bater ou aplicar castigos demasiadamente severos. Isso só poderá promover raiva e ressentimentos. Procure profissionais que possam auxiliá-lo a lidar com esse tipo de comportamento.
* Dê segurança e amor.
* Incentive a mudança de atitudes. Um bom começo é pedir desculpas e deixar a vítima em paz.
* Não ignore o fato ou ache desculpas para as suas atitudes. Lembre-se que com o tempo esse comportamento pode conduzir a uma vida delituosa e infeliz.
* Procure a direção da escola ou ajuda de um conselho tutelar.
* Participe de projetos solidários propostos pela escola e incentive seu filho a participar.


*Fonte: Centro Multiprofissional de Estudos e Orientação Sobre o Bullying Escolar (CEMEOBES).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Homenagem a afro-brasileiros históricos destaca anistia a João Cândido

Saudação em ioruba, cenário com personalidades afro-brasileiras, músicas com temática negra e homenagem ao marinheiro João Cândido marcaram nesta terça-feira, 25, a abertura da 4ª Semana da Consciência Negra do Ministério da Educação. O tema central das atividades, que se estenderão até sexta-feira, 28, é a valorização das personalidades negras brasileiras.

“É um gesto que o país aprendeu a fazer recentemente”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em relação à valorização e à inclusão do negro. Durante a cerimônia, o ministro entregou ao filho do marinheiro João Cândido, Adalberto Cândido, uma placa em homenagem à promulgação da anistia de seu pai e pelos 98 anos da Revolta da Chibata.

João Cândido é a expressão da luta pela cidadania, e o Brasil precisa valorizar seus heróis - disse Haddad

“João Cândido é a expressão da luta pela cidadania, e o Brasil precisa valorizar seus heróis”, disse Haddad. Conhecido como Almirante Negro, João Cândido liderou a revolta em 1910, no Rio de Janeiro. Ele lutou contra os maus-tratos então impostos aos marinheiros de baixas patentes, que eram punidos com chibatadas. Após o conflito, foi expulso da Marinha e considerado traidor.

Com a concessão da anistia a todos os que participaram do movimento, publicada no Diário Oficial da União em 24 de julho deste ano, o nome de João Cândido passou a ser finalmente reconhecido como o de um herói. “Meu pai foi um homem que lutou pela dignidade do homem”, disse Adalberto.

O representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, Martius Chagas, comemorou as ações de inclusão do afrodescendente na sociedade. “Até 2003, ações de inclusão eram pontuais. Hoje, há uma entrada da população negra nos espaços sociais”, destacou. Para ele, o Programa Universidade para Todos (ProUni) é fundamental para essa mudança. “Só conquistamos igualdade de condições pela educação.”

“Os indicadores dão conta do avanço expressivo da condição do negro”, reforçou o ministro. Para Haddad, o trabalho da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) revela a preocupação institucional do MEC com a temática étnico-racial. “A lei mais recente é a 10.639, importante para que tomemos consciência de como foi forjada a nação”, ressaltou o ministro, em referência à legislação que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileiras no currículo das escolas de educação básica.

No encerramento da cerimônia, a cantora Renata Jambeiro interpretou O Mestre-Sala dos Mares. A música de Aldir Blanc e João Bosco aborda a história de João Cândido. Estampavam o cenário do palco personalidades de destaque, como Clementina de Jesus, Cartola e Machado de Assis.

Por Maria Clara Machado no site do MEC

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Implementação da Lei 10.639/03

Partindo do pressuposto de Bordieu que a escola é o espaço da perpetuação das desigualdades sociais, levanto algumas questões sobre a implementação da lei 10.639/03 no currículo escolar, que obriga o estudo da História da África e da História e Cultura Afro-brasileira.

Sou desde 2005 uma das coordenadoras e a fundadora do Núcleo de Relações Étnicos Raciais da Secretaria de Educação de Japeri, e com base em estudos e observações fui elaborando algumas questões, que considero importantes na implementação da lei federal.

Sou adepta da linha de pensamento que é a partir da reflexão que vamos construindo nossa prática educativa.

Então vamos a algumas reflexões:

Não há dúvida nenhuma da importância do Estudo do Continente Africano nos currículos da escola básica. Este continente desconhecido na verdade é uma das bases da nossa cultura nacional, da nossa língua, da nossa história.

É inegável que precisamos ir além da escravidão nas aulas de História do Brasil. Afinal, todos sabemos que a história do negro que é contada nos livros didáticos começa e termina na escravidão.

Mas, a educação formal é suficiente para a superação da exclusão sócio-racial?O ensino favorece aos alunos negros? e os professores negros?

Os professores estão preparados para a implementação da lei? tem formação suficiente sobre o tema? E como isso está sendo repassado para os alunos?

E se o professor achar desnecessário a lei e considerar que ela não devia existir, quem vai fazer a lei ser cumprida em sua sala de aula?

Como o professor vai ensinar aos alunos a não se sentirem discriminados, se algumas vezes, os próprios professores são alvos da discriminação ou instrumentos dela?

E muitas das vezes, o próprio professor é o agente discriminador.

A minha maior preocupação com relação a implementação é não folclorizar a lei, tornando-a apenas mais um conteúdo e não uma fonte de séria discussão sobre racismo e preconceito no Brasil.

O racismo brasileiro,invisível, é potente na sua atuação. Finge-se que não temos racismo ou finge-se que a miscigenação é facilmente aceitada por todos.

Já que a implementação da lei através da elaboração e planejamento dos conteúdos é de responsabilidade efetiva dos professores, e estes muitas vezes contam apenas com seus esforços pessoais para fazerem a lei tornar-se viva, como fazer essa discussão torna-se efetiva na sala de aula?

Apenas material escrito resolveria a situação? daria cabo de todo choque de idéias e ideiais que permeiam esta discussão?

Como tomar pertencimento dessa lei e fazê-la atuante na sala de aula?

Para que a discussão que a lei prevê efetivamente aconteça, é preciso que haja pertencimento de si mesmo e de nossa etnia.De onde viemos,quem somos, quem são nossos ancestrais....

Além disso, e mesmo sendo uma reivindicação histórica e justa, a lei encontra algumas outras resistências:
Faltas de metas governamentais para a sua implementação;qualificação profissional;reformulação nas grades de graduação e licenciaturas.

Tornar obrigatória essa discussão foi uma atitude corretíssima.Mas e daí?

É preciso mais, muito mais.

Senão, a marca do preconceito e da discriminação irão continuar.
Precisamos encontrar uma maneira coletiva de romper com o engessamento das relações étnicas no Brasil, a começar por nós mesmos.

Porque a escola, a meu ver é o lugar mais privilegiado desta discussão.
É onde ela deve começar,tomar corpo, para ganhar as ruas e mudar as mentalidades.

Vamos refletir sobre isso.

Ausência de Ubuntu

"Outro dia li no jornal sobre o conceito de Ubuntu, que sinceramente, eu nunca tinha ouvido falar,mas que fazia sem saber a um longo tempo.

Ubuntu é uma forma solidária e participativa de enxergar o mundo numa visão de mundo nascida em sociedades africanas, onde não se enxerga apenas o próprio umbigo, mas sim vê o mundo de maneira holística, integrante e integradora.
Este conceito segundo o africano Ishmel Beah, autor do livro “Muito Longe de Casa”, gera mais crimes, desigualdades e aquecimento global.

Como tudo vem da África, o sentido tem consistência, significado e significância.

A África é o continente- mãe no que diz respeito a tradições, a espírito comunitário e valores humanos agregadores. Ubuntu significa aproximadamente “eu existo porque você existe” e não tem uma tradução específica para o inglês ou mesmo para o português.

Adorei saber que o Ubuntu é um conceito que já faz parte da minha vida. Participar com ações para mudar a vida do outro para melhor é o sentido da minha vida a muito tempo. Porém como educadora tenho muito pesar em dizer que a educação tem ausência de Ubuntu.

Ubuntu a meu ver significa acolher e se sentir acolhido. Sentimentos bastante distantes do espaço escolar.
A escola tem uma grande ausência e carência, na verdade, de Ubuntu.

Para a escola ter Ubuntu, é preciso deixar a individualidade de lado e fazer da alteridade, da conexão com o outro o único caminho viável para mudar este mundo que está aí, essa educação desagregadora que esta aí, e ajudar o ser humano a ser mais ....humano.

O indizível Nobel da Paz Desmond Tutu ( salve salve sua batina!) diz o seguinte sobre o Ubuntu: “ É a essência do ser humano. ...nossa humanidade só é afirmada se temos conhecimento da dos outros.”

E ainda Bill Clinton: A sociedade é importante por causa do Ubuntu

Temos muito que descobrir de África.
Temos muito que aprender com África.

Ter ou ser Ubuntu, é lutar contar qualquer tipo de discriminação, ter cidadania ecológica, se esforçar para melhorar a vida do outro, participar da vida do outro, respeitar a opinião alheia, e não humilhar e oprimir.
É ser e estar em sociedade sendo humano e agindo e interagindo com outros seres humanos."

Esse artigo é de minha autoria. E como estamos no mês da Consciência Negra, achei importante repostá-lo para reflexões.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Questões que pautam a discussão do racismo no Brasil

Racismo à brasileira: O racismo cordial

Pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no Brasil. Curiosamente, 96% não se assumem como racistas. Assim, chegamos a um dos pontos-chave da nossa Campanha: existe racismo sem racistas?
”Nós estamos aqui para tratar de problemas com os quais ninguém gosta de ser identificado: preconceito racial, discriminação, intolerância, racismo. Tem gente até que acredita que eles não existem no Brasil. Ou pensa que, quando ocorrem, prejudicam apenas algumas minorias. A realidade é bem diferente: esses males, aparentemente invisíveis, causam muito sofrimento entre nós... Essa situação injusta e cruel é produto da nossa História – da escravidão que durou quatro séculos no Brasil, deixando marcas profundas em nosso convívio social –, mas é também resultado da ausência de políticas públicas voltadas para superá-la.” (Pres. Luiz Inácio Lula da Silva, discurso de posse da SEPPIR, março de 2003).
“O mito da democracia racial foi forjado nos anos 30. Favoreceu a industrialização e a modernização das estruturas sociais do país, mas tornou-se poderoso instrumento de preservação do baixo perfil do papel ocupado por negros e negras...” (Marcelo Paixão, O Globo)
“Derrubamos o mito da Democracia Racial. Tentaram substituir, então, esse mito pelo Racismo Cordial, no entanto, o amadurecimento político do movimento negro venceu! Não há hoje mais como afirmar que não existe racismo, ou ainda de que a convivência entre brancos e negros é pacífica, diante dos dados da exclusão.” (Neide Fonseca, advogada, presidenta do INSPIR, Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial; artigo na edição de maio/2002 da revista Eparrei).


É possível definir quem é negro no Brasil?

“O Brasil é um país mestiço. A mestiçagem resulta da mistura genética entre diferentes grupos populacionais catalogados como raciais. A mestiçagem também possui elementos culturais. Afrodescendente é, ao pé da letra, o reconhecimento da descendência africana, mestiça ou não. Considerando o contexto da mestiçagem, ser negro possui vários significados. Em nosso país ser negro é uma escolha de identidade, a da ancestralidade africana. Então ser negro é, essencialmente, um posicionamento político.
Para fins de estudos demográficos, a classificação racial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a oficial do Brasil, que adota como critério básico que a coleta do dado se baseie na auto-classificação. Isto é, a pessoa escolhe, num rol de cinco itens (branco, preto, pardo, amarelo e indígena) em qual ela se aloca. Como toda classificação racial é arbitrária, a do IBGE não foge à regra. Portanto, possui limitações. Sabendo-se que raça não é uma categoria biológica, todas as classificações raciais possuem limitações. Todavia a do IBGE é um padrão que coleta dados nacionalmente e sua utilidade está centrada, sobretudo, na unidade da coleta das informações, o que permite um padrão de comparação nacional oficial.
Para a demografia, população negra é o somatório de preto mais pardo. Relembrando que preto é cor e negro é raça, e não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas não há cor negra, como falam tanto. Há cor preta. É simplérrimo, mas a maioria das pessoas, especialmente pesquisadores(as), insiste em dizer que não entende! Freud explica. Grosso modo, raça deveria ser um conceito biológico, porém não é; e etnia um conceito cultural, que também não é, pois a delimitação de grupos étnicos parte de uma suposta alocação deles no guarda-chuva dos grupos populacionais raciais!
... O conceito de raça é uma convenção arbitrária, enquadra-se como uma categoria descritiva da antropologia, baseada nas características aparentes das pessoas.” (Fátima Oliveira. Identidade racial/étnica. Publicado em O TEMPO, BH, MG e republicada em Afirma
www.afirma.inf.br/htm/politica/especial_20_de_novembro_03.htm)
“Todo este debate sobre as cotas e quem é negro é apenas uma distração que mascara questões mais sérias que não têm sido tratadas. (...) Qualquer porteiro sabe quem é negro e deve ser mandado para a entrada de serviço, assim como qualquer policial sabe quem é negro e deve ser parado na rua e ordenado a mostrar a identidade.” (Zulu Araújo, diretor da Fundação Palmares; The New York Times 05/04/03)
“Está provado que não há diferenças biológicas entre os seres humanos. É na cultura, na vida em sociedade, que surgem as diferenciações.” (Rosana Heringer, do Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Cândido Mendes/RJ; OESP 16/02/03)
“A autodeclaração é a única forma possível. A questão é como o indivíduo se percebe e não como o outro o percebe. Do contrário, haveria um viés discriminatório.” (Nilcéa Freire, ex-reitora da UERJ; Globo 23/02/03)

A pobreza é o problema?
“O racismo, ao contrário do que muita gente alardeia, não é o mesmo que miséria ou pobreza. Discriminação, preconceito e opressão de classe são diferentes de discriminação, preconceito e opressão de gênero ou de raça/etnia. Cada uma possui dinâmicas de surgimento e de operacionalidade que lhes são peculiares, logo nenhuma se funde, ou se confunde, com a outra, embora possam ser reforçadas quando se abatem sobre a mesma pessoa. Cada uma exige políticas específicas adequadas. Urge que o governo entenda, por sensibilidade ou por dever de ofício, que políticas universalistas são insuficientes para abolir o racismo.” (Fátima Oliveira, médica e secretária executiva da Rede Feminista de Saúde, O Tempo, BH, MG, 19/03/03)
“Não podemos esquecer que no país a pobreza tem cor. Ela é negra. E se sobrepõe à cor um predomínio regional, que é nordestino. Sem enfrentar a pobreza da população afrodescendente não alcançaríamos resultados. Só com políticas universais é muito difícil reduzir desigualdades.” (Ricardo Henriques, economista e ex-secretário-executivo do Ministério da Assistência e Promoção Social, segundo o qual existe no país um consenso de que a “desigualdade é natural”; entrevista à FSP 27/01/03)
“As estatísticas mostram que pretos e pardos estão próximos entre si na perversidade do quadro social brasileiro e distante dos brancos. E não há pobre branco? Há, mas eles são em menor número e, por alguma razão, os brancos pobres são mais atingidos pelas políticas universalistas de inclusão. Ricardo Henriques mostra, em seu livro sobre o assunto, que entre os 20% mais pobres do país há mais meninas negras fora da escola do que meninas brancas.” (colunista Miriam Leitão; GLO 22/12/02)
''A pobreza no Brasil é um problema grave, mas sozinha não explica a exclusão social do país. O racismo, a questão de gênero e as diferenças regionais são fatores determinantes desta situação...'' (Sílvio Kaloustian, oficial de projetos do Unicef. Correio Braziliense, seção Brasil, 26/06/03)
“Vamos continuar achando e admitindo que a mulher negra e o homem negro são bons para dançar, são bons para jogar futebol, são bons para disputar as Olimpíadas, mas que para outras atividades: gerente de banco tem que ser branco, dentista, médico têm que ser branco, advogado tem que ser branco, chefe em repartição pública tem que ser branco. Até dentro das fábricas, e está aqui um negro saído de dentro da fábrica, o companheiro Vicentinho, sabe que se, numa empresa, houver dois trabalhadores para serem escolhido para um deles ser chefe, se houver um negro e um branco, pode ficar certo de que o branco será escolhido para ser o chefe daquela fábrica.” (Pres. Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso de posse da SEPPIR, março de 2003).
Lutar contra o racismo não é praticar o racismo ao contrário?
Ser negro e ser branco não são dois lados da mesma moeda. A injustiça gerada pelo racismo significa que a inversão das posições não é possível, a não ser em um exercício retórico, acintosamente experimental. O que muitas vezes se chama de ‘racismo ao contrário’ é uma explicitação de um padrão: o racismo é destacado porque de repente o negro reivindica ser a norma, em um dia-a-dia em que os brancos estão acostumados a prerrogativas especiais. O que ofende é a explicitação dessa situação. Ignoramos ou esquecemos de pronunciar, em geral, a frase que vem primeiro, quando se protesta reivindicações negras: ‘Tudo bem que a sociedade é racista, mas isso é racismo ao contrário.’ Lutar contra o racismo implica em aplicar medidas que efetivamente diminuem o privilégio de ser branco, ao igualar as condições do ‘jogo’ social."

Esse texto faze parte de uma compilação de tantos outros textos que elaborei para o Núcleo de Relações Étnicos Raciais da qual faço parte.


Os textos conversam entre si, por isso são importantes e trazem uma excelente contribuição para uma discussão na escola.

Como estamos em novembro,mês da Consciência Negra, vale a pena ler.

Ando meio sem tempo pra postar por causa da organização da III Semana da Consciência Negra de Japeri,mas devo postar ainda esta semana sugestões pra trabalhar as diferenças étnicas na escola.

Mas o mais importante é a escola discutir a questão do racismo e do preconceito entre as suas paredes, sensibilizar para isso e coletivamente elaborar ações educativas para exterminar com o foco racista e preconceituoso dentro das suas paredes,que isso irá refletir sem dúvida alguma na sociedade .

Se gostarem, deixem um comentário.

Um abraço a todos e a todas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Para Refletir

Sempre gosto de deixar textos para reflexão porque acho importante que possamos refletir. A educação sem reflexão não é nada,não existe.

Gosto de trabalhar com textos teóricos junto á equipe,porém, não acho legal trabalhar em reuniões somente com textos densos e de autores renomados.

Ás vezes um texto mais simples toca mais profundamente nossa equipe...

Não que devamos nos prender somente aos textos de fácil compreensão,ou como dizem alguns textos- água-com-açúcar.

O equilíbrio é resposta.

Trabalhar com textos tocantes, é importante e necessário para sensibilizar a equipe,porque as vezes através do coração conseguimos mudar coisas e comportamentos com muito mais propriedade.

Repasso para vocês este texto espero que os ajude.

Quando você pensava que eu não estava olhando

Autor desconhecido


Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você pegar o primeiro desenho que fiz e prender na geladeira e, imediatamente, eu tive vontade de fazer outro para você.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você dando comida a um gato de rua e eu aprendi que é legal tratar bem os animais.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você fazer meu bolo favorito e eu aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.
Quando você pensava que eu não estava olhando, ouvi você fazendo uma oração, e eu aprendi que existe um Deus com quem eu posso sempre falar e em quem eu posso sempre confiar.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você fazendo comida e levando para uma amiga que estava doente e eu aprendi que todos nós temos que ajudar e tomar conta uns dos outros.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você dando seu tempo e seu dinheiro para ajudar as pessoas mais necessitadas e eu aprendi que aqueles que tem alguma coisa devem ajudar quem nada tem.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu senti você me dando um beijo de boa noite e me senti amado e seguro.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você tomando conta da nossa casa e de todos nós e eu aprendi que nós temos que cuidar com carinho daquilo que temos e das pessoas de que gostamos.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi como você cumpria com todas as suas responsabilidades, mesmo quando não estava se sentindo bem, e eu aprendi que tinha que ser responsável quando eu crescesse.
Quando você pensava que eu não o estava olhando eu vi lágrimas nos seus olhos, e eu aprendi que, às vezes, acontecem coisas que nos machucam, mas que não tem nenhum problema a gente chorar.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi que você estava preocupado e eu quis fazer o melhor de mim para ser o melhor que pudesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando foi quando eu aprendi a maior parte das lições de vida que eu precisava, para ser uma pessoa boa e produtiva quando eu crescesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu olhava para você e queria te dizer:
"Obrigado por todas as coisas que eu vi e aprendi quando você pensava que eu não estava te olhando!"

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Símbolos da Pedofilia: CUIDADO!

Pais, mães, tios, tias, avôs, avós e profissionais das áreas de educação e de saúde fiquem atentos quando virem estes símbolos.


Ajudem a divulgar

O FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele estão colocados uma serie de símbolos usados pelos pedófilos para se identificar. Os símbolos são, sempre, compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro. A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores.
Homens são triângulos, mulheres corações. Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias (anéis, pingentes,...) entre outros objetos.
O link abaixo leva a uma copia em .pdf do relatório aonde os símbolos são mostrados. Ao encontrar um símbolo desses, avisar a policia. https://secure.wikileaks.org/leak/FBI-pedophile-symbols.pdf

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.