segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz Kwanzaa ! Harambee !‏


Repassando de George Araujo que repassou de Ricardo Prado


"Kwanzaa – É uma comemoração afro-americana que vai de 26 de dezembro a 1º de janeiro, que envolve a reflexão sobre sete princípios básicos, a valorização da comunidade, das crianças e da vida. Está lentamente se espalhando pelos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Caribe e já se pode enviar cartões aos amigos desejando-lhes "Happy Kwanzaa!" Achei muito curioso e resolvi pesquisar.

Ela é uma palavra suaíli, uma língua banta, oficial do Quênia e da Tanzânia, língua nacional da República Democrática do Congo (antigo Zaire) e segunda língua corrente em Burundi, Ruanda e Uganda. Kwanza é o principal rio de Angola e cuanza é a sua moeda e unidade monetária. Mas Kwanzaa é muito mais do que isso e ninguém por aqui a quem eu perguntei conhece.

A palavra significa "o primeiro, no início" ou, ainda, "os primeiros frutos", e pertencem a tradições muito antigas das celebrações das colheitas na África. E foi ela a escolhida, por todas as suas importantes significações e tradições, para representar esta celebração construída, inventada, por um único homem, 34 anos atrás.

Maulana Karenga é um professor e ativista negro (me perdoem mas não consigo dizer afro-americano por absoluto pavor de que um dia alguém me chame de "euro-brasileiro", em absoluto desrespeito a uma importante parcela do meu sangue e da minha cultura), atual diretor do Departamento de Estudos Negros da Universidade da Califórnia.

Toda a celebração e todos os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Ele buscou em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos negros americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair – como atraíram – todas as igrejas de todas as comunidades negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo afora. Karenga organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas:

· a reunião da família, de amigos, e da comunidade;

· a reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e "curar" o mundo;

. a comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história;

. a renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis, e respeito aos anciões;

. a celebração do "Bem da Vida" que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura.

Karenga diz que "a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades." Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli:

* umoja (unidade),
* kujichagulia (autodeterminação),
* ujima (trabalho coletivo e responsabilidade),
* ujamaa (economia cooperativa),
* nia (propósito),
* kuumba (criatividade),
* imani (fé).

A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa em um altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho para cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação Harambee! que tanto significa "reúnam todas as coisas" como "vamos fazer juntos". A grande festa é a de 1o de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo.

Grande Karenga, grande idéia, grande festa! Cheia de alegria e significado, sem pertencer a nenhuma igreja e sem negar ou excluir a nenhuma fé, com ótimas receitas, boa bebida e muita fruta, com presentes e rituais mas, até onde eu tenha pesquisado, ou até hoje, nenhuma super comercialização ou bandos de coros desafinados de criancinhas louras, negras e asiáticas o dia inteiro na tv.

Apenas alegria e humanidade em torno de valores e significados permanentes sobre os quais temos que refletir e trabalhar.

Gostei dessa festa proposta por um homem perplexo pelos dramas de sua geração, mas inconformado e movido por seus desafios. Uma festa moderna e tradicional, africana e ocidental, negra, americana, ancestral e urbana, musical, encantada e familiar.

Unidade, autodeterminação, trabalho coletivo e responsabilidade, economia cooperativa, propósito, criatividade, e fé são alguns dos meus votos para você.

Feliz Kwanzaa para você e toda a sua família!
Harambee!

* Ricardo Prado é maestro.

Fonte: Firma Produções

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

imagens para myspace


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fechando o Balanço

É hora de fechar para balanço. Aceita sugestões?

Fim de ano é o melhor momento para você avaliar sua prática pedagógica e definir o que vai manter ou modificar no próximo ano. Conheça algumas maneiras de tornar essa tarefa mais fácil

 Fonte: Roberta Bencini (novaescola@atleitor.com.br)

Tudo que você mais quer em dezembro é tirar o pé do acelerador e encerrar definitivamente o ano. Antes, porém, é preciso fazer a "contabilidade": analisar o seu desempenho e o dos alunos, além de planejar o próximo ano. Um bom exercício é questionar o resultado de cada aspecto do seu trabalho: aquele projeto a que você dedicou muitas horas de pesquisa; a parceria com os colegas em atividades interdisciplinares; as leituras sugeridas para a turma; o relacionamento com os pais; e a capacidade de administrar o tempo para dar conta de tudo. E o mais importante: ter consciência do que você pode mudar. Analisar serve para transformar a prática!
Fechar o balanço é uma tarefa que se faz sozinho e com toda a equipe pedagógica. "Não vale ‘ficar lavando roupa suja’. Essencial é discutir o que deu certo e o que pode ser melhorado no ano que vem", diz Lourdes Atié, consultora pedagógica da Fundação Victor Civita. Aproveite ainda para solicitar o que você precisa e para apresentar soluções de problemas à direção da escola e à secretaria de Educação.
Como a reflexão não deve ser feita só no final de ano, pense que no próximo ano você pode aprender com a experiência de cada dia de trabalho. Só não pode ter preguiça, o maior inimigo da prática reflexiva, na opinião do sociólogo suíço Philippe Perrenoud. "É necessário um método, memória organizada e perseverança", ele defende em um de seus livros. Como não há receita, cada um resolve a questão de uma maneira. Veja como cinco educadores vão encerrar este ano letivo.

Coloco as amizades em dia

Adoro tanto o meu trabalho que juro não ter o desejo de sair correndo com as malas prontas para curtir as férias. Aproveito esses dias finais para renovar os compromissos que estabeleci comigo mesma e com meus alunos. O mais importante para mim é investir na qualidade dos relacionamentos que faço nas escolas em que trabalho.

A evolução do meu desempenho profissional depende do bem-estar emocional das pessoas que convivem comigo.

Gosto de gente e de gente feliz! Assim, dezembro é época de reencontrar velhos amigos — a maioria é de ex-alunos. Preparo com carinho minha casa para recebê-los. Tiro antigos trabalhos, cartões, cartas e mensagens de um armário. Daí dá para perceber a dificuldade que tenho para me desfazer de papéis e trabalhos de escola. Depois, coloco tudo para tomar sol e enfeito a sala com essas lembranças para esperar a turma."

Maria Jurema Fernandes, professora de 1ª a 4ª série da Escola Estadual de Ensino Fundamental Onofre Pires, em Porto Alegre
Seleciono os próximos conteúdos

"Faço o balanço pedagógico junto com meus alunos retomando todos os projetos desenvolvidos em sala de aula. Peço sugestões e analiso as pendências: atividades que não foram entregues, justificativa de faltas e dúvidas que eles ainda tenham. Em casa, avalio se contemplei todos os conteúdos planejados e já programo os temas do próximo ano. Como sou vidrada em livros, em dezembro entro em contato com muitas editoras para conhecer lançamentos. É muito bom mergulhar em um mundo de assuntos e temas que irei explorar com meus alunos. Assim me mantenho atualizada e renovo minha didática. Planos para o ano que vem? Sair mais a campo com a garotada. Acho que fiquei muito presa à sala de aula em 2004. Pretendo conseguir uma bolsa de estudos em uma universidade de Portugal, mas, antes disso, estou de olho nas férias. Quero viajar sozinha para uma praia bem distante."

Leda Maria Ferreira de Souza, professora da Escola Estadual Sylvio Rabello, no Recife
Limpo mesas e armários

"Agora não é hora de tensão, não! Como a avaliação do meu trabalho e da equipe pedagógica da minha escola acontece o tempo todo, o fim do ano não é tão pesado. Organizo as pastas de todos os professores e reviso minhas observações e a agenda. Pergunto a mim mesma como as coisas aconteceram, o que preciso mudar ou fazer de outra maneira. Tenho um caderno de anotações onde faço um esquema com alguns apontamentos: funcionou, não funcionou e novas idéias. Coloco tudo em um gráfico para ter bem claro meus avanços. Difícil é limpar gavetas e armários, porque acumulo muito material e papel ao longo do ano. Odeio mesa organizada, mas é preciso fazer uma superfaxina de final de ano. E por último, o mais gostoso: preparar uma confraternização para professores e funcionários. Em 2003, celebramos o final de ano com uma noite da pizza na escola."

Claudia Siqueira, coordenadora pedagógica do Colégio Brasília, em São Paulo
Atualizo meus projetos

"Nesta fase de planejamento tudo se mistura. Avalio minha equipe e o desenvolvimento de cada turma. Ao mesmo tempo administro as finanças, o calendário e as matrículas para o próximo ano. Fico quase incomunicável, mas consigo dar conta também do atendimento individual de professores, pais e alunos. As informações trazidas por todos conduzem o planejamento. Essa dinâmica mantém vivo o projeto pedagógico de minha escola e o sentido do ensino para os estudantes. Um ano nunca é igual ao outro e nem pode ser. Por isso, reservo um tempo para pôr em dia planos para a escola de curto e longo prazo. Em 2002, coloquei no papel um projeto de adoção da rua em que fica a escola. A cada ano, cumpro uma parte da programação e meu sonho fica mais perto de se tornar realidade. No final de 2005, jardineiras floridas, pássaros e borboletas farão parte da paisagem."

Nair Terron Campanhole, diretora da Escola Carandá, em São Paulo
Faço planos no trânsito parado

"Arrumar gavetas não é uma tarefa de final de ano para mim. Sou organizado e não acumulo papéis inúteis. Gosto mesmo é de planejar o ano que vem: pegar uma agenda nova, ordenar compromissos nas primeiras páginas e fazer anotações sobre as impressões da próxima turma de alunos... é uma delícia! O que me move neste final de ano brabo é pensar no futuro, porque agora eu e os alunos estamos cansados e ansiosos pelas férias. Como tenho que olhar para tudo o que realizei, aproveito o tempo parado no trânsito para me avaliar. Anoto sugestões, idéias para melhorar projetos e assuntos para discutir em sala de aula. Minha última conclusão é que preciso aprender a utilizar melhor meu tempo. Em 2004, com a reforma da minha casa e o nascimento de meu filho, foi difícil me organizar para cumprir todos os compromissos.
Não quero sofrer pelo mesmo motivo no ano que vem."

Marcelo Gomes Beauclair, professor do Ensino Médio do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro

Passando o ano a limpo

Faça uma lista de todos os projetos desenvolvidos em sala de aula.
Apure se você soube planejar e administrar o tempo, estabelecer objetivos e conteúdos, escolher os melhores recursos e se seus alunos aprenderam como você queria. Relembre os acontecimentos mais marcantes na aplicação dos projetos em sala de aula.

- Avalie a sua responsabilidade nas principais dificuldades e conquistas dos alunos. Questione-se: onde acertei, onde errei, tive preguiça ou faltou visão?

- Destaque as principais diferenças de desempenho entre as turmas e os motivos. Depois, compare com suas estratégias didáticas.

- Avalie a sua interação com os colegas, a coordenação, a direção e os pais dos alunos.

- Proponha estratégias e mudanças para o próximo ano baseadas nos resultados de seu balanço. O que eu faria diferente? O que vale a pena repetir? O que devo priorizar no ano que vem?

- Reflita sobre sua carreira e a maneira como você investiu nela. E pesquise novos projetos de formação.

- Compare a sua reflexão com a de seus colegas, peça opiniões e convide a equipe para fazer uma análise do ano letivo.

- Estabeleça como meta a reflexão diária sobre seu trabalho e determine projetos a curto e longo prazos. Para isso, estréie um caderno novo escolhido a dedo! Nele, responda todos os dias à pergunta: o que eu aprendi hoje?

- Faça uma limpeza nas gavetas e nos armários de casa e da escola.

- Sem dó, guarde apenas o que exemplifique questões fundamentais de aprendizagem.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA

A Prática Reflexiva no Ofício de Professor: Profissionalização e Razão Pedagógica
, Philippe Perrenoud, 232 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 3330-3444 , 39 reais

O Professor Reflexivo no Brasil: Gênese e Crítica de um Conceito, Selma Garrido Pimenta e Evandro Ghedin, 224 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3864-0111 , 29 reais

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Final de Ano

Final de ano, depois de tanto trabalho, o que precisamos mesmo é de um bom descanso.
E também de motivação.

Descanso, porque não temos peito de aço. Precisamos estar tranquilos para nestes dias de recesso,nos abastecermos de nossa familia, de nossos amores e também de nós mesmos.

Eu sempre digo para minha equipe: " -Tirem a duas primeiras semanas para colocar as pernas por alto, namorar, dormir até tarde, contar histórias pros filhos, bater perna, fazer nada. Absolutamente nada de produtivo nem pra você nem pra ninguém.

Depois vem as festas e confraternizações.Aí é só alegria!

Já no mês de janeiro, precisamos ir acertando a vida, buscando a motivação necessária para enfrentar a jornada do novo ano que vai começar.

Ninguém pode motivar ninguém! A motivação vem das necessidades internas de cada indivíduo e não de vontade alheias a nós.

Por isso, é importante conhecer, identificar nossas necessidades e anseios e compatibilizá-los com nossa atuação frente a vida.

É preciso trabalhar a nossa auto crítica e saber onde podemos melhorar, onde ainda não conseguimos acertar e ir adiante.

Planejar e organizar a nossa vida profissional, os nossos objetivos e o que pretendemos alcançar, torna o nosso trabalho menos estressante e mais produtivo.

Vamos tentar?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

IV Semana da Consciência Negra de Japeri

Vai ter celebração na Baixada!

Este ano a Secretaria de Educação e Cultura de Japeri e o Nucleo Étnico Racial promovem a IV Semana da Consciência Negra do município com o tema " Japeri mostra sua cara Negra".
Durante a semana as escolas realizarão suas culminâncias de projetos referentes a temática negra, internamente e no dia 19 o projeto culmina com uma grande celebração de formação, musica e poesia.
ESse ano, minha contribuição foi miníma,mas carregada de muito afeto. A organização do evento o ficou ao encargo da minha amiga a Professora Vera Nascimento.

A Programação para vocês:

Data: 19/11/2009

Manhã:
9h às 9h e 15min. Abertura SEMEC
9h e 30min. – Leitura do Poema "A Canções dos Povos"

10h: Palestra: Os “Campos Negros” e o “Medo Branco”
Palestrante: - Mestre Berg(Psicólogo, Mestre em Historiografia e Doutor em Antropologia e Etnográfico

Intervalo:Apresentação Musical

11h e 30min
Palestra: Cultura Afro brasileira na escola: Redescobrir, Vivenciar e Compartilhar.
Palestrante:Denise Guerra (Musicoterapeuta Professora de Educação Física e Especialista em Psicomotricidade - Cultura Africana e Afro-Brasileira)

Tarde:

13h Palestra: Cotas Raciais, Por que Sim?
Palestrante: Cris Lopes( Integrante da Campanha Onde Você Guarda Seu Racismo IBASE- RJ)

14h e 30 min.
Palestra: A produção Textual a partir da construção da Identidade Africana
Palestrantes: Professoras Elane Barreto e Marta Bento( professoras da Rede Municipal de Japeri)

15h 30- Palestra: “As representações dos discentes quanto à musicalidade do tambor no processo de ensino-aprendizagem
Palestrante: Fernando Rodrigues, (Mestrando em Educação Física, orientado por José Edmilson da Silva)


Encerramento

Vídeos referentes à temática
Apresentação de música – Samba da Mangueira e do Salgueiro


Local: Auditório E.M.Ary Schiavo(Pça Manoel Marques, 57- Centro de Japeri)
Horário: 9h ás 17h

Inscrições no local.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Resistir é preciso

A escola é o lugar do saber.

‘Então porque o aluno não aprende?

Porque o aluno se nega a delícia que é a aquisição do conhecimento?

Muitos professores sem prática para a reflexão preferem disseminar a fala dominante de colocar a culpa da não aprendizagem nas costas da família, da linguagem precária do aluno e do meio social onde ele vive.

O aluno não quer aprender e ponto, isso é o que mais se ouve nas salas dos professores.

Mas será que é assim mesmo que funciona?
Observando os alunos das escolas em que trabalhei, escolas de periferia da Baixada Fluminense, me certifico que os alunos não aprendem não porque não querem, mas sim, porque não podem.

Esse não aprender não causa só angustia aos professores, mas também aos alunos.

Eu acredito que a realidade por mim vivida é reflexo de muitas outras realidades vividas.Os alunos não sabem, porque a escola não os ensinou, essa é a verdade.
È extremamente polêmico este tipo de afirmação.

Quando o professor se nega a critica, a reflexão, a auto formação, fatalmente continuará sendo um dos principais contribuintes dessa triste realidade.
É muito mais fácil culpar a não aprendizagem como uma problemática adquirida fora da escola, e não dentro dela.

O aluno não pode aprender o que não sabe. É preciso ter requisitos básicos por exemplo, para aprender raiz quadrada. Mas como aprender raiz quadrada se o aluno chega a 6 º ano sem saber fazer as quatro operações matemáticas?Se não sabe interpretar um pequeno texto? Sem saber se expressar oralmente?

Como resposta a isso entupimos as classes de aceleração, de reforço, e as classes especiais.
Essas soluções são meros paliativos para uma doença que parece não ter remédio.
O analfabetismo funcional crônico invadiu nossas salas, que deveriam ser lugares privilegiados para o aprender.

A verdade é que nossos alunos tem inúmeras dificuldades para aprender, porque a escola tem dificuldade em alimentar sua função social de matriz educadora.

Como garantir que nosso aluno tenha visão de mundo se a própria escola se negar a ter uma visão de mundo heterogênea, multidisciplinar, tolerante, diversa?

E cada vez que vai-se aumentando a complexidade dos conteúdos, vai-se tornando complexa a situação do aluno "fadado ao fracasso". Quanto mesmo o aluno sabe, menos ele sabe.

A triste realidade vai se firmando: Reprovação, evasão ou ainda aprovação automática, a escolher.

Das dificuldade inerentes de aprender nasce o desinteresse, a indisciplina, o descaso que tanto nos incomoda como professores.

Mas é preciso resistir positivamente.

Resistir a realidade que está ai.

Os modos de resistência positivas para assegurar a aprendizagem estão dentro da escola mesmo: projetos, respeito a realidade do aluno, compreensão da sua linguagem e do seu meio, aulas dialógicas, aulas passeio, assuntos estes, que geralmente são discutidos nas reuniões pedagógicas, mas nunca colocadas em prática pelo professor que prefere o velho ao novo, com medo de errar.

Mas é preciso refletir se não foi esse medo da mudança, essa resistência negativa, cega e surda das mudanças que nos fez chegar onde estamos?

Para dar significado à resistência positiva, é preciso muito pouco: Basta o compromisso ético de fazer valer o pressuposto básica da escola: Fazer com que todos os alunos aprendam.

E boa vontade. De dirigentes municipais, estaduais, dos diretores, coordenadores e principalmente dos professores, que são a ponta desse processo.

Enquanto isso a escola pública, que tornou-se chata, burra, cristalizada e anti democrática espera o aluno pedagogicamente acabado, pronto para o conhecimento, sendo incapaz de reconhecer e seu próprio produto:Alunos que não fazem os deveres, alunos que não sabem ler e escrever, alunos que não sabem que as palavras se iniciam no canto direito da margem, alunos que só descobrem que estão numa escola quando se vêem diante de uma prova.

Aos professores conscientes de seu papel nessa mudança, meus respeitos e um singelo apelo que continuem resistindo para que todos os nossos alunos tenham o direito de aprender.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mês da Consciência Negra

Esse mês é um dos meus preferidos, muita cor, muita dança, e muita formação. O mês da Consciência Negra vai se firmando no cenário intelectual e educacional no Brasil e isso é muito importante para todos, para os negros e para todos os descendentes da diáspora.

Ontem mesmo conversava com minha amiga Vera Nascimento, Coordenadora do Nucleo Étnico de Japeri, minha cria muito amada, e ela me falava que algumas diretoras reclamavam que alguns professores ainda resistem muito em falar da questão dos negros nas salas de aula.

É sempre muito dificil para mim escutar isso. Mas acredito que venceremos a resistência com conhecimento e formação.

Esse é um dos maiores desafios de um Coordenador Pedagógico na escola:  Deixar de lado os tabus impostos pela disciplina do preconceito,rasgar a cartilha das intolerâncias,  resgatar a Africa que existe em nós  e trazê-la para o palco principal que é no nosso dia a dia.

Se você não trabalhou estas questões esse ano, não deixe de priorizar essa formação no ano que vem. Faça projetos, leve palestrantes para sua escola, fala saraus de poéticas negras, intere-se do assunto, porque além de fazer parte do resgate de nós e de nossa história, a valorização  da nossa africanodade, nos transforma como pessoas.
E não podemos nos esquecer que pessoas transformadas, transformam o mundo!


Nesse blog da Professora Denise Guerra, vocês irão  encontrar várias atividades interessantes e vitais para quem trabalha a questão da diversidade na vida e na escola.

Não deixem de dar uma visitada. http://afrocorporeidade.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre o caso da UniBan

Como pedagoga, esse caso  me surpreendeu  bastante, ainda no inicio da semana  passada, quando  as cenas da estudante sendo perseguida pelos colegas nos corredores porque simplesmente vestia um vestido curto na universidade foram ao ar.

Eu não consegui entender os motivos da perseguição, visto que vivemos num mundo de  grandes e ininterruptas exposições midiáticas, de you tubes e twiters da vida.

O vestido da aluna era curto? Sim. Impróprio? Talvez.

Vivemos num mundo onde as pessoas  vestem para serem vistas, pode ter havido  um pouco de exibicionismo por parte da aluna, mas nada que justfique tamanha histeria.
Eu não sou de julgar ninguém, meu lema é viva e deixe viver, até porque acho insuportável se  meterem na minha vida e acho desnecessário fazer isso com os outros.

Eu como  ex-aluna de uma uninersidade pública do Rio de Janeiro, a Uni Rio, me acostumei a ver todos os tipos de estudantes num convívio democrático de gostos e cores.

Havia desde os engravatdaos alunos de Direito, até os multicoloridos estudantes de teatro, passando pelos ripongas, os  góticos que se vestem de preto, os alternativos, os moderninhos, os que só usam chinelo de dedo, enfim, todos os tipos de gentes, personificados cada um no seu estilo de ser e portanto de se vestir.

Nunca me liguei que alguém  pudesse perseguir uma pessoa numa universidade, lugar de convivio intelectual,  de construção de  democracia, de produção técnico-científica, cultural, artística, acadêmica e administrativa.

Que universidade é essa onde  esses alunos  estudam?  Que tipo de formação eles estão tendo? Que tipo de pessoas são essas que se sentem ameaçadas, subjulgadas, ofendidas  por um  simples vestido?
Que universidade é essa que acolhe o  preconceito e expulsa  uma aluna baseada em conceitos morais  duvidosos?

Que instituição pedagogicamente  séria  toma uma atitude dessas?

A universidade ao expulsar a aluna respaldou a atitude retrógrada, preconceituosa,machista, ignorante no pior sentido da palavra dos alunos que segundo o reitor, tiveam uma reação coletiva em defesa do ambiente escolar.
A aluna foi agredida, ameaçada de linchamento por ser quem é, por vestir o que deseja e ainda foi acusada de ser a culpada da agressão pela universidade no melhor estilo " E não sei porque estou batendo, mas você  sabe porque está apanhando".

Reação coletiva em defesa  do ambiente escolar para mim é honrar a universidade que você estudou ou estuda retribuindo  com produção intelectual  para a sociedade retribuindo aquilo que você  teve o privilégio de vivenciar neste espaço de construção acadêmica tão importante.

Obviamente o indefectível vestido vermelho não é o tipo de roupa que eu escolheria para frequentar uma aula,mas vá lá saber o que se passou na cabeça da jovem...
De repente ela ia sair para uma balada após a aula.

Mas o mais importante dessa história toda  é que as  pessoas tem o direito de  vestir  o que quiserem, afinal  por mais curto qe fosse sua vestimenta, ainda sim, ela estava vestida(.Em ultima análise devemos ressaltar que estamos falando de uma universidade localizada num centro urbano reconhecido como um dos mais importantes da américa latina e não de um povoado  qualquer do interior do Brasil).

O fato do reitor ter voltado  atrás e revogado a expulsão não adianta de muita coisa.A primeira impressão é sempre a que fica. E não há justificativas plausíveis para  a perseguição insólita  que aconteceu ali.

A meu ver, expulos deveriam ser cada um dos alunos que propiciaram tão  cuel  e indigno comportamento em pleno século XXI, numa universidade que deveria ser o berço de discussão coletiva e o lugar onde as diferenças, a diversidade, devem ser tolerados, juntamente com o direito à  liberdade de ir, vir e ser quem somos.  

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lévi-Strauss

A morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, anunciada na terça-feira (3), motivou declarações e homenagens em todos os maiores centros mundiais de estudos das ciências humanas e não é difícil entender por quê.


O Jornal Nacional ouviu cientistas que explicam a importância do trabalho e das ideias de Lévi-Strauss.

Foi o modo de vida de índios brasileiros que provocou os primeiros passos de uma revolução na maneira de como pensar a humanidade. O intérprete da mudança foi o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Na década de 1930 ele saiu de uma Paris cosmopolita e se embrenhou no Cerrado, no Pantanal e na Amazônia.

A antropóloga da Universidade de São Paulo (USP), Sylvia Caiuby, diz que ao conviver com os bororos, os nhambiquaras e outras etnias, Lévi-Strauss chegou a uma conclusão inovadora.

“Que o modo de pensar dos índios é absolutamente idêntico ao nosso e o que o Lévi-Strauss vai mostrar é essa universalidade do pensamento humano, seja o pensamento dos ditos povos selvagens, seja o pensamento dos ditos povos civilizados. A importância disso é mostrar que, na verdade, não se pode hierarquizar povos, não se pode hierarquizar culturas, como se alguns fossem superiores a outros”, explicou ela.

Foi Lévi-Strauss quem mostrou que as sociedades podiam andar por caminhos diferentes. Por isso, diz a antropóloga Dorothea Passeti, o encontro com os índios foi decisivo.

“Provoca nele uma defesa que ele vai levar até o resto da vida dele pela diversidade cultural, pela necessidade da existência de povos diferentes. Não é pelo direito, é pela necessidade. Uma humanidade que seja igual, globalizada, todo mundo do mesmo jeito, comendo a mesma coisa não tem sentido. Isso é o fim do homem”, explicou Dorothea.

E a antropóloga vai mais longe: a paisagem do Brasil Central também inspirou Lévi-Strauss e fez dele um pioneiro na defesa da natureza: “Para o Lévi-Strauss, o selvagem vive usando a natureza na medida em que ele precisa dela, só. E nós, os chamados civilizados, destruímos o planeta”, declarou.

As ideias de Lévi-Strauss tiveram um forte impacto no pensamento moderno, principalmente em um momento muito importante do século XX. Foi depois da Segunda Guerra Mundial, depois das atrocidades cometidas pelo nazismo, que propagava a superioridade de uma raça em relação às outras. Lévi-Strauss aproveitou a experiência que teve com os índios brasileiros para combater todas as teorias racistas.

“Nesse sentido o pensamento dele é absolutamente atual, se a gente se lembra da dificuldade que a Europa enfrenta hoje em relação aos imigrantes e a discriminação de todos os imigrantes. O Lévi-Strauss vai mostrar exatamente que a discriminação não tem nenhuma justificativa científica”, explicou Sylvia Caiuby.

Fonte: G1

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vygostsky - O teórico social da inteligência

A obra do psicólogo russo que ressaltou o papel da sociedade no processo de aprendizado ganha destaque com a expansão do socioconstrutivismo.

No interior da Rússia pós- revolucionária, nos anos 20, um professor de ginásio que amava as artes se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante, ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual, sustentando que todo conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas.

O nome do professor era Lev Vygotsky e sua obra é hoje a fonte de inspiração do sócioconstrutivismo, uma tendência cada vez mais presente no debate educacional.

A repercussão que o pensamento de Vygotsky vem obtendo possui a força de uma redescoberta.

Nascido há um século, morreu em 1934, aos 37 anos.

Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), lamentando que os dois não tivessem se conhecido, leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932.

No Brasil, Vygotsky é estudado há pouco mais de uma década.

Segundo a pedagoga Maria Teresa Freitas, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que pesquisou a difusão do trabalho dele por aqui, suas idéias chegaram no fim dos anos 70, trazidas por estudiosos que as conheceram no exterior. Mas sua obra só começou a ser divulgada, de fato, nos anos 80, ao mesmo tempo em que a linha educacional construtivista se expandia, impulsionada pela psicóloga argentina Emilia Ferreiro, discípula de Piaget.

Embora não tenha elaborado uma pedagogia, Vygotsky deixou idéias sugestivas para a educação. Atento à "natureza social" do ser humano, que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura, defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. Para ele, "na ausência do outro, o homem não se constrói homem".

Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano.

É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental.

Segundo o psicólogo, a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES, como os reflexos e a atenção involuntária, presentes em todos os animais mais desenvolvidos. Com o aprendizado cultural, no entanto, parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES, como a consciência, o planejamento e a deliberação, características exclusivas do homem.

Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio.

Com um detalhe importantíssimo, ressaltado pela psicóloga Cláudia Davis, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): "As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. São sempre intermediadas, explícita ou implicitamente, pelas pessoas que rodeiam a criança, carregando significados sociais e históricos". Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho, apenas refletindo o que aprende.

"As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna", explica o pedagogo João Carlos Martins, diretor pedagógico do Colégio São Domingos, de São Paulo. "É isso que caracterizará a individualidade". Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky.

Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos, ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha, mas sim em parceria com as outras, que são os mediadores".

Cultura Negra em Pauta




Aproveitando as comemorações do Mês da Consciência Negra, o site AfroeducAÇÃO promove o curso Cultura Negra em pauta, destinado a educadores e interessados em geral. Com duração de oito horas, temas relativos a história e cultura afrobrasileira serão abordados de forma educomunicativa, ou seja, usando práticas de comunicação. O curso oferece embasamento para o cumprimento da Lei Federal nº 11.645/08, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Indígena em todas as escolas brasileiras.

De forma teórica e prática serão abordados os seguintes temas:

  • O contexto da Lei Federal nº 11.645
  • Tradição e cultura afrobrasileira
  • Identidade e resistência cultural
  • Igualdade racial
  • Uso de blog, rádio e TV para tratar de cultura negra

Faça já sua inscrição!

Quando

  • Dias: 18 e 25/11
  • Horário: das 18h às 22h
  • Duração: 8 horas (com certificado)

Onde

  • Rua Salvador de Lima, 17 - 3º andar
    Carrão - São Paulo
    (Próximo ao Metrô Carrão)

Quanto:

  • R$ 40,00

Inscrições

  • Envie o formulário anexo preenchido, mais o comprovante de pagamento para o email: contato@afroeducacao.com.br, até o dia 16/11/09.
  • Observação: O valor da inscrição deve ser depositado em uma das seguintes contas bancárias:
    • Banco Bradesco
      Agência: 0095-7
      Conta corrente: 0288463-1
      Favorecido: Cinthia Gomes
    • Banco Itaú
      Agência: 4833
      Conta corrente: 05464-8
      Favorecido: Paola Prandini

sábado, 24 de outubro de 2009

Educar para os Direitos Humanos

Fui convidada para participar de um Colóquio sobre Direitos Humanos.

Fiquei pensando sobre o que poderia falar sobre um tema tão amplo, então a resposta veio rápida: Não há muito o que pensar. Toda a minha vida é baseada nessa luta.

Tenho mais do que papéis para me assegurar alguma especialiazação, tenho minha própria história de vida, como diploma certificante.

Sou uma Pedagoga militante dos Direitos Humanos, e tenho muito orgulho disso.

Fiz a minha escolha há muito tempo, quando tomei a minha posição na vida pessoal e profissional.

Mas do que uma pedagoga militante, nasci numa classe desprivilegiada, filha de mãe trabalhadora pobre, de emigrante pobre, moradora da baixada fluminense, oriunda do sistema publico de ensino, militante politica de movimento estudantil, de emancipação de mulheres, de movimento negro, enfim, eu estou sentada na cadeira certa.

Então escolhi meu temapara o colóquio: Educar para os Direitos Humanos.

Por que desta escolha? Por que a educação é o maior dos Direitos humanhos negado às classes desfavorecidas.

Nega-se esse direito desde sempre no Brasil.

As escolhas governamentais sempre fizeram uma opção.

E a opção sempre foi baseada nas diferenças sociais e econômicas que separam nosso povo entre os que podem tudo e os que não podem nada.

Essa diferença social e econômica são uma das marcas identitárias do nosso povo. Uma diferença quinhentista, que nasce junto com o povo brasileiro e se confude com ele próprio.

E essa marca resvala na educação.A educação como já estamos cansados de saber por Bordieu é o um dos maiores centros de reprodução do pensamento ideologizante dominante que pode existir numa sociedade.

Educar para os direitos humanos portanto se torna fundamental, pois significa formar uma rede para dignificar a pessoa humana, através da promoção da igualdade racial, da solidariedade, de respeito às diferenças e às vivências.

É preciso transformar em prática, valores, atitudes não discriminatórias, hábitos e comportamentons numa educação compartilhada e solidária.

Compreender de onde vem o nosso aluno, sua origem étnica, social, econômica, cultural linguistica, é compreendee e respeitar essa origem,para encontrar meios de dar significância e signficado aos conhecimentos historicanente contruídos.

Como professores precisamos garantir que nossos alunos possam expressar o que pensam, o que querem, suas idéias sobre este mundo tão vasto e conturbado que se apresenta diante de nós.

Na sala dos professores frequentemente ouvimos que nossos alunos não querem nada.
Mas não acho que seja assim.Eles simplesmente não sabe o que querem.
Mundo vasto mundo, já dizia o poeta, e é assim mesmo. A vida apresenta muitos caminhos, muitas informações e gargalhos que precisam ser contornados.

A escola é a única opção para muitos. Não somos conselheiros da vida de ninguém, mas somos formadores de gente.
E isso é opcional., embora não devesse ser assim.
O professor não precisa optar pelo humano, mas também depois não pode reclamar do
o aluno que tem.
Porque a educação é isso aí mesmo: Uma via de mão dupla.

Os direitos humanos tem que respeitar os desejos humanos.

O desejo de ser respeitado, livre, o desejo de conhecer, de ter sua linguagem e meios valorizados não é apenas o desejo do professor.

Quando a gente começa a pensar que todos fazemos parte de uma rede, passamos a não nos sentir tão sozinhos e se aprendermos a nos solidarizar com os outros, redescobrimos bem rápido o prazer de ver obrilho no olhar do nosso aluno.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dicas para Estudar

Seu filho tira notas ruins simplesmente porque não estuda? Será que ele não estuda porque, por mais que se esforce, não consegue se dar bem?

No processo de aquisição de conhecimentos vários aspectos são fundamentais para que se efetue a aprendizagem. Imagine que seu filho nunca conseguiu marcar um gol no futebol. Pense que saber jogar futebol é uma coisa normal, prática a qual todos os meninos da idade dele podem desempenhar com sucesso. Coloque agora essa ação como uma obrigação que deve acontecer todos os dias. Dar-se aí então o nosso problema! Ao pensar em tudo isso, que vocês: pais, professores e envolvidos no processo de ensino-aprendizagem de uma criança devem estimular o desejo de aprender.
Para contribuir na vida escolar de seus filhos e alunos, aqui vão algumas dicas:

*
A princípio é importante ressaltar que o ato de estudar requer muita disciplina e o domínio de algumas técnicas. Quais seriam estas técnicas “milagrosas”, que poderiam impedir que os pais enlouquecessem na “hora dos deveres de casa”?

*
O primeiro ponto a ser analisado pelos pais seria o ambiente de estudo em casa, ele deve ser o mais silencioso possível, com o mínimo de objetos e outras distrações visuais que possam desviar a atenção da criança. Deve-se considerar ainda as distrações internas, pensamentos, estes são mais difíceis de ser inibidos, mas quando quem ensina foca as atividades que foram propostas e mostra a criança a funcionalidade de cada uma, o “fazer” toma um novo sentido para o intelecto.

*
Outro ponto de suma importância é envolver as crianças nas decisões sobre o dever de casa, lembre-se que nós possuímos limitações e principalmente na fase inicial da aprendizagem (alfabetização), tudo é novo, portanto quem deve fazer a atividade é a criança e não os pais. É muito comum, os pais perderem a paciência e resolverem algumas atividades do dever de casa, além de limitar o que o seu filho pode aprender, você pode inibir a criatividade. Discuta com seu filho as atividades que foram propostas pela professora, respeite a opinião dele, e se o que foi proposto por ele, acarretar na escolha errada mostre as ações corretas.

*
Uma estratégia interessante a ser adotada pelos pais na hora do dever de casa é alternar as tarefas que a criança gosta com as que menos gosta, assim em todo o momento de atividade não será visível para a criança o cansaço.

*
Respeite os limites de concentração da criança, ela produzirá mais quando você permitir períodos de apenas 10 minutos de estudo, se este tempo não for suficiente para concluir o dever de casa, alterne as horas dedicadas a este fim, por exemplo, faça parte do dever a noite e a outra parte na manhã. Evite fazer com que seu filho estude mais tempo do que ele consegue assim ele não “detestará” estudar.
*
O estudo não deve competir com outras atividades prazerosas, estudar na hora do desenho favorito, nem pensar! Determine a hora ideal. Se a atividade proposta para casa envolver algum projeto amplo, crie etapas a serem cumpridas diariamente, não permita que uma construção seja feita de última hora.

Enfim, despertar a curiosidade e o interesse para o estudo exige tornar as explicações de cada assunto a ser ensinado, menos “careta” e mais atualizada, demonstrar que tudo que foi proposto pela escola é de fundamental importância para a vida.

Temos que admitir que é possível estimular alguém a estudar e conseqüentemente tirar notas boas.

Fonte:http://ideialegal.blogspot.com/

Por Vanessa Mara Tavares

Psicopedagoga

Senado entrega obra em braile

Instituições receberão as doações durante a Bienal do Livro de Pernambuco
Leitura

Fonte:Agência Senado - 06/10/2009 - Roberto Homem

A Sociedade Beneficente dos Cegos do Recife (Sobecer) desenvolve ações voltadas para o atendimento de pessoas com deficiência visual através da educação, profissionalização, reabilitação, assistência social e cultura. Ela é uma das três instituições que receberão, nesta sexta-feira, dia 9, às 16h, publicações em braile do Senado Federal. O evento será realizado na VII Bienal do Livro de Pernambuco, no centro de convenções de Olinda. Além da Sobecer, também receberão obras em braile do Senado o Instituto dos Cegos Antonio Pessoa de Queiroz (antiga Escola Especial de Cegos), que é mantido pela Arquidiocese de Recife e Olinda, e a Associação Pernambucana dos Cegos (Apec).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Viva o Rio


Sejam bem vndos desde já.
Estaremos de braços abertos esperando a todos e a todas.
Fiquei muito feliz com essa vitória, principalmente pelas nossas crianças, que encontrarão nos esportes uma oportunidade de vida.
Vamos investir nessa galerinha!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Oficina de Monteiro Lobato



Nos dias 7, 14 e 21 de outubro Laura Sandroni estará ministrando a Oficina: Monteiro Lobato e a renovação da literatura destinada a jovens e crianças no Brasil.
Será uma rara oportunidade de aprender e discutir sobre a trajetória desse grande autor com a especialista no assunto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

UNEB abre 1.520 vagas para Pós Graduação Gratuitas

Vamos aproveitar para estudar, minha gente!

A UNEB abre 1.520 vagas para Cursos gratuitos de Pós-graduação lato sensu na modalidade Educação a Distância (EaD) - Oferta tem parceria do programa federal Universidade Aberta do Brasil (UAB) - Inscrições: de 15/setembro a 13/outubro, exclusivamente pela Internet

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) abre processo seletivo para cursos gratuitos de pós-graduação lato sensu na modalidade educação a distância (EaD).

Estão sendo oferecidas 1.520 vagas para quatro cursos de especialização - Gestão de Saúde, Gestão Pública, Gestão Pública Municipal e Educação a Distância -, distribuídas em 20 pólos, sediados em cidades do interior do estado.

As inscrições para as pós-graduações devem ser efetuadas de 15 de setembro a 13 de outubro, exclusivamente pela internet, através dos endereços eletrônicos www.vestibular.uneb.br e www.consultec.com.br. O processo está sendo realizado concomitantemente ao Vestibular 2010 da universidade.

Os candidatos devem efetuar o pagamento, através de boleto bancário, da taxa de inscrição, no valor de R$100.

Todos os passos e requisitos para o processo seletivo estão detalhados no edital e no termo aditivo da seleção.

As pós-graduações têm carga de 420 horas-aula, que compreende o período de 18 meses de curso.

Os candidatos devem ficar atentos ao conteúdo programático da prova de seleção, que acontece no dia 6 de dezembro, no turno vespertino.

Os locais de realização da prova serão divulgados nos mesmos sites das inscrições. Os portões vão abrir às 14h30 e serão fechados às 14h50. Os concorrentes terão duas horas para responder as questões do processo seletivo.

Os cursos e o processo seletivo em EaD oferecidos pela UNEB estão em conformidade com o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), do Ministério da Educação (MEC).

"Hino à Negritude"

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou, no dia 10 de setembro, a oficialização em todo o território nacional do "Hino à Negritude", composto pelo poeta e professor Eduardo de Oliveira.

A medida - proposta pelo deputado Vicentinho (PT-SP) no Projeto de Lei 2445/07 - foi aprovada em caráter conclusivo.

O deputado Vicentinho explica que o objetivo do projeto é favorecer o reconhecimento da trajetória do negro na formação da sociedade brasileira.

"Não temos ainda símbolos que enalteçam e registrem este sentimento de fraternidade entre as diversas etnias que compõem a base da população brasileira", afirma o autor da proposição.

Leia abaixo a letra do "Hino à Negritude", de autoria do professor Eduardo de
Oliveira:


Hino à Negritude (Cântico à Africanidade Brasileira)

I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a sol
Para o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

Conferência Intermunicipal de Educação da Metro 1

Realizou-se dia 18 e 19 de setembro a Conferência Intermunicipal de Educação da Metro I que fizeram parte os municipios de Japeri, Nova Iguaçu, Mesquita, Queimados e Nilopólis.

A escola sede foi o CIEP 172 em Comendador Soares, onde os professores, profissionais, pais, alunos e comunidade dos cinco municipios puderam avançar nas discussões das propostas dos eixos temáticos inseridos no documento referência enviado pelo MEC, onde discute-se desde o papel do estado na educação até justiça social, passando por acesso e permanência, qualidade e avaliação da educação.

A sensibilizaão dos Grupos de Trabalho foram feitos por profesores do Campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(UFRRJ)em Nova Iguaçu.

os debates nos GT's e nas plenarias de eixo foram bastantes discutidas com muitos questionamentos levantados e muitas interferências de aditivação e supreção dos paragrafos considerados não pertinentes pelos professores e demais membros das plenárias.

A Comissão Orgnizadora, da qual eu faço parte, esperava aproximadamente 611 representantes, porém, o numero alcançado foi de aproximadamente 400 profissionais em transito nos dois dias.

Claro que nem tudo foi um mar de rosas, fazer um evento dessa grandeza é correr riscos, mas tudo foi pensado de maneira que as discussões fossem a prioridade, e que tudo ocorresse da maneira mais democratica possível, com a participação de todos.

Na noite de sábado, como as discusões dos eixos permaneciam polêmicas, a plenária decidiu encaminhar as propostas não discutidas e aprovadas para a Conferência Estadual de Educação e assim, avançamos na eleição de delegados da nossa região.

A eleição de 66 delegados ocorreu de maneira tranquila e é fundamental para levarmos adiante as teses de melhoria da nossa região da baixada fluminense e o fortalecimento da nossa categoria cno professores.

A Conferência Estadual do Rio de Janeiro está marcada para os dias 22 e 23 de Novembro.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Bienal do Rio

No dia 19, ás 11 da manhã estarei na Bienal divulgando meu livro "O Menino que queria chorar estrelas"





Ficaria feliz de vê-los por lá!

Pavilhão Azul,Stand GO3.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Reflexões sobre Educar

E você professor, está tranquilo com sua carreira?

Com seus planos de aula?
Com a aprendizagem dos seus alunos?
Com o seu próprio rendimento nas aulas que dá?
Que tipo de professor,você realmente é?

Já parou para pensar sobre isso?

Já se fez essa pergunta durante a sua caminhada como educador?
A resposta é importante na construção da identidade de educador que somos,na maneira como lidamos com os nossos alunos, com as dificuldades da rotina de sala de aula.

O nosso comportamento influencia diretamente na aprendizagem deste aluno.
O nosso afeto ou a falta dele, a sensibilidade, ou a agressividade com que encaramos os alunos e o próprio ato de ensinar,a nossa falta de tato,ou a incompreensão do todo, do vivido do educando nos leva a um determinado tipo de resultado.

Nem sempre compensador.

Se estamos tranquilos com o todo,alguma coisa,caro colega,vai de mal a pior.
Estar tranquilo como educador não é uma virtude.Antes pelo contrário,é o sinal vermelho que está ligado,nos pedindo mudanças urgentes.

Educar não exige moeda de troca.

Educar é ter estratégias para fazer o outro adquirir gosto por conhecer.
Saber na verdade,se compartilha.

E atualmente, na educação,não há mais espaço para o educador que não agrega valor ao que faz.

Não existe mais espaço para o educador que não escute seu coração,que não crie momentos de alegria e afeto com suas turmas.

Como diria Gorki" Quando o trabalho é um prazer, a vida é uma alegria.
Quando o trabalho é um dever, a vida é uma escravidão".

É preciso lançar mão de nós mesmos no ato de educar, é preciso estar disposto a liderar estas crianças,jovens e adultos que passam por nossas mãos todos os anos e que vão se tornando a cada ano que passa uma legião de alienados do processo educativo, do ato de aprender,do ato de ler, desconhecedor das relações sociais da escola e da relação professor-aluno.

É com horror que ouço narrativas de Coordenadores Pedagógicos, que intransigentes na culpalização do aluno,tratam crianças de seis anos de idade como se fossem bestas feras agressoras da pobre professora que ao não saber se defender desta criatura tão terrível, expulsa a criança da sala ou lança mão de adjetivos como:"-Você é um bicho!"

Alguma coisa está errada com o imaginário escolar.

Alguma coisa não vai bem quando perdermos a nossa capacidade de pensar profissionalmente num momento de conflito.

Esta é a hora de estabelecer um compromisso real com a educação.

E você professor,está tranquilo com tudo isso?

Sobre racismo

"Mais um equivoco a superar é a crença de que a discussão sobre a questão racial se limita ao Movimento Negro e a estudiosos do tema e não a escola. A escola, enquanto instituição social responsável por assegurar o direito da educação a todo e qualquer cidadão deverá se posicionar politicamente, como já vimos, contra toda e qualquer forma de discriminação.
A luta pela superação do racismo e da discriminação racial é, pois, uma tarefa de todo e qualquer educador,independentemente de seu pertencimento étnico-racial, crença
religiosa ou posição política. O racismo, segundo o Artigo 5º da Constituição Brasileira, é crime inafiançável e isso se aplica a todos os cidadãos e instituições, inclusive, à escola". (BRASIL, 2004 p. 16,2004).

Fonte: Revista África e Africanidades – Ano 2 - n. 6 - Agosto. 2009 - ISSN 1983-2354
www.africaeafricanidades.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quem mexeu no meu queijo?

Este vídeo é ideal para dar uma mexida na equipe.

O medo, a insegurança e por vezes, o conhecido se tornam agentes paralisantes da mudança.

Nosso papel como coordenadores é orquestrar para que a equipe reflita.

A Reflexão é fundamental para abrirmos mão do que não está dando certo e nos sentirmos seguros para enfrentarmos o desconhecido.

sábado, 15 de agosto de 2009

Gripe Influenza

Começando as aulas dia 17 depois de um recesso forçado por conta da Influenza.

Realmente, ainda estou me esforçando para entender algumas coisas com relação a esta gripe. Dizem que ela começa ascender a partir do dia 24, mas que até lá, poderão ocorrer muitas mortes.

Portanto, evitem aglomerações.

Eu sei do que falo, pois fui diagnosticada com a suína, há três semanas atrás. Os sintomas são terríveis e o estado de nervos fica abaladíssimo por conta das notícias e do medo de morrer com a gripe.

Acho importante as escolas fazerem o recesso por conta do agrupamento de crianças. Mas as crianças se agrupam em todos os lugares não é mesmo?

Então essa medida vai se transfornamdo meio que numa tragiocomedia de segunda.

Mas entre arriscar ou não, é melhor nossas crianças ficarem em casa, onde mal ou bem, temos um controle sobre elas e onde podemos ensiná-las corretamente a ter o máximo de higiene e aseio consigo mesmo.

Agora, se por acaso as crianças estiverem com um resfriadinho básico, estique as férias até o final do mês.Afinal, você não quer que seu querido ou querida seja tratado como o "dalit" da escola né?

Porque hoje em dia é só dar uma tossidinha básica, e você está relegado ao ostracismo total.

Ninguém quer saber de chegar perto de você.

E no final do ano: Deus nos acuda!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Improbidade Administrativa

Eu queria escrever sobre isso já tem algum tempo, mas sempre acontece de um ou outro tema ou post anteceder a este.

Mas hoje resolvi postar logo sobre isso, pois é um asunto que realmente merece toda nossa atenção.

Há algum tempo atrás, estava eu na escola, procurando um tema para um projeto que fosse interessante para os alunos da educação infantil.

Como era mês de abril,não titubiei: Iríamos trabalhar Monteiro Lobato e sua obra e lasquei na reunião da gestão administrativa do colégio todos os meus sonhos projetados com atividades para o mês todo.

Diante da minha alegria e espontaniedade, contagiei a todos, principalmente a diretora que no auge do entusiamso falou assim:-A gente poderia inclusive chamar o Monteito Lobato para dar uma palestra aqui na escola.

Nós, as orientadoreas pedagógicas e educacionais, quase tivemos um infarto fulminante do miocárdio.

Como assim, chamar o Monteiro Lobato?

Uma de nós, conseguiu se restabelecer antes das outras e falou:-Mas o Monteiro Lobato já morreu.

Não satisfeita, a diretora replicou: - Ah é? Coitado! Morreu quando?

Se eu não estivesse lá, se alguém tivesse me contado essa história, eu acharia que era uma piada. De mau gosto, mas ainda assim, uma piada.

Nós nos retiramos da sala da direção profundamente abaladas.

Eu talvez mais do que todas.Afinal, a idéia fora minha.

A partir daquele dia, comecei a procurar uma outra escola pra trabalhar, precisava com urgência retomar uma nova caminhada para mim.

Depois disso, me tornei uma militante quase intolerante de eleição diretas para diretores.

Quando soube que o estado do Rio havia retrocedido nesse campo, fiquei profundamente preocupada, pois as indicações políticas geralmente afundam com o nosso objetivo pedagógico que é educar para todos e todas, com democracia e igualdade.

E os municipios, que ainda não tem um fazer democrático nessa área, geralmente costumam acompanhar o estado em suas decisões, e com esse retrocesso demos vários passos para trás.

Indicação de diretor por vereadores e outras pessoas influentes deveria ser crime, e o governo federal deveria impedir este fato com uma norma e não meramente se lançar de indicativos para esse assunto.

Obviamente essa diretora não demorou muito tempo no cargo, logo a escola ficou livre dessa presença tão nefasta e ridiculamente fora da realidade.

Sei que eleições democráticas na escola, também não são a solução messiânica, porém os profissionais da educação podem conhecer e avaliar os candidatos antes de escolher uma, que por exemplo, ressucite Monteiro Lobato.

sábado, 1 de agosto de 2009

Pierre Levy

Pierre Levy é uma figura extraordinária do pensamento contemporâneo. Carlos Nepomuceno realizou uma breve e exclusiva entrevista com Levy, que em determinado trecho disse o seguinte:

Eu estou mais interessado em profundas e longas meditações que explorem os assuntos desconhecidos sobre os quais ninguém está falando e que poucos entendem ou estão interessados. O resultado desse tipo de meditação pode ser um livro (claro que o livro poder estar no formato digital) ou em outro suporte (…).

Ele não se importa de ser publicado em e-book. Isso não surpreende ninguém que conheça o trabalho dele com tecnologia, redes e internet, desenvolvido há décadas. Vinte anos atrás, ele já descrevia como seria a Internet hoje.

Essa entrevista me recorda o quanto alguns autores, editoras e editores, apreciam viver a anos-luz de distância de pessoas como o Pierre Levy. Como gostam de pensar que os livros eletrônicos nunca “vão pegar”. A verdade é que o bloco já está na rua, gostem ou não. Livros impressos são digitalizados e pirateados aos milhares por leitores brasileiros (Folha de SP), em comunidades no orkut e até em blogs - e justiça seja feita, são leitores de todas as idades fazem isso. Para os leitores fãs de livros, a tecnologia não é um obstáculo - é só mais uma ferramenta para atingir o mesmo objetivo.

Adianta tapar o sol com a peneira? Melhor engolir os e-books, antes que eles engulam os autores, as editoras e os editores…

Fonte:http://editoraplus.org/noticias

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sobre Freinet

Aproveitem o video e a belissima música de Heitor Villa Lobos.


Não ao preconceito

Atividades para Educação Infantil
4 a 6 anosPrática pedagógica
Sequência Didática:Não ao preconceito

Conteúdo
Identidade e Autonomia

Objetivos
- Estimular o respeito à diversidade.
- Formar cidadãos preocupados com a coletividade.

Publico Alvo:
Creche e pré-escola.

Tempo estimado
O ano todo.

Materiais necessários
Retalhos de tecidos de diversas cores e estampas, linha, agulha, botões, papel, lápis de cor e giz de cera.

Desenvolvimento
Atividade 1
Reúna a turma em círculo para ouvir você ler histórias que tratem da diversidade e valorizem o respeito à diferença. Peça que todos comentem. A roda de conversa pode ser aproveitada para debater eventuais conflitos gerados por preconceitos.

Atividade 2
Convide os pais para fazer, junto com os filhos, uma oficina de bonecos negros. Ofereça o material necessário.
Depois de prontos, deixe-os à disposição na sala para as brincadeiras ou organize um revezamento para que as crianças possam levá-los para casa.
Os pequenos criam laços com esses objetos e se reconhecem neles.

Atividade 3
Um dos problemas enfrentados pelas crianças negras é relacionado aos cabelos. Não é difícil ouvir algumas falando que gostariam de tê-los lisos.
Mexer nos cabelos e trocar carinho é uma forma de cuidar delas, romper possíveis barreiras de preconceitos e aprender que não existe cabelo ruim, só estilos diferentes. Sugira que a turma desenhe em uma folha os diferentes tipos de cabelos (textura, cor etc.) que existem.

Atividade 4
Peça pesquisas sobre a história de alimentos e músicas de diversas origens. Planeje momentos de degustação e de escuta. As aulas de culinária são momentos ricos para enfocar heranças culturais dos vários grupos que compõem a sociedade brasileira. Conhecer músicas em diferentes línguas é um bom caminho para estimular o respeito pelos diversos grupos humanos. Isso se aplica a todas as formas de arte.

Avaliação
Observe em brincadeiras e falas se as crianças aceitam bem a diversidade e se todos valorizam suas origens e a auto-imagem.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Férias?

Férias.

Apenas curta.
Vá ao cinema.
Leia até tarde.
Beije na boca.
Fale bobagens.
Respire com calma.
Escute uma música.
Leia o jornal de trás pra frente.
Durma de tarde com seu filho.
Simplesmente, entre de férias.
Recarregue as energias.

Carpem Diem!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Declaração de Amor aos Seres Humanos

Recordando e reafirmando os princípios declarados na Carta Universal dos Direitos Humanos da ONU nós, seres humanos que decidimos livre e amorosamente nos encontrar nestes três dias mágicos para semear a Paz, fazemos a seguinte Declaração de Amor aos Homens e Mulheres da Terra:

1. Todas as pessoas do mundo têm o direito de viver e de sonhar com um planeta mais justo e pleno de dignidade e de amor.

2. Todas as pessoas do mundo têm o direito de brincar na chuva e soltar barquinhos de papel nas sarjetas e enxurradas.

3. Todas as pessoas do mundo têm o direito a uma educação que forme seres humanos livres, criadores, inventores e produtores de novos conhecimentos.

4. Todas as pessoas do mundo têm o direito de construir a sua própria "Constituição", escolhendo os valores para nortear uma conduta pessoal solidária e fraterna.

5. Todas as pessoas do mundo têm o direito de estabelecer relações humanas amparadas na fraternidade e no respeito à diferença.

6. Todas as pessoas do mundo têm o direito de se encontrar pelos caminhos que levam à festa e à fruição da vida e da alegria.

7. Todas as pessoas do mundo têm o direito de escutar o Outro e comungar de suas esperanças e sonhos.

8. Todas as pessoas do mundo têm o direito de plantar girassóis para que todas as tardes sejam de primavera.

9. Todas as pessoas do mundo têm o direito de descobrir o sorriso ou a dor que mora no Outro.

10. Todas as pessoas do mundo têm o direito de ser, ao mesmo tempo, flor e beija-flor, para provar da doçura que é a natureza do Outro.

11. Todas as pessoas do mundo têm o direito de habitar em casas que sejam como corações abertos, acolhedoras e sem trancas, onde sempre brilhe a luz da fraternidade.

12. Todas as pessoas do mundo têm o direito de construir dentro de si mesmas um templo para o seu Deus, na forma em que O conceberem.

13. Todas as pessoas do mundo têm o direito de se embriagar de paixão e de se "jogar nos precipícios para colher morangos", somente saboreados por aqueles que ousam se atirar para além de todas as limitações impostas.

14. Todas as pessoas do mundo têm o direito de não morrer de saudade e de percorrer os caminhos que levam ao encontro e aos beijos dos amantes.

15. Todas as pessoas do mundo têm o direito de que o trabalho seja um campo em que floresça a dignidade humana, sempre no horizonte de servir e amar o Outro.

16. Todas as pessoas do mundo têm o direito de serem os guardiões dos portões do Jardim da Humanidade.

17. Todas as pessoas do mundo têm o direito de saborear os frutos coloridos e suculentos da sabedoria, da arte e da ciência sem precisar dar dinheiro em troca.

18. Todas as pessoas do mundo têm o direito de não serem medidas por suas posses.

19. Todas as pessoas do mundo têm o direito de se expressar livremente, impregnando a palavra de paixão transformadora.

20. Todas as pessoas do mundo têm direito à comunicação e à informação para construir um mundo baseado na igualdade entre homens e mulheres.

21. Todas as pessoas do mundo têm o direito de acreditar que a unidade, com respeito às diferenças dos povos, é não somente possível, mas inevitável para alcançar a paz mundial.

22. Todas as pessoas do mundo têm o direito de saber a verdade sobre os caminhos e os roteiros que levam à liberdade e à dignidade.

23. Todas as pessoas do mundo têm o direito de conviver amorosamente com os animais e com todos os seres da natureza que estão na Terra.

24. Todas as pessoas do mundo têm o direito de transformar os muros que as separam em praças onde todos se encontrem para celebrar a cidadania e a solidariedade.

25. Todas as pessoas do mundo têm o direito de errar e serem amparadas carinhosamente na retomada da vontade de crescer e aprender mais e mais.

26. Todas as pessoas do mundo têm o direito a não mais ter medo das palavras Paz e Amor.

27. Todas as pessoas do mundo têm o direito de cultivar a terra e dela receber o alimento sagrado para o sustento do corpo e da alma.

28. Todas as pessoas do mundo têm o direito de chorar de alegria.

29. Todas as pessoas do mundo têm o direito de receber tratamento humano na saúde e na doença e de fazer escolhas livres e conscientes sobre tudo que envolva a vida e a morte.

30. Todas as pessoas do mundo que não sonham estes sonhos têm o direito de serem tocadas no coração para que desejem também caminhar na beleza...

Encontro de Jornalistas para a Paz
Florianópolis, 08, 09 e10 de dezembro de 1998...

Manifesto por um Brasil Literário

Manifesto por um Brasil Literário lançado em Paraty

Hoje na FLIP em Paraty, foi dia de Manifesto por um Brasil Literário, lido publicamente pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Formulado com o apoio do Instituto C&A, da Associação Casa Azul, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, do Instituto Ecofuturo e do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), documento pretende promover o debate sobre a importância da leitura literária e das políticas de promoção da leitura.

O Manifesto é o ponto de partida para as discussões em torno da importância da leitura de livros. E da busca do prazer de ler. O objetivo é acolher propostas e engajar o maior número de pessoas em torno dessa causa, para mobilizar o país em busca da construção de um Brasil literário.

O debate foi orientado pelas seguintes questões: é possível transformar o Brasil em um país de leitores? O que entendemos por um país de leitores e o que esperamos dele? Como fazer para que as ações existentes de promoção da leitura possam convergir para uma atuação conjunta na construção de um país leitor?

Depois da FLIP, os interessados podem acompanhar as ações de incentivo à leitura literária que estão acontecendo no país, conhecer a agenda que pauta essa temática e saber os próximos passos. Essas iniciativas darão base a um movimento nacional de incentivo à leitura literária e estarão publicadas no site http://www.brasilliterario.org.br, também lançado no dia 2. O espaço virtual abrigará um fórum de discussão, enquetes e notícias com essa temática e é o principal meio de adesão ao manifesto.

fonte: Comunicação Flip - Flávio Moura

quarta-feira, 8 de julho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

Como a violência doméstica afeta as crianças?

‘‘A violência doméstica é uma epidemia que contamina todo o tecido familiar. Estatísticas mostram que homens que espancam suas parceiras também são violentos com as crianças dentro de casa’’, explica a psicóloga Maria Luíza Aboim.

Estudo feito entre 2000 e 2001 pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que os filhos de 5 a 12 anos criados em famílias em que a mulher é submetida à violência apresentam mais problemas, como pesadelos, chupar dedo, urinar na cama, ser tímido ou agressivo. Na cidade de São Paulo, as mães que declararam violência relataram maior repetência escolar de seus filhos de 5 a 12 anos; e na Zona da Mata de Pernambuco houve maior abandono da escola."

Mais informações: Ana Flávia d’Oliveira ( aflolive@usp.brEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ), pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, fones (11) 3066-7085 / 3066-7094; e Malvina Muszkat ( muszkat@uol.com.brEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ), psicóloga do Pró-Mulher, Família e Cidadania, fones (11) 3812-4888 / 3816-6592.

Fonte:Portal da Mulher

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Escola da Ponte por José Pacheco

Palestra do Prof. José Pacheco na APEOESP, apresentada pelo programa Educação na TV. O professor Pacheco é ex-diretor da conhecida Escola da Ponte de Portugal.



domingo, 21 de junho de 2009

Computadores para todos

Segundo a Coluna de Jorge Bastos Moreno do jornal O Globo, o quase sempre governador em exercício do Rio de Janeiro, vulgo Pezão, anunciou que Piraí é a primeira cidade do mundo a universalizar 6.200 Pcs para a rede de ensino.

O sonho dele agora é universalizar os Pcs para todos os alunos da rede estadual.

A proposta é que os melhores alunos recebam os Pcs, totalizando 7 mil e poucas máquinas distribuídas.

Eu não entendo esse povo.

As crianças que estudam nas escolas do estado são praticamente semi-alfabetizadas, apresentam graves problemas de aprendizagem, deficiências motoras, diversos distúrbios comportamentais...

Não seria melhor investir e apostar numa reestruturação da rede que buscasse a solução para os problemas enfrentados?

A começar pelos salários dos professores que se não me engano, ganham cerca de R$ 512,00 há mais de dez anos sem reajuste. Pra ganhar uma grana a mais e sobreviver, os professores tem que trabalhar em mais não sei quantas escolas ou fazer as malfadadas GLP's.

O mais absurdo de tudo é a proposta pedagógica de distribuição dos pcs que pune o aluno que tem o desenvolvimento da sua capacidade de aprender comprometido.

Ou seja, os melhores recebem o pc e o que não conseguiu, o fracassado, fica se roendo de inveja.

O fato comprovado é que essa pedagogia não existe mais, é uma pedagogia de exclusão,de divisão, que pune os culpados sem lhes dar as chances que eles precisam.

Nada nunca nos garantiu em educação, que aquele aluno que é punido com uma pedagogia dessas, queira tentar melhorar para que no próximo bimestre, no próximo ano ele possa vir a ganhar qualquer coisa que seja.

Ou seja, uma pedagogia barata,de seleção, de gente querendo enganar o povo, e fazendo com isso um trampolim eleitoreiro.

Nós todos sabemos que esses jovens, os excluídos dos Pcs são vítimas de governos e de seus planos de ensino medíocres e ultrapadassdos.

E continuarão sendo com essa proposta demente.

Que a Tecnologia em Educação é importantíssima, é inegável, que seria maravilhoso que todos os alunos tivessem acesso à rede e as informações contidas nela, sem dúvida nenhuma,seria perfeito, como já acontece em vários países desenvolvidos, ou seja, nos paises que conseguiram vencer seus desafios, seus analfabetismos funcionais, suas defasagens salariais, suas propostas ultrapassadas de ensino.

Eu sou uma militante a favor da democratização do acesso à informática. Mas seria bom se TODOS os alunos tivesem o direito à informação, e não somente os escolhidos.

A inclusão digital é uma proposta muito séria e o aluno precisa aprender a usar o computador com todos as suas benesses e as suas mazelas.

Ou será que "eles" pensam que as máquinas, essas audazes,farão o que os governos não conseguem fazer?

Será que as máquinas por si só farão a revolução que o ensino do Estado do Rio precisa?

É um caso a se pensar.

sábado, 20 de junho de 2009

Festa Junina em Libras

São João traduzido para a Libras

Portadores de deficiência auditiva curtem a festa junina e se inserem na sociedade

Fonte: Denise Pellegrini (dpellegrini@abril.com.br)-Revista Nova Escola- Ed. 213- Junho/09

Na escola, a garotada aprende a importância de manter viva a tradição e, é claro, dança quadrilha e se delicia com as guloseimas. O sonho da professora Loide Araújo Guimarães, da Escola Municipal de Educação Infantil Ana Luiza Mesquita Rocha, em Aracaju, era que, em sua turma, todos (sem exceção) compreendessem a riqueza da celebração. Um desafio e tanto. Loide é responsável por uma sala de recursos e, no ano passado, entre os oito alunos havia três com deficiência auditiva e idade entre 4 e 5 anos. "Para participar da festa com as outras crianças eles precisavam conhecer aquele universo por meio da Língua Brasileira de Sinais", justifica.

Ao basear seu trabalho no ensino da Libras, Loide está no caminho certo. "A primeira língua a ser usada por pessoas com deficiência auditiva é a de sinais. É a Libras que vai dar base para a aprendizagem da segunda língua, no caso o português", explica Maria Inês Vieira, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Em Aracaju os meninos passam entre 45 minutos e uma hora e meia por dia com Loide, antes de ir para as classes de ouvintes. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil sustenta a inclusão de pessoas com deficiência auditiva nas atividades regulares como meio de favorecer o desenvolvimento de várias capacidades, como a sociabilidade. Para facilitar esse trabalho e torná-lo mais produtivo, Loide também auxilia as outras educadoras, ensinando-as a se comunicar com os garotos.

Síntese do trabalho

Tema: Inclusão e linguagem

Objetivo: Promover a inclusão de pessoas com deficiência auditiva no ambiente escolar, na família e na sociedade, por meio do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Como chegar lá: Trabalhe com a garotada o vocabulário referente a um determinado tema, como a festa junina, em Libras e em português escrito. Faça com que as crianças participem de todas as atividades planejadas pela escola para as demais turmas, como aulas-passeio em que a temática do projeto seja explorada. Ensine a língua de sinais também a funcionários, professores e familiares dos alunos, para que todos se comuniquem cada vez mais com as crianças

Dica: Uma maneira de envolver as famílias no projeto é reservar um tempo, após a aula, para ensinar às mães as palavras e expressões trabalhadas em classe

Loide contou com a colaboração da pedagoga Margarida Maria Teles, especializada em educação de surdos. "Queríamos evitar que as crianças ficassem alheias ao que acontecia à sua volta, como espectadoras", afirma Margarida. Traduzindo para a Libras muitos dos ícones relativos às comemorações, as duas permitiram a todos participar da construção coletiva dos festejos — não só imitar os colegas.

Na realização do projeto, que durou cinco semanas, Loide envolveu as demais professoras e também os familiares. O comprometimento dos pais é essencial para o progresso dos alunos nessa faixa de idade. "Todos os dias busco saber as palavras que meu filho aprendeu para me comunicar com ele", conta Rita de Cássia Hilário, mãe de Dayvid de Jesus, de 6 anos.

Com o objetivo de reforçar a aprendizagem do novo vocabulário, Loide colocou na sala um varal com cartazes. Cada um tinha o nome de uma comida, escrito em português e no alfabeto digital (em que cada gesto significa uma letra), e ilustrado com desenhos representando a língua de sinais. "As crianças tinham de relacionar os cartazes às figuras correspondentes", explica. Toda a decoração da sala alusiva ao tema também era acompanhada de reproduções dos gestos na Libras. Nas tradicionais bandeirolas, a professora desenhou o sinal correspondente a cada cor.

A classe de Loide participou, com o restante da escola, de uma excursão pela cidade decorada com motivos juninos. O grupo visitou o mercado, lotado de barracas com comidas típicas. "Durante o passeio eu ia ensinando o que era cada coisa, em português e na Libras", lembra-se. Depois a turminha foi à casa do estudante José Edson Sousa e ajudou a mãe do garoto a preparar diversos pratos, identificando os ingredientes aprendidos em aula.

No dia da festa no colégio, sanfoneiros foram chamados para garantir a animação. Observando os colegas, os alunos com necessidades especiais também dançaram a quadrilha. "Eles sentem a vibração da música e a integração com os ouvintes é salutar", elogia Solange Rocha, professora do Instituto Nacional de Educação de Surdos. Finalmente, na hora de pedir as comidas, ninguém precisou apontar. Bastava fazer o sinal correspondente, na Libras, para ser servido. Maior prova de sucesso não poderia haver: a escola tinha se transformado num espaço de integração — via educação.

Quer saber mais?

Escola Municipal de Educação Infantil Ana Luiza Mesquita Rocha, R. Alagoas, 2051, CEP 49085-000, Aracaju, SE, tel. (0_ _ 79) 241-6653

Festa Junina e Aprendizagem

Este espaço como bem sabe,é um espaço de aprendizagem e de compartilhamento de idéias,de atividades,de textos,de vivências e experiências.
Achei muito interessante este arquivo da nova escola deste mês, e repasso para vocês com os devidos créditos.

Equívocos em série

Aulas perdidas, desrespeito à diversidade cultural e à liberdade religiosa... Aqui, os dez erros mais comuns nas festas escolares

Julia Priolli (novaescola@atleitor.com.br)


Durante o ano, temos 11 feriados nacionais – na média de um a cada cinco semanas –, um monte de datas para lembrar pessoas (Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, do Índio) e fatos históricos (Descobrimento do Brasil, Proclamação da República). Sem contar os acontecimentos de importância regional. Nada contra eles. O problema é que muitas vezes a escola usa o precioso tempo das aulas para organizar comemorações relacionadas a essas efemérides. O aluno é levado a executar tarefas que raramente têm relação com o currículo. Muitos professores acreditam que estão ensinando alguma coisa sobre a questão indígena no Brasil só porque pedem que a turma venha de cocar no dia 19 de abril – o que, obviamente, não funciona do ponto de vista pedagógico.


Festas são bem-vindas na escola, mas com o simples – e importante – propósito de ser um momento de recreação ou de finalização de um projeto didático. É a oportunidade de compartilhar com os colegas e com os familiares o que os alunos aprenderam (leia mais no quadro abaixo). No entanto, não é isso que se vê por aí. A seguir, os dez principais equívocos dos eventos escolares.

1. O desnecessário vínculo com efemérides

Essa palavra estranha tem origem na astronomia e dá nome a uma tabela que informa a posição de um astro em intervalos de tempo regularmente espaçados. No popular, o termo é usado no plural e significa a seqüência de datas lembradas anualmente. Algumas têm dia fixo (Independência, Bandeira); outras, não (Carnaval, Dia das Mães). Até aí, nada de mais. O problema é quando a escola usa tudo isso como base para montar o currículo. "Planejar o ano letivo seguindo efemérides desfavorece a ampliação de conhecimentos sobre fatos e conceitos", afirma Marília Novaes, psicóloga e uma das coordenadoras do programa Escola que Vale, de São Paulo. Exemplo? Dia do Índio. A lembrança não envolve estudos sobre as questões social, histórica e cultural das nações indígenas brasileiras. Para haver aprendizagem, é preciso muita pesquisa e mais do que um dia festivo. Outro caso? Folclore. A escola é invadida por cucas, sacis e caiporas em agosto, já que o dia 22 é dedicado a ele por decreto. Ora, se o planejamento prevê o uso de parlendas e trava-línguas durante o processo de alfabetização e de estruturas narrativas, no ensino de Língua Portuguesa, que tragam informações sobre tradições, crenças e elementos da cultura popular, isso basta para que o tema seja tratado em qualquer época. Sem contar os tópicos cuja expressividade é questionável (Semana da Primavera) ou controversa, como o Dia dos Pais e o das Mães: "Enfatizar datas comerciais como essas é ignorar as mudanças no perfil da família brasileira, que nem sempre conta com as duas figuras em casa", completa a psicóloga.

2. O desrespeito à liberdade religiosa

Dos 11 feriados nacionais, cinco têm origem no catolicismo (Páscoa, Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Finados e Natal). As escolas que seguem essa religião lembram as datas. O problema é que as escolas públicas também. Segundo a Constituição da República, o Brasil é um Estado laico, ou seja, sem religião oficial. Porém, em quase todas as unidades de ensino há algum tipo de comemoração: as crianças da Educação Infantil (não importa se têm ou não religião) se fantasiam de coelhinho e pintam ovos em papel mimeografado. No fim do ano, uma árvore de Natal, com bolas e luzes, é montada na recepção ou no pátio. Segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nos anos 1990, a maioria da população brasileira (73%) é católica. Mas uma escola inclusiva não esquece que os filhos dos 15% de evangélicos e dos 12% de seguidores de outros cultos ou não pertencentes a um deles também estão na sala de aula, certo? Para Renata Violante, consultora pedagógica do Instituto Sangari, em São Paulo, os educadores não podem dar a entender que uma religião é superior a outra (quais são mesmo as datas importantes para espíritas, judeus, budistas, islâmicos e tantos outros?). Existem espaços próprios para cultos. Definitivamente, a escola não é um deles. As festas juninas são um caso à parte: elas se tornaram uma instituição e perderam o vínculo religioso. O enfoque folclórico, resgatando alguns hábitos e brincadeiras e a culinária do homem do campo, tornaas mais democráticas.

3. A confusão entre o currículo e o tema da festa

A festa não ter relação com o currículo é um problema. Mas outro tão grave quanto é usá-la como pretexto para ensinar. "Já que temos de fazer bandeirinhas para enfeitar barraquinhas, então vamos aproveitar para ensinar geometria", pensam alguns professores bem-intencionados, esquecendo que um ensino eficiente requer planejamento, avaliação inicial e contínua e uma seqüência lógica que leve à construção do conhecimento. É como se, de repente, estimar a quantidade de pipocas no saquinho virasse conteúdo de Matemática.

4. O mau uso das poucas horas dedicadas às aulas de Arte

Não raro, o espaço que seria utilizado para essa disciplina é convertido em oficina de enfeites. Para colocar o aluno em situação de aprendizagem, é papel do professor de Arte propor atividades que favoreçam o percurso criador. "A subjetividade não pode ser ofuscada pelo sentido objetivo e funcional do ornamento, com caráter unicamente estético", afirma José Cavalhero, coordenador pedagógico do Instituto Rodrigo Mendes, em São Paulo. Na confecção de bandeirinhas, por exemplo, as crianças são orientadas a seguir um modelo preestabelecido sem dar espaço a suas marcas pessoais nem enfatizá-las. O modelo, que serviria apenas como referência para a elaboração de outras possibilidades, vira matriz para cópias – e a arte é um procedimento mais abrangente do que isso. A produção do estudante deve ter um propósito maior do que atender à expectativa do professor. "Caso a ocupação do ambiente festivo seja encarada como uma instalação ou intervenção artística, aí, sim, o aluno aprende em Arte", afirma Cavalhero.

5. A estereotipação dos personagens

Caipira com dente preto e roupas remendadas em junho, cocares e instrumentos de percussão em meados de abril. Esses estereótipos não correspondem à realidade. Homens e mulheres que moram no interior não se vestem dessa maneira, e os índios brasileiros vivem em contextos bem diferentes. "É inconcebível se divertir com base em elementos que remetem à humilhação e à ridicularização do outro", diz Mario Sérgio Cortella, filósofo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em sua opinião, essas práticas destoam da intenção educativa acolhedora e pluralista, pois, toda vez que se trata o outro com estranhamento, se promove a idéia de que há humanos que valem mais e outros, menos. "Quadrilha, sim, mas sem maquiagem nem fantasias grotescas que humilhem o homem do campo", completa Cortella.

6. A obrigatoriedade da participação

"Professora, não quero dançar", diz um. "Tenho vergonha de falar na frente de todo mundo", avisa outro. Quem já não ouviu essas frases dias antes de um evento escolar? Quando a festa nada tem a ver com a aprendizagem, os alunos não são obrigados a participar. Nesses casos, é proibido causar qualquer tipo de constrangimento a eles. Cabe ao professor colocar pouca ênfase nos momentos não relacionados ao aprendizado. "Imagine o que uma criança sente quando é colocada à força no meio da quadrilha. É uma atitude desrespeitosa com os sentimentos e a individualidade dela", afirma Maria Maura Barbosa, do Centro de ocumentação para a Ação (Cedac), de Paraupebas, a 700 q uilômetros de Belém. Ela afirma ainda que alguns pais optam por não se envolver por razões financeiras. "Quem não tem condição de arcar com uma fantasia para os filhos fica envergonhado e não participa. Fala-se tanto em inclusão, mas as festas às vezes excluem."

7. A finalidade incerta dos recursos arrecadados

Pequenas reformas, mobiliário novo, material pedagógico... Quando a verba que vem da secretaria não dá para comprar tudo, pensa-se em festa para arrecadar fundos. A comunidade é convidada, participa, gasta, e muitas vezes não fica sabendo o destino dos recursos. Pior, às vezes o dinheiro que seria usado na ampliação da biblioteca ou na compra de computadores vai para outro fim. A solução é divulgar o objetivo da iniciativa e prestar contas quando o bem for adquirido. Em tempo: a arrecadação sempre aumenta quando bebidas alcoólicas são vendidas. Renata Violante não acredita em meio-termo: "A bebida deve ser proibida. Os diretores que inventem outras maneiras de obter mais dinheiro".

8. O objetivo principal ser apenas atrair os pais

Eles não costumam ir às reuniões, não conversam com os professores sobre o avanço dos filhos e mal conhecem a escola. Os diretores pensam: "Quem sabe, para se divertirem, os pais venham até nós". Embora os momentos de confraternização com os familiares sejam importantes, eles não devem ser a única maneira de envolvê-los. Reuniões marcadas com antecedência e planejadas para compartilhar o processo de aprendizagem e a produção intelectual, artística e esportiva das crianças são as iniciativas que exibem os melhores resultados quando o objetivo é atrair e conquistar as famílias.

9. A única maneira de socializar a aprendizagem

Um dos objetivos da escola deve ser exibir a produção intelectual e artística do aluno, principalmente aos pais, nas mais variadas ocasiões. Fazer uma festa é apenas uma possibilidade, por isso não deve ser usada em excesso. Geralmente, o caráter de recreação costuma dificultar a apresentação dos saberes. "Já feiras e exposições favorecem o foco no conhecimento e permitem ainda situações de comunicação oral formal, importante maneira de compartilhar o aprendizado", explica Maura Barbosa, do Cedac. Exemplos: um seminário sobre um conteúdo trabalhado em Ciências ou um sarau de poesia. (E, depois disso tudo...)

10. O precioso tempo jogado fora

Usar a sala de aula ou o período que deveria ser dedicado a atividades pedagógicas para os preparativos é um desrespeito com as crianças e com o compromisso que a escola tem de ensinar. "O diretor raramente investe na reflexão sobre os indicadores de aprendizagem dos alunos o mesmo tempo que gasta com a produção dos eventos. O professor, por sua vez, deixa de promover situações intencionais de ensino", afirma Maura. Se a festa não é concebida como maneira de contextualizar os conteúdos aprendidos, ela deve ser organizada sempre em horários alternativos aos das aulas.

Tem de ter festa!

Ninguém é contra festas, desde que elas sejam para recreação pura e simples ou uma maneira de socializar o aprendizado. As do primeiro tipo podem envolver todos e ser muito divertidas, desde que não ocupem o tempo de sala de aula na organização. Já as que são planejadas para finalizar o estudo de determinado conteúdo exigem muito preparo. Quando o evento faz parte do projeto didático, o tema precisa ser previsto no currículo (e é dispensável a relação com efemérides) e nada mais justo do que usar o tempo de sala de aula para a sua produção (que também envolve aprendizado). Antes de bolarem o evento junto com o professor, os alunos certamente serão convidados a pesquisar, levantar hipóteses, realizar diversos tipos de registros e trocar conhecimentos com os colegas. Já que a festa é uma das etapas do processo, fica proibido deixar alguém de fora. Se um aluno não quiser participar por qualquer motivo, cabe ao professor envolvê-lo e ajudá-lo a superar as dificuldades que surgirem, seja em relação a timidez, seja em relação a habilidades de comunicação.