sábado, 24 de outubro de 2009

Educar para os Direitos Humanos

Fui convidada para participar de um Colóquio sobre Direitos Humanos.

Fiquei pensando sobre o que poderia falar sobre um tema tão amplo, então a resposta veio rápida: Não há muito o que pensar. Toda a minha vida é baseada nessa luta.

Tenho mais do que papéis para me assegurar alguma especialiazação, tenho minha própria história de vida, como diploma certificante.

Sou uma Pedagoga militante dos Direitos Humanos, e tenho muito orgulho disso.

Fiz a minha escolha há muito tempo, quando tomei a minha posição na vida pessoal e profissional.

Mas do que uma pedagoga militante, nasci numa classe desprivilegiada, filha de mãe trabalhadora pobre, de emigrante pobre, moradora da baixada fluminense, oriunda do sistema publico de ensino, militante politica de movimento estudantil, de emancipação de mulheres, de movimento negro, enfim, eu estou sentada na cadeira certa.

Então escolhi meu temapara o colóquio: Educar para os Direitos Humanos.

Por que desta escolha? Por que a educação é o maior dos Direitos humanhos negado às classes desfavorecidas.

Nega-se esse direito desde sempre no Brasil.

As escolhas governamentais sempre fizeram uma opção.

E a opção sempre foi baseada nas diferenças sociais e econômicas que separam nosso povo entre os que podem tudo e os que não podem nada.

Essa diferença social e econômica são uma das marcas identitárias do nosso povo. Uma diferença quinhentista, que nasce junto com o povo brasileiro e se confude com ele próprio.

E essa marca resvala na educação.A educação como já estamos cansados de saber por Bordieu é o um dos maiores centros de reprodução do pensamento ideologizante dominante que pode existir numa sociedade.

Educar para os direitos humanos portanto se torna fundamental, pois significa formar uma rede para dignificar a pessoa humana, através da promoção da igualdade racial, da solidariedade, de respeito às diferenças e às vivências.

É preciso transformar em prática, valores, atitudes não discriminatórias, hábitos e comportamentons numa educação compartilhada e solidária.

Compreender de onde vem o nosso aluno, sua origem étnica, social, econômica, cultural linguistica, é compreendee e respeitar essa origem,para encontrar meios de dar significância e signficado aos conhecimentos historicanente contruídos.

Como professores precisamos garantir que nossos alunos possam expressar o que pensam, o que querem, suas idéias sobre este mundo tão vasto e conturbado que se apresenta diante de nós.

Na sala dos professores frequentemente ouvimos que nossos alunos não querem nada.
Mas não acho que seja assim.Eles simplesmente não sabe o que querem.
Mundo vasto mundo, já dizia o poeta, e é assim mesmo. A vida apresenta muitos caminhos, muitas informações e gargalhos que precisam ser contornados.

A escola é a única opção para muitos. Não somos conselheiros da vida de ninguém, mas somos formadores de gente.
E isso é opcional., embora não devesse ser assim.
O professor não precisa optar pelo humano, mas também depois não pode reclamar do
o aluno que tem.
Porque a educação é isso aí mesmo: Uma via de mão dupla.

Os direitos humanos tem que respeitar os desejos humanos.

O desejo de ser respeitado, livre, o desejo de conhecer, de ter sua linguagem e meios valorizados não é apenas o desejo do professor.

Quando a gente começa a pensar que todos fazemos parte de uma rede, passamos a não nos sentir tão sozinhos e se aprendermos a nos solidarizar com os outros, redescobrimos bem rápido o prazer de ver obrilho no olhar do nosso aluno.

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