segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre o caso da UniBan

Como pedagoga, esse caso  me surpreendeu  bastante, ainda no inicio da semana  passada, quando  as cenas da estudante sendo perseguida pelos colegas nos corredores porque simplesmente vestia um vestido curto na universidade foram ao ar.

Eu não consegui entender os motivos da perseguição, visto que vivemos num mundo de  grandes e ininterruptas exposições midiáticas, de you tubes e twiters da vida.

O vestido da aluna era curto? Sim. Impróprio? Talvez.

Vivemos num mundo onde as pessoas  vestem para serem vistas, pode ter havido  um pouco de exibicionismo por parte da aluna, mas nada que justfique tamanha histeria.
Eu não sou de julgar ninguém, meu lema é viva e deixe viver, até porque acho insuportável se  meterem na minha vida e acho desnecessário fazer isso com os outros.

Eu como  ex-aluna de uma uninersidade pública do Rio de Janeiro, a Uni Rio, me acostumei a ver todos os tipos de estudantes num convívio democrático de gostos e cores.

Havia desde os engravatdaos alunos de Direito, até os multicoloridos estudantes de teatro, passando pelos ripongas, os  góticos que se vestem de preto, os alternativos, os moderninhos, os que só usam chinelo de dedo, enfim, todos os tipos de gentes, personificados cada um no seu estilo de ser e portanto de se vestir.

Nunca me liguei que alguém  pudesse perseguir uma pessoa numa universidade, lugar de convivio intelectual,  de construção de  democracia, de produção técnico-científica, cultural, artística, acadêmica e administrativa.

Que universidade é essa onde  esses alunos  estudam?  Que tipo de formação eles estão tendo? Que tipo de pessoas são essas que se sentem ameaçadas, subjulgadas, ofendidas  por um  simples vestido?
Que universidade é essa que acolhe o  preconceito e expulsa  uma aluna baseada em conceitos morais  duvidosos?

Que instituição pedagogicamente  séria  toma uma atitude dessas?

A universidade ao expulsar a aluna respaldou a atitude retrógrada, preconceituosa,machista, ignorante no pior sentido da palavra dos alunos que segundo o reitor, tiveam uma reação coletiva em defesa do ambiente escolar.
A aluna foi agredida, ameaçada de linchamento por ser quem é, por vestir o que deseja e ainda foi acusada de ser a culpada da agressão pela universidade no melhor estilo " E não sei porque estou batendo, mas você  sabe porque está apanhando".

Reação coletiva em defesa  do ambiente escolar para mim é honrar a universidade que você estudou ou estuda retribuindo  com produção intelectual  para a sociedade retribuindo aquilo que você  teve o privilégio de vivenciar neste espaço de construção acadêmica tão importante.

Obviamente o indefectível vestido vermelho não é o tipo de roupa que eu escolheria para frequentar uma aula,mas vá lá saber o que se passou na cabeça da jovem...
De repente ela ia sair para uma balada após a aula.

Mas o mais importante dessa história toda  é que as  pessoas tem o direito de  vestir  o que quiserem, afinal  por mais curto qe fosse sua vestimenta, ainda sim, ela estava vestida(.Em ultima análise devemos ressaltar que estamos falando de uma universidade localizada num centro urbano reconhecido como um dos mais importantes da américa latina e não de um povoado  qualquer do interior do Brasil).

O fato do reitor ter voltado  atrás e revogado a expulsão não adianta de muita coisa.A primeira impressão é sempre a que fica. E não há justificativas plausíveis para  a perseguição insólita  que aconteceu ali.

A meu ver, expulos deveriam ser cada um dos alunos que propiciaram tão  cuel  e indigno comportamento em pleno século XXI, numa universidade que deveria ser o berço de discussão coletiva e o lugar onde as diferenças, a diversidade, devem ser tolerados, juntamente com o direito à  liberdade de ir, vir e ser quem somos.  

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