terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A fábula da águia e da galinha

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.

Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:

- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.

- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.

- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:

- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou:

- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.

Sussurrou-lhe:

- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!

Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.

O camponês sorriu e voltou a carga:

- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!

- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e
dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:

- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.

Foi quando ela abriu suas potentes asas.

Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.

Voou. E nunca mais retornou."

Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos
que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”

Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo, por Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

SE VOCÊ QUISER CRESCER

As palavras certas ditas nas horas certas, fazem uma diferença danada na vida da gente. A auto-motivação é importante na nossa caminhada não somente de educador, ams sobretudo na nossa caminhada como de ser humano.

Algumas frases motivacionais para vocês.

"O destino destina, e eu faço o resto."

"Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao andar."

"Vem vamos embora..., quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."

"Se você não gosta do que está recebendo, preste atenção no que está emitindo."

"Se você continuar fazendo o que sempre fez, continuará obtendo o que sempre obteve."

"Para entender o que acontece com você, é necessário perceber as crenças que estão regulando sua vida."

"É preciso reconhecer as crenças que estão governando sua vida e mudá-las."

"Sinto muito, mas é assim que eu sou... Sempre fui assim... Não vou mudar agora..." é um lema fácil e um auto-engano a que você pode recorrer se não quiser crescer.

"O homem é, não o centro estático do mundo - como ele se julgou muito tempo - mas o eixo e flecha da evolução.

"Já que não podemos ser Deus, podemos querer ser o melhor de sua criação".

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nietzsche

“Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento.

Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto.

Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza.

Houve eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Pois não há para aquele intelecto nenhuma missão mais vasta que conduzisse além da vida humana.

Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela bóia no ar com esse páthos e sente em si o centro voante deste mundo.

Não há nada tão desprezível e mesquinho na natureza que, com um pequeno sopro daquela força do conhecimento, não transbordasse logo um odre; e como todo transportador de carga quer ter seu admirador, mesmo o mais orgulhoso dos homens, o filósofo, pensa ver por todos os lados os olhos do universo telescopicamente em mira sobre seu agir e pensar.”

sábado, 20 de dezembro de 2008

Cursos à Distancia

São ótimos para a gente que tem uma vida agitada, e vale a pena mesmo, já fiz várias extensões à distância que contribuem de maneira efetiva para minha formação, além do mais estudar à distância nos desafia a dar caraterísticas como organização, determinação ao nosso perfil.

São habilidades que podem e devem ser adquiridas por nós educadores e educadoras.

IDCP- Instituto de Desenvolvimento e Capacitação Profissional


ü ALFABETIZAÇÃO UMA LEITURA DO MUNDO

ü JOGOS, BRINQUEDOS E EDUCAÇÃO.

ü AVALIAÇÃO: O DESAFIO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

ü GESTÃO EDUCACIONAL

ü DO PLANEJAMENTO À PRÁTICA: MÉTODOS E PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO


Vantagens:


ü Cada curso é composto de módulos com explicações teóricas, exercícios práticos, sugestões de atividades, textos de vários autores pertinentes ao assunto abordado e referências bibliográficas.



ü O certificado de conclusão é conferido pelo IDCP – Instituto de Desenvolvimento e Capacitação Profissional e pelo PRONAQUE – Programa Nacional de Qualificação de Educadores.



ü Preços acessíveis



ü Adequação ao ritmo da vida pessoal e profissional de cada um, mantendo um alto nível de qualidade.




Investimento por curso:

R$30,00 por cada módulo em arquivo formato *.PDF, enviado via e-mail.

R$50,00 por cada módulo impresso (valor referente à impressão + encadernação e envio pelo correio).

10% de desconto na compra, à vista, do curso completo (04 módulos).



Informações e inscrições:

www.idcp.pro.br

faleconosco@idcp.pro.br

Telefone: (21) 3268-5734

REPASSE PARA PESSOAS COM INTERESSE NA ÁREA

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Papai Noel Existe?

"Uma professora foi demitida na Inglaterra após fazer 25 crianças chorarem ao contar que Papai Noel, na verdade, não existia...

O incidente ocorreu durante uma aula para alunos de 6 a 7 anos em um colégio da cidade de Royton.

Os alunos discutiam o que receberiam do Papai Noel no Natal, quando a professora afirmou: "mas são seus pais que vão deixar presentes para vocês no dia 25 de dezembro".

Os alunos começaram a chorar e alguns, ao chegarem em casa, avisaram os pais do que havia acontecido na escola.

A diretora da escola evitou comentar o assunto, mas afirmou que a professora responsável pela "morte" do segredo foi demitida."

Fonte: Fatima Gomes In: Noticias Educacionais Blogspot

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Presente de natal

Enveredando por mais uma campanha bacana.

Dê livros de presente de natal!!!!




Aqui você encontra uma lista de livros que valem a pena ser lidos e presenteados.
Site em inglês.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Método Lancaster

E como a curiosidade chama curiosidade, chamou-me atenção no decreto lei de 1827 a questão dos castigos físicos a lá Lancaster.

Fui pesquisar e encontrei algumas coisas bem interessantes.

Mas como a investigação é uma parte importante do conhecimento humano, eis que vou descobrindo coisas e compartilhando com vocês.

Partindo para um reflexão após as leituras, pude observar muitas coisas cristalizadas até hoje na escola e vários comportamentos ainda hoje exibidos e perpetuados.

Vamos a alguns pontos relevantes do Método:

Joseph lancaster era inglês, defensor confesso da nobreza e membro da seita dos Quaker.Para ganhar a vida na Inglaterra do século XIX criou uma escola para filho dos trabalhadores independente do credo e da posição social.

-O Método Lancaster foi o primeiro método oficial de ensino implementado no Brasil,que marca o inicio da descolonização e da instituição do Estado Nacional.


- O Método Lancaster é também conhecido como método de ensino mútuo ou monitorial. Ou seja os alunos mais avançados ensinam aqueles que ainda não aprenderam

-Foi instituído como Ensino oficial no decreto de 15/10/1827 e perdurou até 1946.

-A organização do tempo escolar e a distribuição das atividades
pedagógicas, era de aproximadamente 5 horas,divididas entre o período da manhã e da tarde.

-O processo de avaliação formava o individuo competitivo. A competição era incentivada com recompensa aos alunos.

-O sistema constituía que osalunos avaliavam-se mutuamente e continuamente, quando estavam realizando as tarefas de leitura entre outros.

-A avaliação dava-se quando o mestre chamava seis alunos de cada vez, por classe, e
verificava a dominação dos saberes de sua série.

- Com relação ao conteúdo : O ensino da aritmética era o domínio da escrita dos números de 1 a 9, conhecimento das primeiras tabuadas ou combinações das primeiras quatro regras ficassem decoradas na memória:Adição, Subtração, Multiplicação e Divisão.

-Demais Matérias pedagógicas:livro de soletrar, bilhetes de acusação e de vergonha, títulos de classes e outras.

-Seu método consistia que um mestre instruía até 1000 alunos(!!!!)por vez;

-A função do monitor não era ensinar ou corrigir os erros, mas sim na de coordenar para que os alunos se corrigissem entre si.

-A estrutura física exigia uma única sala quadrada, longa e bem ventilada, com uma plataforma elevada, com uma escrivaninha de onde o professor avistava todos os alunos.

- Os monitores também eram responsáveis pela organização geral da escola, pela limpeza e, fundamentalmente, pela manutenção da ordem e da civilização. Achava que assim tolhia-se as revoltas populares.

-Em oito meses os alunos deveriam ler, escrever e contar as quatro operaçãoes.

-Como recurso, utilizavam pequenas tabuas com areia onde os alunos escreviam.As lousas pequenas serviam para escrever, as lousas grandes para ler e os livros eram abolidos.

-O método baseia-se no ensino oral, na repetição e, principalmente, na memorização, porque acreditava que a inibia a preguiça, a ociosidade, e aumentava o desejo pela quietude.

-O Método previa castigos.

- Os modos e instrumentos de castigos eram variados. Muitos castigos eram morais, utilizados conforme as faltas disciplinares do alunos.

- Os castigos nunca eram repetidos.

- O Método foi aplicado em diversas partes do globo, desde a Inglaterra, onde o quaker iniciou o seu emprego, até a Suécia, Peru e Rússia, passando por Portugal, Chile e Brasil.


REFERÊNCIA: Leandro de Araújo Crestani.In: A Instrução Pública, O pedagógico de Lancaster e a Instituição do Estado Nacional.

Porque 15 de outubro é o dia do professor?

Nunca havia parado para pensar nesse assunto mesmo depois de tantos anos no magistério.
Isso me deu a noção exata do quanto cristalizamos as informações que nos são dadas, sem ao menos pensar ou refletir sobre elas.
Ao ler o texto de dissertação de mestrado PROFISSIONALIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO FEMININO: uma história de
emancipação e preconceitos de, Marlete dos Anjos Silva Schaffath, descubro que em 1827, criou-se o Decreto- Lei de 15 de Outubro que criava as primeiras escolas primárias para o sexo feminino do Império do Brasil.

O Dia dos Professores foi efetivamente criado pelo decreto federal nº 52.682 de 1963.

Ei-lo:

Lei de 15 de outubro de 1827

D. Pedro I, por Graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos súditos que a Assembléia Geral decretou e nós queremos a lei seguinte:

Art. 1o Em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos, haverão as escolas de primeiras letras que forem necessárias.

Art. 2o Os Presidentes das províncias, em Conselho e com audiência das respectivas Câmaras, enquanto não estiverem em exercício os Conselhos Gerais, marcarão o número e localidades das escolas, podendo extinguir as que existem em lugares pouco populosos e remover os Professores delas para as que se criarem, onde mais aproveitem, dando conta a Assembléia Geral para final resolução.

Art. 3o Os presidentes, em Conselho, taxarão interinamente os ordenados dos Professores, regulando-os de 200$000 a 500$000 anuais, com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares, e o farão presente a Assembléia Geral para a aprovação.

Art. 4o As escolas serão do ensino mútuo nas capitais das províncias; e serão também nas cidades, vilas e lugares populosos delas, em que for possível estabelecerem-se.

Art. 5o Para as escolas do ensino mútuo se aplicarão os edifícios, que couberem com a suficiência nos lugares delas, arranjando-se com os utensílios necessários à custa da Fazenda Pública e os Professores que não tiverem a necessária instrução deste ensino, irão instruir-se em curto prazo e à custa dos seus ordenados nas escolas das capitais.

Art. 6o Os professores ensinarão a ler, escrever, as quatro operações de aritmética, prática de quebrados, decimais e proporções, as noções mais gerais de geometria prática, a gramática de língua nacional, e os princípios de moral cristã e da doutrina da religião católica e apostólica romana, proporcionados à compreensão dos meninos; preferindo para as leituras a Constituição do Império e a História do Brasil.

Art. 7o Os que pretenderem ser providos nas cadeiras serão examinados publicamente perante os Presidentes, em Conselho; e estes proverão o que for julgado mais digno e darão parte ao Governo para sua legal nomeação.

Art. 8o Só serão admitidos à oposição e examinados os cidadãos brasileiros que estiverem no gozo de seus direitos civis e políticos, sem nota na regularidade de sua conduta.

Art. 9o Os Professores atuais não serão providos nas cadeiras que novamente se criarem, sem exame de aprovação, na forma do Art. 7o.

Art. 10. Os Presidentes, em Conselho, ficam autorizados a conceder uma gratificação anual que não exceda à terça parte do ordenado, àqueles Professores, que por mais de doze anos de exercício não interrompido se tiverem distinguido por sua prudência, desvelos, grande número e aproveitamento de discípulos.

Art. 11. Haverão escolas de meninas nas cidades e vilas mais populosas, em que os Presidentes em Conselho, julgarem necessário este estabelecimento.

Art. 12. As Mestras, além do declarado no Art. 6o, com exclusão das noções de geometria e limitado a instrução de aritmética só as suas quatro operações, ensinarão também as prendas que servem à economia doméstica; e serão nomeadas pelos Presidentes em Conselho, aquelas mulheres, que sendo brasileiras e de reconhecida honestidade, se mostrarem com mais conhecimento nos exames feitos na forma do Art. 7o.

Art. 13. As Mestras vencerão os mesmos ordenados e gratificações concedidas aos Mestres.

Art. 14. Os provimentos dos Professores e Mestres serão vitalícios; mas os Presidentes em Conselho, a quem pertence a fiscalização das escolas, os poderão suspender e só por sentenças serão demitidos, provendo interinamente quem substitua.

Art. 15. Estas escolas serão regidas pelos estatutos atuais se não se opuserem a presente lei; os castigos serão os praticados pelo método Lancaster.

Art. 16. Na província, onde estiver a Corte, pertence ao Ministro do Império, o que nas outras se incumbe aos Presidentes.

Art. 17. Ficam revogadas todas as leis, alvarás, regimentos, decretos e mais resoluções em contrário.

Mandamos portanto a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir, e guardar tão inteiramente como nela se contém. O Secretário de Estado dos Negócios do Império a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Rio de Janeiro, aos 15 dias do mês de outubro de 1827, 6o da Independência e do Império.

IMPERADOR com rubrica e guarda Visconde de São Leopoldo.

Carta de Lei, pela qual Vossa Majestade Imperial manda executar o decreto da Assembléia Geral Legislativa, que houve por bem sancionar, sobre a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império, na forma acima declarada.

Para Vossa Majestade Imperial ver.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Alunos da rede pública devem devolver livros didáticos no fim do ano letivo

Quando chega o final do ano letivo nas escolas públicas, chega também a época da devolução do livro didático. Confeccionado com uma estrutura física resistente, cada exemplar tem durabilidade prevista de três anos, ou seja, deve ser utilizado por três estudantes em três anos consecutivos.

Para que o livro didático seja bem utilizado e ninguém saia prejudicado com a falta de material pedagógico, é importante que alunos, pais, professores e diretores estejam conscientes da importância da boa conservação dos exemplares e de sua devolução à escola no fim do ano.

Com o objetivo de reforçar esse comportamento, o Ministério da Educação e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela compra e distribuição dos livros didáticos para os alunos das redes públicas de ensino fundamental e médio, lançaram nesta semana uma campanha nacional, veiculada em emissoras de rádio e tevê de todo o país.

Perdas – Além de prejudicar estudantes, a má conservação dos livros e a falta de devolução ocasionam gastos para o governo federal. Segundo levantamento feito pelo FNDE, as maiores perdas ocorrem na região Norte, onde 16,5% dos exemplares são perdidos a cada ano, seguida do Nordeste, com 14,9%, do Centro-Oeste (12,1%) e do Sudeste (11,4%). A região Sul, onde a perda é de 7,2%, está bem abaixo da média nacional, que é de 13%. “Esses números são os que usamos para a reposição do livro didático todos os anos. Se os estados e municípios não conseguirem uma devolução considerável, os estudantes podem ficar sem material”, afirma Sônia Schwartz, coordenadora-geral dos programas do livro do FNDE.

Algumas cidades adotam estratégias simples para efetivar a devolução. “Muitas escolas promovem gincanas no fim do ano, dando pontos extras para as turmas com maior percentual de livros devolvidos; outras fazem prova com consulta nos últimos dias do ano e aproveitam para recolher os exemplares”, diz Sônia.

A coordenadora lembra que é importante que os diretores registrem o número de livros devolvidos no Sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort), disponível no sítio eletrônico do FNDE. “O Siscort é uma ferramenta essencial para fazer o remanejamento dos livros didáticos das escolas que têm mais do que precisam para aquelas em que faltam exemplares.”

Assessoria de Comunicação Social do FNDE

Uma dica que sempre utilizei nessa época era fazer uma campanha para devolução.
Pintava caixas coloridas para identificação da série e deixava num lugar visível para as crianças verem.

Fazer murais também é impoortante, agora, o que nunca deixei de fazer o ano todo desde o inicio do ano letivo foi conscientizar o aluno da importância da devolução.

Tinhamos anulamente uma devolução de 98% dos livros.

Bom trabalho a todos!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pequenos Furtos Infantis

"Você já abriu a mochila do seu filho e deu de cara com uma lapiseira, um brinquedinho ou outro objeto que você não comproue que ele não ganhou de presente? Ou então, já sentiu falta de alguns trocadinhos que jurava ter deixado na bolsa? A primeira idéia que vem à mente é a de que seu filhote roubou, não é?

Tranqüilize-se, pois o fato de seu filho levar para casa o lápis do colega ou pegar um ou dois reais da sua carteira, sem permissão, não quer dizer que ele esteja a caminho da delinqüência ou que seja um cleptomaníaco. Cleptomania, se você não sabe, é o nome de um distúrbio comportamental relacionado ao furto repetido de pequenas quantias em dinheiro ou objetos sem muito valor."Sem dúvida, a criança que desenvolve esse hábito está sinalizando um momento de conflito, mas esse não é um motivo para levá-la imediatamente ao psicólogo.

Os pais devem conversar com o filho para saber por que ele fez aquilo e explicar que esse tipo de atitude não é correto", diz a psicóloga Maria Regina Albertini, de São Paulo."É importante informar aos pais que não há criança cleptomaníaca. Esse tipo de doença decorre de distúrbios emocionais e aparece apenas na adolescência e na fase adulta", complementa Maria Regina.No centro dos holofotesA criança menor, de dois a quatro anos, ainda não tem maturidade para entender que não pode pegar, sem permissão, o que não é dela. Nessa idade, a garotada não tem maldade ou malícia para querer se apoderar do que é do outro. Quando o faz, é porque acha o brinquedo atraente e gostaria de tê-lo.Os pais não devem esperar para ensinar ao filho que é errado pegar as coisas dos amiguinhos.

O melhor é que eles façam isso assim que a criança aparecer com algo que não é dela. Porém, antes de tomar qualquer medida, tente investigar por que o objeto está ali. Pergunte a ele! Seu filho pode ter ganhado um presentinho da professora ou mesmo de um amigo. Em caso de dúvida, cheque a informação na escola.Dependendo da maturidade da criança - normalmente a partir dos cinco anos - o fato de levar para casa coisinhas que não pertencem a ela merece atenção, principalmente se começar a se tornar rotina.

O garoto está, provavelmente, tentando substituir algo de que sente falta pelo objeto furtado.Numa conversa franca e atenta com ele, você terá condições de avaliar se o motivo do furto foi exclusivamente o desejo de possuir um objeto igual ao do amigo ou se há um distúrbio emocional desencadeando tal comportamento.

Chamar a atenção dos pais pode ser a causa. É bom deixar claro que, nem sempre, a carência de atenção é fruto da ausência dos pais. Há crianças que precisam ser mais cuidadas do que outras e algumas encontram, nos pequenos delitos, a única forma de demonstrar essa necessidade.

Mesmo os maiorzinhos, até dez anos, não devem ser castigados por desejar e "surrupiar" aquilo que não é deles. É sinal de que eles, ainda, não aprenderam a lidar com a frustração de não possuir certas coisas ou, quem sabe, estão com dificuldades para enfrentar certas emoções.Mais uma vez, o caminho para resolver essa questão é ouvir o que a criança tem a dizer a respeito e explicar a ela que nem sempre conseguimos tudo o que queremos.

Aproveite para deixar claro que você está sempre disposto a bater um papinho amigo.Conversar é o melhor remédio.Em primeiro lugar, é importante reconhecer que, se a criança levou para casa objetos que não são seus, significa que ela pode estar precisando de ajuda. Afinal, essa é a única forma que ela tem de se expressar.Significa, também, que faltou diálogo para que seu filho tivesse a oportunidade de falar sobre o dia-a-dia - na escola, no playground, na brincadeira com os amiguinhos.

Nesses bate-papos, os pais se interam do universo da criança, que costuma dar sinais quando algo de novo está rondando sua cabecinha.Uma vez que ela tenha pego algo que não é seu, precisa ouvir sobre o assunto e perceber a gravidade desse ato. Respeite a maturidade de seu filhote e tome cuidado para não transformar o caso num drama (você já viu que ele merece atenção, mas não desespero).

"Para as crianças a partir dos sete anos, vale estabelecer uma pequena mesada que lhe permita comprar as bugigangas que deseja - doces, balas, salgadinhos, figurinhas. Isso evita que elas caiam na tentação de levar o que é do amiguinho", aconselha Maria Regina.Se acontecer mais de uma vez, não entre em pânico: ouça o pequeno, converse e explique tudo mais uma vez. Assim, o sintoma tende a desaparecer. Caso a mania persista, peça orientação a um psicólogo."

por Dra. Shirley de Campos Johnson & Johnson

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Bullying

O que é:

Bullying é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos que são adotados por um ou mais alunos contra outros colegas, sem motivação evidente. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira, mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos provoca dor, angústia e sofrimento na vítima da "brincadeira", que pode entrar em depressão.

As principais formas de maus-tratos:


* Físico (bater, chutar, beliscar).
* Verbal (apelidar, xingar, zoar).
* Moral (difamar, caluniar, discriminar).
* Sexual (abusar, assediar, insinuar).
* Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir).
* Material (furtar, roubar, destroçar pertences).
* Virtual (zoar, discriminar, difamar, por meio da internet e celular).

Sinais de que seu filho é vítima bullying

* Apresenta com freqüência desculpas para faltar às aulas ou indisposições como dores de cabeça, de estômago, diarréias, vômitos antes de ir à escola.
* Pede para mudar de sala ou de escola, sem apresentar movitos convincentes
* Apresenta desmotivação com os estudos, queda do rendimento escolar e dificuldades de concentração e aprendizagem.
* Volta da escola irritado ou triste, machucado, com as roupas ou materiais sujos ou danificados.
* Apresenta aspecto contrariado, deprimido, aflito, ou tem medo de voltar sozinho da escola.
* Possui dificuldades de relacionar-se com os colegas e fazer amizades.
* Vive isolado em seu mundo e não querer contato com outras pessoas que não façam parte da família.

O que fazer se o seu filho é vítima

* Observe qualquer mudança no comportamento.
* Estimule para que fale sobre o seu dia-a-dia na escola.
* Não culpe a criança pela vitimização sofrida.
* Transforme o seu lar num local de refúgio e segurança.
* Ajude a criança a expressar-se com segurança e confiança.
* Valorize os aspectos positivos da criança e converse sobre suas dificuldades pessoais e escolares.
* Procure ajuda psicológica e de profissionais especializados.


Sinais de que seu filho pratica bullying.
* Apresenta distanciamento e falta de adaptação aos objetivos escolares.
* Volta da escola com ar de superioridade, exteriorizando ou tentando impor sua autoridade sobre alguém.
* Apresenta aspecto e/ou atitudes irritadiças, mostrando-se intolerante frente a qualquer situação ou aos diferentes aspectos das pessoas.
* Costuma resolver seus problemas, valendo-se da sua força física e/ou psicológica.
* Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva com os irmãos e pais, podendo chegar a ponto de atemorizá-los sem levar em conta a idade ou a diferença de força física.
* Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem.
* Apresenta habilidades em sair-se de "situações difíceis".

O que fazer se o seu filho pratica bullying

* Observe atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pela criança.
* Mantenha tranqüilidade e calma. Converse, objetivando encontrar os motivos que o levam a agir desta maneira.
* Reflita sobre o modelo educativo que você está oferecendo ao seu filho.
* Evite bater ou aplicar castigos demasiadamente severos. Isso só poderá promover raiva e ressentimentos. Procure profissionais que possam auxiliá-lo a lidar com esse tipo de comportamento.
* Dê segurança e amor.
* Incentive a mudança de atitudes. Um bom começo é pedir desculpas e deixar a vítima em paz.
* Não ignore o fato ou ache desculpas para as suas atitudes. Lembre-se que com o tempo esse comportamento pode conduzir a uma vida delituosa e infeliz.
* Procure a direção da escola ou ajuda de um conselho tutelar.
* Participe de projetos solidários propostos pela escola e incentive seu filho a participar.


*Fonte: Centro Multiprofissional de Estudos e Orientação Sobre o Bullying Escolar (CEMEOBES).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Homenagem a afro-brasileiros históricos destaca anistia a João Cândido

Saudação em ioruba, cenário com personalidades afro-brasileiras, músicas com temática negra e homenagem ao marinheiro João Cândido marcaram nesta terça-feira, 25, a abertura da 4ª Semana da Consciência Negra do Ministério da Educação. O tema central das atividades, que se estenderão até sexta-feira, 28, é a valorização das personalidades negras brasileiras.

“É um gesto que o país aprendeu a fazer recentemente”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em relação à valorização e à inclusão do negro. Durante a cerimônia, o ministro entregou ao filho do marinheiro João Cândido, Adalberto Cândido, uma placa em homenagem à promulgação da anistia de seu pai e pelos 98 anos da Revolta da Chibata.

João Cândido é a expressão da luta pela cidadania, e o Brasil precisa valorizar seus heróis - disse Haddad

“João Cândido é a expressão da luta pela cidadania, e o Brasil precisa valorizar seus heróis”, disse Haddad. Conhecido como Almirante Negro, João Cândido liderou a revolta em 1910, no Rio de Janeiro. Ele lutou contra os maus-tratos então impostos aos marinheiros de baixas patentes, que eram punidos com chibatadas. Após o conflito, foi expulso da Marinha e considerado traidor.

Com a concessão da anistia a todos os que participaram do movimento, publicada no Diário Oficial da União em 24 de julho deste ano, o nome de João Cândido passou a ser finalmente reconhecido como o de um herói. “Meu pai foi um homem que lutou pela dignidade do homem”, disse Adalberto.

O representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, Martius Chagas, comemorou as ações de inclusão do afrodescendente na sociedade. “Até 2003, ações de inclusão eram pontuais. Hoje, há uma entrada da população negra nos espaços sociais”, destacou. Para ele, o Programa Universidade para Todos (ProUni) é fundamental para essa mudança. “Só conquistamos igualdade de condições pela educação.”

“Os indicadores dão conta do avanço expressivo da condição do negro”, reforçou o ministro. Para Haddad, o trabalho da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) revela a preocupação institucional do MEC com a temática étnico-racial. “A lei mais recente é a 10.639, importante para que tomemos consciência de como foi forjada a nação”, ressaltou o ministro, em referência à legislação que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileiras no currículo das escolas de educação básica.

No encerramento da cerimônia, a cantora Renata Jambeiro interpretou O Mestre-Sala dos Mares. A música de Aldir Blanc e João Bosco aborda a história de João Cândido. Estampavam o cenário do palco personalidades de destaque, como Clementina de Jesus, Cartola e Machado de Assis.

Por Maria Clara Machado no site do MEC

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Implementação da Lei 10.639/03

Partindo do pressuposto de Bordieu que a escola é o espaço da perpetuação das desigualdades sociais, levanto algumas questões sobre a implementação da lei 10.639/03 no currículo escolar, que obriga o estudo da História da África e da História e Cultura Afro-brasileira.

Sou desde 2005 uma das coordenadoras e a fundadora do Núcleo de Relações Étnicos Raciais da Secretaria de Educação de Japeri, e com base em estudos e observações fui elaborando algumas questões, que considero importantes na implementação da lei federal.

Sou adepta da linha de pensamento que é a partir da reflexão que vamos construindo nossa prática educativa.

Então vamos a algumas reflexões:

Não há dúvida nenhuma da importância do Estudo do Continente Africano nos currículos da escola básica. Este continente desconhecido na verdade é uma das bases da nossa cultura nacional, da nossa língua, da nossa história.

É inegável que precisamos ir além da escravidão nas aulas de História do Brasil. Afinal, todos sabemos que a história do negro que é contada nos livros didáticos começa e termina na escravidão.

Mas, a educação formal é suficiente para a superação da exclusão sócio-racial?O ensino favorece aos alunos negros? e os professores negros?

Os professores estão preparados para a implementação da lei? tem formação suficiente sobre o tema? E como isso está sendo repassado para os alunos?

E se o professor achar desnecessário a lei e considerar que ela não devia existir, quem vai fazer a lei ser cumprida em sua sala de aula?

Como o professor vai ensinar aos alunos a não se sentirem discriminados, se algumas vezes, os próprios professores são alvos da discriminação ou instrumentos dela?

E muitas das vezes, o próprio professor é o agente discriminador.

A minha maior preocupação com relação a implementação é não folclorizar a lei, tornando-a apenas mais um conteúdo e não uma fonte de séria discussão sobre racismo e preconceito no Brasil.

O racismo brasileiro,invisível, é potente na sua atuação. Finge-se que não temos racismo ou finge-se que a miscigenação é facilmente aceitada por todos.

Já que a implementação da lei através da elaboração e planejamento dos conteúdos é de responsabilidade efetiva dos professores, e estes muitas vezes contam apenas com seus esforços pessoais para fazerem a lei tornar-se viva, como fazer essa discussão torna-se efetiva na sala de aula?

Apenas material escrito resolveria a situação? daria cabo de todo choque de idéias e ideiais que permeiam esta discussão?

Como tomar pertencimento dessa lei e fazê-la atuante na sala de aula?

Para que a discussão que a lei prevê efetivamente aconteça, é preciso que haja pertencimento de si mesmo e de nossa etnia.De onde viemos,quem somos, quem são nossos ancestrais....

Além disso, e mesmo sendo uma reivindicação histórica e justa, a lei encontra algumas outras resistências:
Faltas de metas governamentais para a sua implementação;qualificação profissional;reformulação nas grades de graduação e licenciaturas.

Tornar obrigatória essa discussão foi uma atitude corretíssima.Mas e daí?

É preciso mais, muito mais.

Senão, a marca do preconceito e da discriminação irão continuar.
Precisamos encontrar uma maneira coletiva de romper com o engessamento das relações étnicas no Brasil, a começar por nós mesmos.

Porque a escola, a meu ver é o lugar mais privilegiado desta discussão.
É onde ela deve começar,tomar corpo, para ganhar as ruas e mudar as mentalidades.

Vamos refletir sobre isso.

Ausência de Ubuntu

"Outro dia li no jornal sobre o conceito de Ubuntu, que sinceramente, eu nunca tinha ouvido falar,mas que fazia sem saber a um longo tempo.

Ubuntu é uma forma solidária e participativa de enxergar o mundo numa visão de mundo nascida em sociedades africanas, onde não se enxerga apenas o próprio umbigo, mas sim vê o mundo de maneira holística, integrante e integradora.
Este conceito segundo o africano Ishmel Beah, autor do livro “Muito Longe de Casa”, gera mais crimes, desigualdades e aquecimento global.

Como tudo vem da África, o sentido tem consistência, significado e significância.

A África é o continente- mãe no que diz respeito a tradições, a espírito comunitário e valores humanos agregadores. Ubuntu significa aproximadamente “eu existo porque você existe” e não tem uma tradução específica para o inglês ou mesmo para o português.

Adorei saber que o Ubuntu é um conceito que já faz parte da minha vida. Participar com ações para mudar a vida do outro para melhor é o sentido da minha vida a muito tempo. Porém como educadora tenho muito pesar em dizer que a educação tem ausência de Ubuntu.

Ubuntu a meu ver significa acolher e se sentir acolhido. Sentimentos bastante distantes do espaço escolar.
A escola tem uma grande ausência e carência, na verdade, de Ubuntu.

Para a escola ter Ubuntu, é preciso deixar a individualidade de lado e fazer da alteridade, da conexão com o outro o único caminho viável para mudar este mundo que está aí, essa educação desagregadora que esta aí, e ajudar o ser humano a ser mais ....humano.

O indizível Nobel da Paz Desmond Tutu ( salve salve sua batina!) diz o seguinte sobre o Ubuntu: “ É a essência do ser humano. ...nossa humanidade só é afirmada se temos conhecimento da dos outros.”

E ainda Bill Clinton: A sociedade é importante por causa do Ubuntu

Temos muito que descobrir de África.
Temos muito que aprender com África.

Ter ou ser Ubuntu, é lutar contar qualquer tipo de discriminação, ter cidadania ecológica, se esforçar para melhorar a vida do outro, participar da vida do outro, respeitar a opinião alheia, e não humilhar e oprimir.
É ser e estar em sociedade sendo humano e agindo e interagindo com outros seres humanos."

Esse artigo é de minha autoria. E como estamos no mês da Consciência Negra, achei importante repostá-lo para reflexões.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Questões que pautam a discussão do racismo no Brasil

Racismo à brasileira: O racismo cordial

Pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no Brasil. Curiosamente, 96% não se assumem como racistas. Assim, chegamos a um dos pontos-chave da nossa Campanha: existe racismo sem racistas?
”Nós estamos aqui para tratar de problemas com os quais ninguém gosta de ser identificado: preconceito racial, discriminação, intolerância, racismo. Tem gente até que acredita que eles não existem no Brasil. Ou pensa que, quando ocorrem, prejudicam apenas algumas minorias. A realidade é bem diferente: esses males, aparentemente invisíveis, causam muito sofrimento entre nós... Essa situação injusta e cruel é produto da nossa História – da escravidão que durou quatro séculos no Brasil, deixando marcas profundas em nosso convívio social –, mas é também resultado da ausência de políticas públicas voltadas para superá-la.” (Pres. Luiz Inácio Lula da Silva, discurso de posse da SEPPIR, março de 2003).
“O mito da democracia racial foi forjado nos anos 30. Favoreceu a industrialização e a modernização das estruturas sociais do país, mas tornou-se poderoso instrumento de preservação do baixo perfil do papel ocupado por negros e negras...” (Marcelo Paixão, O Globo)
“Derrubamos o mito da Democracia Racial. Tentaram substituir, então, esse mito pelo Racismo Cordial, no entanto, o amadurecimento político do movimento negro venceu! Não há hoje mais como afirmar que não existe racismo, ou ainda de que a convivência entre brancos e negros é pacífica, diante dos dados da exclusão.” (Neide Fonseca, advogada, presidenta do INSPIR, Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial; artigo na edição de maio/2002 da revista Eparrei).


É possível definir quem é negro no Brasil?

“O Brasil é um país mestiço. A mestiçagem resulta da mistura genética entre diferentes grupos populacionais catalogados como raciais. A mestiçagem também possui elementos culturais. Afrodescendente é, ao pé da letra, o reconhecimento da descendência africana, mestiça ou não. Considerando o contexto da mestiçagem, ser negro possui vários significados. Em nosso país ser negro é uma escolha de identidade, a da ancestralidade africana. Então ser negro é, essencialmente, um posicionamento político.
Para fins de estudos demográficos, a classificação racial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a oficial do Brasil, que adota como critério básico que a coleta do dado se baseie na auto-classificação. Isto é, a pessoa escolhe, num rol de cinco itens (branco, preto, pardo, amarelo e indígena) em qual ela se aloca. Como toda classificação racial é arbitrária, a do IBGE não foge à regra. Portanto, possui limitações. Sabendo-se que raça não é uma categoria biológica, todas as classificações raciais possuem limitações. Todavia a do IBGE é um padrão que coleta dados nacionalmente e sua utilidade está centrada, sobretudo, na unidade da coleta das informações, o que permite um padrão de comparação nacional oficial.
Para a demografia, população negra é o somatório de preto mais pardo. Relembrando que preto é cor e negro é raça, e não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas não há cor negra, como falam tanto. Há cor preta. É simplérrimo, mas a maioria das pessoas, especialmente pesquisadores(as), insiste em dizer que não entende! Freud explica. Grosso modo, raça deveria ser um conceito biológico, porém não é; e etnia um conceito cultural, que também não é, pois a delimitação de grupos étnicos parte de uma suposta alocação deles no guarda-chuva dos grupos populacionais raciais!
... O conceito de raça é uma convenção arbitrária, enquadra-se como uma categoria descritiva da antropologia, baseada nas características aparentes das pessoas.” (Fátima Oliveira. Identidade racial/étnica. Publicado em O TEMPO, BH, MG e republicada em Afirma
www.afirma.inf.br/htm/politica/especial_20_de_novembro_03.htm)
“Todo este debate sobre as cotas e quem é negro é apenas uma distração que mascara questões mais sérias que não têm sido tratadas. (...) Qualquer porteiro sabe quem é negro e deve ser mandado para a entrada de serviço, assim como qualquer policial sabe quem é negro e deve ser parado na rua e ordenado a mostrar a identidade.” (Zulu Araújo, diretor da Fundação Palmares; The New York Times 05/04/03)
“Está provado que não há diferenças biológicas entre os seres humanos. É na cultura, na vida em sociedade, que surgem as diferenciações.” (Rosana Heringer, do Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Cândido Mendes/RJ; OESP 16/02/03)
“A autodeclaração é a única forma possível. A questão é como o indivíduo se percebe e não como o outro o percebe. Do contrário, haveria um viés discriminatório.” (Nilcéa Freire, ex-reitora da UERJ; Globo 23/02/03)

A pobreza é o problema?
“O racismo, ao contrário do que muita gente alardeia, não é o mesmo que miséria ou pobreza. Discriminação, preconceito e opressão de classe são diferentes de discriminação, preconceito e opressão de gênero ou de raça/etnia. Cada uma possui dinâmicas de surgimento e de operacionalidade que lhes são peculiares, logo nenhuma se funde, ou se confunde, com a outra, embora possam ser reforçadas quando se abatem sobre a mesma pessoa. Cada uma exige políticas específicas adequadas. Urge que o governo entenda, por sensibilidade ou por dever de ofício, que políticas universalistas são insuficientes para abolir o racismo.” (Fátima Oliveira, médica e secretária executiva da Rede Feminista de Saúde, O Tempo, BH, MG, 19/03/03)
“Não podemos esquecer que no país a pobreza tem cor. Ela é negra. E se sobrepõe à cor um predomínio regional, que é nordestino. Sem enfrentar a pobreza da população afrodescendente não alcançaríamos resultados. Só com políticas universais é muito difícil reduzir desigualdades.” (Ricardo Henriques, economista e ex-secretário-executivo do Ministério da Assistência e Promoção Social, segundo o qual existe no país um consenso de que a “desigualdade é natural”; entrevista à FSP 27/01/03)
“As estatísticas mostram que pretos e pardos estão próximos entre si na perversidade do quadro social brasileiro e distante dos brancos. E não há pobre branco? Há, mas eles são em menor número e, por alguma razão, os brancos pobres são mais atingidos pelas políticas universalistas de inclusão. Ricardo Henriques mostra, em seu livro sobre o assunto, que entre os 20% mais pobres do país há mais meninas negras fora da escola do que meninas brancas.” (colunista Miriam Leitão; GLO 22/12/02)
''A pobreza no Brasil é um problema grave, mas sozinha não explica a exclusão social do país. O racismo, a questão de gênero e as diferenças regionais são fatores determinantes desta situação...'' (Sílvio Kaloustian, oficial de projetos do Unicef. Correio Braziliense, seção Brasil, 26/06/03)
“Vamos continuar achando e admitindo que a mulher negra e o homem negro são bons para dançar, são bons para jogar futebol, são bons para disputar as Olimpíadas, mas que para outras atividades: gerente de banco tem que ser branco, dentista, médico têm que ser branco, advogado tem que ser branco, chefe em repartição pública tem que ser branco. Até dentro das fábricas, e está aqui um negro saído de dentro da fábrica, o companheiro Vicentinho, sabe que se, numa empresa, houver dois trabalhadores para serem escolhido para um deles ser chefe, se houver um negro e um branco, pode ficar certo de que o branco será escolhido para ser o chefe daquela fábrica.” (Pres. Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso de posse da SEPPIR, março de 2003).
Lutar contra o racismo não é praticar o racismo ao contrário?
Ser negro e ser branco não são dois lados da mesma moeda. A injustiça gerada pelo racismo significa que a inversão das posições não é possível, a não ser em um exercício retórico, acintosamente experimental. O que muitas vezes se chama de ‘racismo ao contrário’ é uma explicitação de um padrão: o racismo é destacado porque de repente o negro reivindica ser a norma, em um dia-a-dia em que os brancos estão acostumados a prerrogativas especiais. O que ofende é a explicitação dessa situação. Ignoramos ou esquecemos de pronunciar, em geral, a frase que vem primeiro, quando se protesta reivindicações negras: ‘Tudo bem que a sociedade é racista, mas isso é racismo ao contrário.’ Lutar contra o racismo implica em aplicar medidas que efetivamente diminuem o privilégio de ser branco, ao igualar as condições do ‘jogo’ social."

Esse texto faze parte de uma compilação de tantos outros textos que elaborei para o Núcleo de Relações Étnicos Raciais da qual faço parte.


Os textos conversam entre si, por isso são importantes e trazem uma excelente contribuição para uma discussão na escola.

Como estamos em novembro,mês da Consciência Negra, vale a pena ler.

Ando meio sem tempo pra postar por causa da organização da III Semana da Consciência Negra de Japeri,mas devo postar ainda esta semana sugestões pra trabalhar as diferenças étnicas na escola.

Mas o mais importante é a escola discutir a questão do racismo e do preconceito entre as suas paredes, sensibilizar para isso e coletivamente elaborar ações educativas para exterminar com o foco racista e preconceituoso dentro das suas paredes,que isso irá refletir sem dúvida alguma na sociedade .

Se gostarem, deixem um comentário.

Um abraço a todos e a todas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Para Refletir

Sempre gosto de deixar textos para reflexão porque acho importante que possamos refletir. A educação sem reflexão não é nada,não existe.

Gosto de trabalhar com textos teóricos junto á equipe,porém, não acho legal trabalhar em reuniões somente com textos densos e de autores renomados.

Ás vezes um texto mais simples toca mais profundamente nossa equipe...

Não que devamos nos prender somente aos textos de fácil compreensão,ou como dizem alguns textos- água-com-açúcar.

O equilíbrio é resposta.

Trabalhar com textos tocantes, é importante e necessário para sensibilizar a equipe,porque as vezes através do coração conseguimos mudar coisas e comportamentos com muito mais propriedade.

Repasso para vocês este texto espero que os ajude.

Quando você pensava que eu não estava olhando

Autor desconhecido


Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você pegar o primeiro desenho que fiz e prender na geladeira e, imediatamente, eu tive vontade de fazer outro para você.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você dando comida a um gato de rua e eu aprendi que é legal tratar bem os animais.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você fazer meu bolo favorito e eu aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.
Quando você pensava que eu não estava olhando, ouvi você fazendo uma oração, e eu aprendi que existe um Deus com quem eu posso sempre falar e em quem eu posso sempre confiar.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você fazendo comida e levando para uma amiga que estava doente e eu aprendi que todos nós temos que ajudar e tomar conta uns dos outros.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você dando seu tempo e seu dinheiro para ajudar as pessoas mais necessitadas e eu aprendi que aqueles que tem alguma coisa devem ajudar quem nada tem.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu senti você me dando um beijo de boa noite e me senti amado e seguro.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você tomando conta da nossa casa e de todos nós e eu aprendi que nós temos que cuidar com carinho daquilo que temos e das pessoas de que gostamos.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi como você cumpria com todas as suas responsabilidades, mesmo quando não estava se sentindo bem, e eu aprendi que tinha que ser responsável quando eu crescesse.
Quando você pensava que eu não o estava olhando eu vi lágrimas nos seus olhos, e eu aprendi que, às vezes, acontecem coisas que nos machucam, mas que não tem nenhum problema a gente chorar.
Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi que você estava preocupado e eu quis fazer o melhor de mim para ser o melhor que pudesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando foi quando eu aprendi a maior parte das lições de vida que eu precisava, para ser uma pessoa boa e produtiva quando eu crescesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu olhava para você e queria te dizer:
"Obrigado por todas as coisas que eu vi e aprendi quando você pensava que eu não estava te olhando!"

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Símbolos da Pedofilia: CUIDADO!

Pais, mães, tios, tias, avôs, avós e profissionais das áreas de educação e de saúde fiquem atentos quando virem estes símbolos.


Ajudem a divulgar

O FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele estão colocados uma serie de símbolos usados pelos pedófilos para se identificar. Os símbolos são, sempre, compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro. A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores.
Homens são triângulos, mulheres corações. Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias (anéis, pingentes,...) entre outros objetos.
O link abaixo leva a uma copia em .pdf do relatório aonde os símbolos são mostrados. Ao encontrar um símbolo desses, avisar a policia. https://secure.wikileaks.org/leak/FBI-pedophile-symbols.pdf

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Provinha Brasil

Segunda edição da Provinha Brasil poderá ser aplicada em todas as escolas públicas do País.

O Objetivo é oferecer aos gestores públicos e aos professores de suas redes informações sobre o nível de alfabetização dos alunos logo no começo do processo de aprendizagem.

Crianças matriculadas no segundo ano do ensino fundamental terão a possibilidade de participar da segunda edição da Provinha Brasil, avaliação do Ministério da Educação (MEC). Os resultados poderão oferecer aos gestores públicos e aos professores informações sobre o nível de alfabetização dos alunos no começo do processo de aprendizagem, permitindo assim intervenções visando à correção de possíveis insuficiências apresentadas na leitura e escrita. O Instituto de Pesquisas Educacionais (Inep) deverá disponibilizar duas versões da Provinha Brasil. A primeira no início do ano e a segunda para ser aplicada no término do ano letivo. Os testes permitirão aos gestores das redes, diretores de escola e professores compararem os dados e observarem a evolução dos alunos no processo inicial de aprendizagem. A Provinha Brasil poderá ser aplicada em todas as escolas públicas do País, porém a adesão é voluntária. A data sugerida pelo Inep para a aplicação do teste é entre a segunda quinzena de novembro e dezembro de 2008. As provas serão aplicadas e corrigidas pelos próprios professores das redes públicas.

[O Mossoroense (RN) – 25/10/2008]

sábado, 25 de outubro de 2008

Criando um Monstro

Achei interessante este post que recebi e resolvi postar, pois coloca umas questões que vale a pena refletir.

Criando um Monstro

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a
própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação
social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental?
Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas
de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar
vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas
inocentes?

O rapaz deu a resposta: "ela não quis falar comigo". A garota disse Não, não
quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.
Seu desejo era mais importante.

Não quero ser comparado como um desses psicólogos de araque que
infestam os programas
vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e
fala descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados.
Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei
que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa
história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um
rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir
lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais
dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a
filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com
vida. Faltou à polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a
garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da
imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e
chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi
punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores
morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer
não aos maridos (e alguns maridos, temem dizer não às esposas). Pessoas
têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às
sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue
dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez
alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando
escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da
namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é
normal. E é legal.

Os pais dizem, "não posso traumatizar meu filho".. E não é raro eu ver alguns
tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em
brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias.
Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não,
você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma
novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for
contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai
dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha
enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola
sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto
você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no
parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS
crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a
vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam
sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam
mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo
contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um
amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender
uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor
dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E
quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é
preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que
tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que
sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o
meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos
que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a
verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência
cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.
(Autor anônimo)

Debate: 20 Anos da “Constituição Cidadã" na UERJ Caxias

Repassando Convite

Neste mês de outubro, mais precisamente no dia 05 - coincidentemente no dia das eleições – a Lei Maior do Brasil, a “constituição cidadã” completou 20 anos.

A Constituição de 1988 estabeleceu um novo arcabouço jurídico-constitucional, que assegurariam os direitos e garantias fundamentais para o cidadão brasileiro, ampliando liberdades civis indispensáveis ao pleno exercício da cidadania.

Assim, as ONG´s ComCausa e o Fórum Cultural da Baixada Fluminense, estarão promovendo um debate no dia 30 de outubro de 2008 – na Universidade Estadual do Rio de Janeiro - no Campus de Duque de Caxias, a partir das 19h às 21h.
Dia:

A finalidade é promover a reflexão com atores públicos, organizações não-governamentais, alunos, mas principalmente com população em geral, sobre os avanços e necessidades de atualização do que foi e ainda é considerada uma “Constituição Cidadã”.

Local: Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ Campus de Caxias

Endereço: Av. General Manoel Rabelo, s/nº - Bairro Vila São Luís - Duque de Caxias

Dia: 30 de outubro de 2008

Horário: 19h às 21h

Inf.: 3045 6642 – ComCausa –http://www.comcausa.org.br

Como Chegar:

Ônibus:

Do Rio vá até a Central do Brasil e tome o ônibus Central-Vila São Luiz, da empresa Reginas. Em Caxias, salte na Praça da Bandeira (Av. Brasil), siga pela direita desta rua, entre na rua Exp. José Amaro e depois vire na próxima à esquerda, na Av. General Manoel Rabelo. A UERJ fica no meio da quadra.

Da Baixada vá até o centro de Duque de Caxias, as linhas Periquito Variante e Jardim Gramacho, da empresa Reginas, e 21 de Abril, da Fabio’s, passam em frente à UERJ.


Trem: Desça na estação Duque de Caxias (Av. Presidente Vargas), siga pela direita desta rua, vire na primeira à esquerda, depois entre à direita na Rua Brigadeiro Lima e Silva e pegue um dos ônibus sugeridos acima.

Carro: Do Rio de Janeiro: siga pela Rodovia Washington Luís, sentido serra, e, após passar pelo Parque Gráfico do Jornal O Globo (altura do nº 3000), entre à direita para a Vila São Luiz. Siga pela Av. Expedicionário José Amaro e, após passar pela Igreja Imaculada Conceição (à direita da avenida) entre à esquerda na Av. General Manuel Rabelo. A Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) fica à direita desta rua.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ministro da Educação x Novo piso salarial

O piso salarial nacional dos professores deve superar R$ 1 mil em 2009, com a correção prevista na Lei nº 11.738, de 16 de julho deste ano. Esse valor atende os professores com formação de nível médio, o que significa remuneração ainda mais alta para professores com formação superior. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, no domingo, 19, na cidade mineira de Caxambu, na abertura da 31ª Reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

Em seu discurso, Haddad enfatizou os ganhos dos últimos anos no orçamento da educação no país. Ele lembrou que o orçamento do Ministério da Educação mais do que dobrou em seis anos — de R$ 21 bilhões em 2003 para previstos R$ 48 bilhões em 2009. “Além disso, temos pautada no Congresso Nacional, e já provada no Senado Federal, a proposta de emenda constitucional que acaba com a desvinculação de recursos da União (DRU) da educação”, destacou. “O fim da DRU significará não apenas um aporte adicional de recursos, mas que os futuros governos não farão aquilo que foi a regra dos anos 90: cortes na área social que incidam, sobretudo, na área da educação.”

O ministro, mais uma vez, enfatizou que o MEC promove uma mudança na forma pela qual a educação é trabalhada. “O Ministério da Educação trabalha desde 2004 de forma matricial, tratando a educação básica, a educação profissional e tecnológica e a educação superior de maneira integrada e articulada, vencendo e superando falsas contradições que foram estabelecidas em nosso país”, ressaltou.

Segundo o ministro, essas etapas do ensino são três eixos que não se opõem, mas se reforçam. Para isso, o MEC trabalha cada um deles com quatro temáticas: financiamento, avaliação periódica, gestão e formação de professores. A formação ganhou destaque com a divulgação da minuta do decreto de criação do Sistema Nacional Público de Formação dos Professores. O documento estará disponível para discussão até 24 de novembro no endereço eletrônico formacao.magisterio@capes.gov.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de email .

Na noite de domingo, o ministro enfatizou que a comunidade da Anped forma um público privilegiado para um intenso debate sobre a formação inicial e continuada de professores. Haddad lembrou ainda que conquistas como o piso salarial e o sistema público de formação exigem a regulamentação, também por meio de lei, das diretrizes nacionais da carreira do magistério. “Isso vai ser fundamental porque toda a progressão vai estar normatizada, com balizas e parâmetros nacionais, para que prefeitos e governadores, além da própria União, possam atender às justas reivindicações dos professores brasileiros”, afirmou.

Ainda este ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE) deve promover três audiências públicas para debater a revisão da Resolução nº 3/1997, que define as diretrizes da carreira do magistério.

Luciana Yonekawa no Portal do Mec.

E você o que acha do assunto? Você acha esse piso decente? imoral ou engorda?

Comente.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Semana EducAção contra Fome e Miséria

Se liga nessa moçada, formação gratuita e de ótima qualidade:

Semana EducAção contra Fome e Miséria

No Rio, dias 15, 16 e 17 de Outubro de 2008


Programação:

CINE > DEBATE > EDUCAÇÃO

15 OUT.


Dia do Professor

PAULO FREITE


09h30 CINE: "Paulo Freire Contemporâneo" (de Toni Venturi), Classificação Livre. DEBATE: Raymundo Romeo (AÇÃO), Cinthia Araújo(Novamerica), Jane Paiva (Fórum EJA) e Rodrigo Lacerda (APPAI).

12h30 EDUCAÇÃO: Abertura exposição de fotos “Sonhar – Educação de Qualidade é Direito de Tod@s” (J.R. Ripper / Novamerica).


16 OUT


Dia da Alimentação


JOSUÉ DE CASTRO


09h30 CINE: "Josué de Castro – Cidadão do Mundo" (de Silvio Tendler), Classificação Livre. DEBATE: Anna Maria Castro (UFRJ), Renato Carvalheira (UFRRJ) e Vera Correia (Banco da Providência).

12h30 EDUCAÇÃO: Abertura da exposição “Projeto Memória Josué de Castro” - fotos e textos com vida e obra.

17 OUT

Dia da Erradicação da Pobreza


HERBERT DE SOUZA


09h30 CINE: "Três Irmãos de Sangue" (de Ângela Reiniger), Classificação Livre. DEBATE: Gloria Souza (AÇÃO), Adair Rocha (MinC) e Dulce Pandolfi (IBASE).

14h00 EDUCAÇÃO: Dia do Come Livro, para crianças, com contação de história “A Zeropéia”, de Betinho.

Evento gratuito!

Inscrições:

· (21) 2233-7460

· acao@acaodacidadania.com.br


· Local: Av. Barão de Tefé 75, Saúde, Rio/RJ (Pça. Mauá)

· www.acaodacidadania.com.br



EDUCADOR(A), LEVE AS SUAS TURMAS!


- CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: LIVRE –

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia do Professor

Uma pequena homenagem, para nós professores, que merecemos tanto e por vezes,deixamos nos enganar com o discurso cristalizado que nosso trabalho está acabado.

Trabalho sem amor é mero ofício, eu creio nisso,então, vamos colocar nossa paixão para fora e educar...

Um abraço a todos e leiam com carinho esse texto maravilhoso que selecionei para vocês.

"EDUCAR É PARA POUCOS

(Minha homenagem aos Confessores de Sonhos, conhecidos como Professores)

Educar é um ato heróico em qualquer cultura.

Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança.

Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro.

Talvez por isso seja algo para poucos.

Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias.

Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:

Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos,
Educadores são Um.

O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador.

Esta é sua esperança.

E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo.

Por isso é para poucos, mas não devia ser assim. O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas. O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico. Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar “vender” seus talentos para manterem-se vivos.

Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi “pensada” de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.

É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo.

É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral.

Só assim teremos um amanhã."

Texto de Daniel Munduruku
Graduado em Filosofia e Doutorando em Educação na USP.
Comendador do Mérito Cultural da Presidência da República.
Escritor com 35 obras publicadas (infantil, juvenil e adulta)
Diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para P. Intelectual

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Apoio a experiências de novas Tecnologias Sociais

O Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais vai levar professores(as) da rede pública de ensino fundamental e de espaços não-formais de educação, das cinco regiões do país, para o Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará.

A iniciativa da Revista Fórum e da Fundação Banco do Brasil premiará as cinco melhores propostas de difusão do conceito e das experiências de Tecnologia Social na comunidade local, além de divulgar as soluções efetivas que já foram propostas em regiões do Brasil.

As inscrições vão até 31 de outubro e os(as) professores(as) que se inscreverem ganham uma assinatura da Revista Fórum até fevereiro de 2009 e um exemplar do livro Geração de Trabalho e Renda. Os(as) cinqüenta selecionados(as) receberão, além de assinaturas anuais, troféus.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A contribuição da família para a independência da criança

Vamos ler esse texto:

"Ajudar uma criança a ser independente é contribuir para o seu crescimento pessoal.

Isso requer muito trabalho, carinho e dedicação. Um bichinho quando nasce, e é amamentado, depois do desmame, pode viver sem sua mãe, mas você já deve ter percebido que isso não acontece com as crianças, embora a cada dia que passa, elas pareçam nascer mais espertas. Pois é, isso faz com que muitos adultos pensem que por serem espertas, e certamente inteligentes, precisam muito pouco dos adultos.

Afinal, muitas crianças lidam com controles remotos e computadores muito melhor do que seus pais. Desde bebê, a criança necessita de ajuda e estimulação para tornar -se independente e com isso estar preparada para interagir com o meio em que vive. Já que um dia elas terão que conviver sozinhas, como por exemplo, na festinha do amigo ou no cinema com a(o) namorada(o), por isso, precisamos pensar no seu futuro.

Nada é mais gratificante para a família que ver seu filho fazendo gracinha, sentando sozinho, andando, falando, etc... só que tudo tem seu tempo e hora certa. Não se deve queimar etapas. Muitas vezes a criança é estimulada precocemente porque seus pais ficam ansiosos em mostrar o que a criança já sabe ou pode fazer. A independência e estimulação da criança deve estar relacionada com sua idade, e adequada com suas condições físicas e psicomotoras.

Por isso, produtos feitos para crianças são projetados e adaptados de acordo com a idade, como por exemplo: mordedores, mamadeiras com colher, andador com telefone, tapetes de encaixe e, por aí vai. A medida que ela cresce, vai experimentando e desenvolvendo possibilidades em lidar com situações novas de tudo que lhe é oferecido e que está ao seu redor. É aí que começa o trabalho e a disponibilidade da família em compartilhar com a criança suas descobertas. Um bom exemplo disso, é quando aprende a comer sozinha.

Numa fase anterior, a criança precisou levar o dedo ou um brinquedo na boca, assim, ela aprendeu que pode coordenar seu movimentos para levar a colher até a boca e que isso dependerá dela. Tarefa difícil para quem tem que acertar a pontaria sem deixar cair um ou muitos grãozinhos. Tarefa difícil também, para quem tem que, vira e mexe, limpar todos esses grãozinhos do chão. Além da angústia da bagunça, a mãe fica preocupada em saber se isso é natural e se seu filho está bem alimentado. Então o que fazer?

O melhor, é usar duas colheres: uma para a criança aprender e a sua para alimentá-la e ensiná-la a comer. Essa participação acontece em todas as fases como sentar, falar, com os cuidados pessoais. Quando bem vivida essas fases, passam a ter uma relação de troca muito agradável para a criança e igualmente para quem está cuidando dela. Em geral, famílias ansiosas dificultam a criança a tornar-se independente porque tendem a fazer por ela, aquilo que ela pode fazer sozinha, embora de forma desajeitada. A criança independente relaciona-se melhor com o mundo, por isso, na menor manifestação de interesse da criança em fazer algo sozinha, os pais devem incentivá-la, ao invés de querer fazer por ela e nem exigir perfeição. Curta seu filho e, acredite no seu bom senso."

Mirene F. M. A. Marques
Psicóloga

Trocando em Miúdos

Hoje um dos fatores mais discutidos na educação é o papel da familia na aprendizagem ou não aprendizagem do aluno, e esse texto nos remete a pais que devem ser incentivadores, que participam ativamente do desenvolvimento de seus filhos

Todos sabemos que ter uma familia participante das ações educativas, é um fator que contribui para que o aluno tenha um melhor desenvolvimento na escola.

Mas a realidade principalmente nas escolas públicas,(principalmente porque nas escolas privadas, também há o mesmo "abandono" embora seja maquiado) nos mostra um caminho inverso a este.

Temos milhares de crianças que vivem à margem das redes familiares, sem acompanhamento nas tarefas e em seu desenvolvimento escolar.

O que nós enquanto profissionais podemos fazer para reverter essa situação? ou não podemos fazer nada? Devemos trabalhar ignorando esse fator? ou não? o que podemos fazer para sensibilizar os pais nessa difícil tarefa de educar? ou não devemos nos meter nessa situação?

Afinal,qual é o nosso papel como educador?

Dê a sua opinião,deixe o seu comentário.

Um abraço a todos e todas.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A MENINA QUE PERDEU O JUIZO


Hoje estou muito feliz porque consegui fazer um blog/site com uma história minha que gosto muito: A menina que perdeu o juizo.

Dêem um passadinha lá e apreciem a história, o endereço é: http://www.ameninaqueperdeuojuizo.blogspot.com

Espero vocês lá!!

sábado, 4 de outubro de 2008

Premio Nacional de Educação em Direitos Humanos

Passei um tempo sem postar, por uma infinidade de motivos pessoais, mas eis-me aqui de volta, pronta para o batente e para ampliar nossas discussões.

Repasso esse e-mail, que recebi e se vocês conhecerem alguma instituição que atenda as prerrogativas deste prêmio, incentive-as a participar.

Um grande abraço a todos e todas.


(click em cima que você verá o cartaz ampliado)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Este artigo do professor e escritor Gustavo Bernardo foi publicado no suplemento Prosa & Verso do jornal O Globo, no último sábado, dia 13 de setembro.

A ficção da tese

“A literatura é mais importante do que a música, a pintura, o teatro e as demais artes.” É mesmo? Dito assim, parece absurdo — e é. No entanto, trata-se de uma das premissas da escola. A condição de arte eminentemente verbal empresta à literatura prioridade no currículo, na carga horária, nos exames, no corpo docente. Essa prioridade, todavia, nem sempre faz bem à literatura.

Para transformá-la em uma disciplina “como as outras”, ensina-se literatura para se ensinar ou história ou língua ou cultura ou até mesmo patriotismo, escamoteando-se o seu caráter artístico.

“A literatura é apenas um objeto de estudo.” Bem, talvez. Dito assim, já não parece tão absurdo quanto a sentença anterior. Se a literatura é uma disciplina como as outras, então ela é um objeto de estudo como os outros. No entanto, se a literatura é arte, parente muito próxima dos mitos e das religiões, então ela é menos um objeto de estudo do que uma morada existencial. De modo bem diverso das demais disciplinas, a literatura pode se tornar apaixonante tanto à razão quanto à emoção de uma pessoa. Por quê? Porque ela deliberadamente suspende a realidade a um nível ao mesmo tempo íntimo e superior — superior porque fruto assumido da invenção humana. Nessa perspectiva, uma reflexão sobre a literatura que preserve a paixão original exige menos fazer teoria da literatura do que buscar a teoria na literatura.

Devo abdicar de controlar a literatura com minhas categorias lingüísticas ou históricas para deixar emergir seu enigma sem resolvêlo — sem destruí-lo. “Quantos de nós começamos a fazer Letras, a estudar literatura, porque gostávamos de ler e sobretudo de escrever?” Puxa, precisava lembrar disso? Dirigida aos profissionais da literatura na escola, essa pergunta não é absurda, mas sim incômoda. Porque a sua resposta é: muitos, quiçá a maioria. E porque ela gera uma outra pergunta: quantos de nós paramos de escrever já na faculdade ou pouco depois, quando começamos a dar aula? A resposta à segunda pergunta é igual: muitos, quiçá a maioria. Isso acontece, talvez, porque transformamos o objeto da nossa paixão em apenas um objeto de estudo, supondo que assim dominaremos seu enigma. O preço a pagar é alto: a literatura deixa de ser arte para nós e nossos alunos e se torna uma “matéria” (na melhor das hipóteses, chata).

No entanto, há resistências.

Há professores e escolas e universidades que não esquecem que a literatura é antes de tudo arte: desafio e enigma, paixão e ilusão. Isso acontece em vários níveis — por exemplo, quando uma pós-graduação em literatura aceita um trabalho de ficção como tese. Essa proposta, como demonstram os finalistas do Jabuti e do Portugal Telecom, costuma ser bem sucedida, gerando trabalhos de ficção ousados e conseqüentes porque frutos do diálogo tenso com a reflexão acadêmica. Isso se chama: produção de conhecimento e de cultura.

Mas há quem não concorde — talvez alguns daqueles que se esqueceram do porquê quiseram estudar literatura.

Argumentam que um trabalho de ficção não é um trabalho científico, como se todo trabalho científico não fosse sempre um trabalho de... ficção. A hipótese científica é sempre uma suposição, um “como se” fosse para ver se pode ser assim mesmo. A estrutura discursiva da literatura stricto sensu difere da estrutura de um tratado de Física, mas o princípio do “como se” anima ambos os discursos.

Por isso, mesmo em termos de teoria do conhecimento, mesmo em termos epistemológicos, não procede a resistência a trabalhos de ficção como tese de pósgraduação em literatura.Não procede, mas se explica: explica-se pela dificuldade óbvia, reconheço, de orientar e avaliar um trabalho de ficção, quando os critérios se tornam bem menos seguros. Todavia, há critérios: os mesmos que utilizamos para distinguir se uma obra literária é menor ou maior, se é obra-prima ou não. Ainda há outra explicação, que reluto em escrever mas escrevo: ressentimento.

Se abandonei minha paixão no início do caminho para conquistar minha posição acadêmica, como esse fedelho que não deu todas as aulas que já dei e não corrigiu todas as provas que já corrigise atreve a fazer da sua tese um romance, enquanto eu larguei meus poemas em passado remoto? Puxa, também não precisava ofender. Colegas, calma, não se ofendam tão rápido; eu sei que essa carapuça não serve a todas as cabeças, há tantos outros motivos para resistir à arte na academia. Mas nós sabemos que ela serve sim em algumas cabeças: aquelas que justificam o ditado popular nefasto que nos persegue, até porque não de todo falso: “quem sabe, faz; quem não sabe, ensina”. Por isso, há que continuar fazendo — fazendo arte! — para dar o melhor exemplo a nossos alunos; da mesma forma, há que continuar estimulando quem faz — arte! — para recuperar não apenas para a literatura, mas também para o magistério, a sua condição original de... arte.

Seminário Escola da Vila

Repassando e- mail recebido:

Está chegando mais um momento de encontro e atualização! O Seminário Itinerante da Escola da Vila, que acontecerá no Rio de Janeiro, será um espaço de aprendizagem, reflexão e troca mútua. A programação completa está disponível em nosso site www.vila.org.br.

Os cursos oferecidos são:

C1 - A produção de material didático e a qualidade da intervenção docente.
Educadora responsável: Adriana Reali.

C2 - Entrar na escola e ser da escola: entre adaptação e a constituição do grupo classe.
Educadora responsável: Daniela Munerato.

C3 - Formar leitores na escola.
Educadora responsável: Angela Kim.

C4 - A organização da rotina no Ensino Fundamental I.
Educadora responsável: Claudia Tenório.

Evento exclusivo para Escolas ZDP
C5 - A informação como instrumento de Gestão Escolar.
Educadoras responsáveis pela atividade: Ana Luiza Amaral e Ana Maria Cerqueira.

Informações:
Data: 04 de outubro de 2008
Horário: 8h às 17h
Local: Colégio Andrew´s
Valor: R$198,00 à vista ou 2 parcelas de R$105,00 ou 3 parcelas de R$72,00 (Para Escolas ZDP 1 bolsa integral + 40% de desconto nas demais inscrições).
Inscrições e mais informações: www.vila.org.br, clique em agenda.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Carta do futuro 2070



É sempre muito sério falar de meio ambiente e de economia de água.

O assunto nunca é demais e se torna mais sério ainda quando somos professores,porque considero como dever e obrigação de qualquer mestre,de qualquer disciplina, seja qual for o segmento,garantir aos alunos,informações necessárias para a preservação do planeta,e subsídios intelectuais para a conservação de nosso maior recurso natural que é a água.

Quando eu vi esse vídeo,não pude me abster de democratizá-lo.

A escola sempre será o lugar da aprendizagem coletiva, da garantia da melhoria do futuro,embora,ás vezes, nos esqueçamos disso.

É na escola que há os profissionais disponíveis para o aprendizado, é na escola que as questões polêmicas da sociedade são colocadas em xeque.

Ou não?

Precisamos garantir que nossos alunos aprendam a preservar o meio ambiente, mas principalmente que eles adquiram consciência ambiental ampla, geral e irrestrita.

Agora, se enquanto Coordenadores,trabalhamos com uma equipe que não é consciente, não há como o conhecimento se democratizar, não há o que trocar....

Podemos fazer diferente?

Sem dúvida. Através da formação continuada.

Ou seja, as discussões devem ser levadas para a escola, e estar presente nas discussões diárias,quinzenais,mensais,,nos murais,nas salas de aula, nos boletins internos, no mural da sala dos professores, e principalmente nas discussões da equipe.

A questão ambiental demanda sensibilização.

Porque quanto mais preocupados e conectados com as questões ambientais,mais estaremos atentos à nossa condição humana.

Use o vídeo como base para discussão, utilize músicas, memória, textos, para sensibilizar sua equipe, sem alarmismos baratos,mas com convicção que precisamos preservar nosso planeta e economizar a agua,esse bem tão precioso..

Aposto que você vai fazer um excelente trabalho. Não deixe de me relatar sua experiência.

A troca de experiências é algo maravilhoso! E então? Vamos democratizar nossas angústias,nossas dúvidas,nossos sucessos,nossos anseios?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Umberto Eco, sobre Bibliotecas

Este é um excerto de um texto de Umberto Eco, sempre provocatório e genial onde, com aguda ironia, nos caracteriza uma boa biblioteca. Podem achar excessivo mas eu ainda me lembro bem de que já foi assim e não há tanto tempo como isso e não era por não haver computadores...

a) Os catálogos devem estar divididos ao máximo: deve proceder-se com muito cuidado à separação do catálogo dos livros do catálogo das revistas, e à deste em relação àquele por temas, assim como à separação dos livros de aquisição recente dos livros de aquisição mais antiga. Se possível, a ortografia nos dois catálogos (antigos e recentes) deve ser diferente; (...)

b) Os temas devem ser decididos pelo bibliotecário. Os livros não devem incluir no cólofon nenhuma indicação referente aos temas nos quais deve ser catalogados.

c) As cotas devem ser intranscritíveis, e se possível em grande quantidade, de modo a que o leitor que preencher a ficha nunca tenha espaço para escrever a última denominação e a considere irrelevante, para que em seguida o funcionário lhe possa devolver a ficha para a preencher novamente.

d) O espaço de tempo decorrido entre o pedido e a entrega do livro deve ser muito longo.

e) Não se deve dar mais de um livro de cada vez.

f) Os livros entregues pelo funcionário por terem sido previamente requisitados, não podem ser levados para a sala de consulta, isto é, há que dividir a própria vida em dois aspectos fundamentais, um para a leitura e outro para a consulta. A biblioteca deve desencorajar a leitura cruzada de vários livros porque provoca estrabismo.

d) Deve existir, de preferência, uma ausência total de máquinas fotocopiadoras; no entanto, se houver alguma, o acesso a ela deve ser muito demorado e cansativo, os preços superiores aos da livraria e os limites de cópias reduzidos a não mais de duas ou três páginas.

h) O bibliotecário deve considerar o leitor como um inimigo, um vadio (senão estaria a trabalhar), um ladrão potencial.

i) Quase todo o pessoal deve ser afectado por limitações de ordem física. Trata-se de uma questão muito delicada, em relação à qual não pretendo criar nenhuma ironia. É um dever da sociedade dar possibilidades e saídas profissionais a todos os cidadãos, mesmo àqueles que não estiverem na força da idade ou no auge das suas condições físicas. Há bibliotecas (...) onde a máxima atenção é dispensada aos utentes deficientes: planos inclinados, casas de banho especializadas, ao ponto de tornarem perigosa a vida aos outros, que escorregam nos planos inclinados. (...)

j) O departamento consultivo deve ser inatingível.

k) O empréstimo de livros deve ser desencorajado.

l) O empréstimo de livros entre bibliotecas deve ser impossível e, em todo o caso, levar meses. O melhor, no entanto, é garantir a impossibilidade de conhecer aquilo que há nas outras bibliotecas.

m) Em consequência de tudo isto, os furtos devem ser facílimos.

n) Os horários devem coincidir absolutamente com os horários de trabalho, devendo preventivamente ser discutidos com os sindicatos: encerramento total aos Sábados, aos Domingos, à noite e à hora das refeições. O maior inimigo da biblioteca é o estudante-trabalhador; o seu maior amigo é Don Ferrante, alguém que tem a sua biblioteca pessoal, que não precisa, portanto, de ir à biblioteca e que, quando morre, a deixa em herança.

o) Não deve ser possível restaurar as forças dentro da biblioteca, de maneira nenhuma e, seja como for, também não deve ser possível restaurá-las fora da biblioteca sem primeiro se terem depositado todos os livros requisitados, a fim de terem de ser novamente requisitados depois de se ter tomado um café.

p) Não deve ser possível encontrar o mesmo livro no dia seguinte.

q) Não deve ser possível saber quem levou emprestado o livro que falta.

r) De preferência, nada de sanitários.

s) E para terminar coloquei também um requisito: o ideal seria que o utente não pudesse entrar na biblioteca; admitindo que entre , no usufruto caprichoso e antipático de um direito que lhe foi concedido com base nos princípios de oitenta e nove (revolução francesa) mas que, todavia, não foi ainda assimilado pela sensibilidade colectiva, em todo o caso não deve, nem deverá nunca, à excepção das rápidas travessias da sala de leitura, ter acesso aos penetrais das estantes.

Ler devia ser Proibido

"Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano."

Guiomar de Grammon

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Indicador revela diagnóstico do analfabetismo no Brasil

Em entrevista ao Todos Pela Educação, a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, fala dos resultados de 2007 do Inaf - Indicador de Alfabetismo Funcional, contextualizando com o processo de universalização do Ensino Fundamental no País. Em sua análise, um dos grandes desafios do Brasil é alcançar a qualidade do ensino e ao mesmo tempo garantir o acesso e a permanência dos alunos nas escolas.

Realizado desde 2001, o Inaf traz considerações relevantes sobre o problema do analfabetismo no País. O indicador é feito a partir de quatro níveis de alfabetismo: analfabetos absolutos, alfabetismo rudimentar, alfabetismo básico e alfabetismo pleno, sendo considerados analfabetos funcionais as pessoas que se encontram nos dois primeiros níveis. Em sua última edição, em 2007, o Inaf revela que entre a população brasileira de 15 a 64, 32% são analfabetos funcionais.

Leia abaixo a entrevista de Ana Lima sobre o Inaf:

Todos Pela Educação: Qual a importância do Inaf no diagnóstico da qualidade da Educação no País?

Ana Lúcia Lima: Diferentemente das demais avaliações do Ministério da Educação, como o Saeb, a Prova Brasil, o Enem e outras, o Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) não é uma avaliação escolar, ou seja, não avalia somente as habilidades e competências dos que frequentam a escola. O Inaf mede a condição de alfabetismo da população brasileira com base em uma amostra representativa da população entre 15 e 64 anos, residente nas várias regiões do país, independentemente de estarem ou não frequentando a escola. Neste sentido o estudo complementa o diagnóstico sobre a qualidade da educação no Brasil traçando um quadro mais geral, que permite evidenciar as relações entre escolaridade e alfabetismo, assim como determinar outros fatores que afetam positiva ou negativamente o nível de letramento e numeramento de nossa população.

TPE: Quais os critérios utilizados para definir uma pessoa como analfabeta funcional?

ALM: O Inaf define quatro níveis de alfabetismo: o analfabeto propriamente dito e os alfabetizados em nível rudimentar, básico e pleno. Cada um destes níveis é determinado em função do domínio que cada pessoa tem no uso de suas habilidades de leitura, escrita e matemática para lidar com situações do dia-a-dia de uma sociedade letrada.
De maneira geral, podemos considerar como "analfabetos funcionais" aquelas pessoas cujas habilidades são claramente insuficientes para desempenhar tarefas elementares. Estas graves limitações são identificadas tanto entre os analfabetos absolutos (7% dos adultos entre 15 e 64 anos, segundo o Inaf 2007), quanto entre os alfabetizados em nível rudimentar (infelizmente 25% deste mesmo segmento).

TPE: Os dados do Inaf 2007 demonstram que o percentual de analfabetos funcionais vem caindo desde 2001, quando começou a ser realizada a pesquisa, e que o percentual de “analfabetos absolutos” caiu quase pela metade. A que se deve essa mudança?

ALM: A redução do número de analfabetos absolutos vem sendo apurada também por outras fontes, inclusive no Censo do IBGE. Esta tendência está certamente relacionada à universalização do acesso aos anos iniciais da escola, atingida na década de 90. A necessidade de ir além da simples classificação das pessoas como analfabetas ou alfabetizadas foi o que motivou o Instituto Paulo Montenegro a desenvolver e realizar o INAF. O objetivo maior é conhecer quais as reais habilidades daqueles que são classificados como alfabetizados. Introduzindo o conceito de alfabetização funcional, podemos dizer que, após 7 anos de existência do indicador, o assunto passou efetivamente a ocupar um lugar na agenda das discussões sobre educação no país.

TPE: Observando a evolução do Inaf entre 2001 e 2007 percebe-se que a maior parte da população está concentrada nos níveis de alfabetização rudimentar e básica. Além disso, 27% das pessoas que tem escolaridade entre a 5ª e a 8ª série do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais. Como explicar esses números?

ALM: Para entender essa realidade é preciso levar em conta que nessa amostra estão pessoas mais velhas, com escolaridade entre 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e outras mais jovens, com a mesma escolaridade, que ingressaram na escola em meio ao processo de universalização do Ensino Fundamental. Estas últimas, em sua maioria, pertencem a segmentos sociais mais frágeis, cujos pais têm baixa escolaridade, sem hábitos de leitura. Para estes alunos, a escola deveria ser cada vez mais forte para compensar essas fragilidades. Mas o que percebemos é que o sistema de ensino e as próprias escolas não estavam preparados para receber esses alunos e garantir o seu aprendizado.

TPE: Ao mesmo tempo, vemos que o número de pessoas plenamente alfabetizadas, entre aqueles que têm escolaridade entre 5ª e 8ª série do Ensino Fundamental, caiu de 23% para 16% entre 2001 e 2007. Esse é um alerta?

ALM: Essa diminuição entre o número de pessoas plenamente alfabetizadas alerta para baixa qualidade do ensino. Por isso, as medidas a serem tomadas devem por um lado melhorar a qualidade do ensino e, por outro, também garantir o acesso e permanência desses alunos na escola. Esse é um processo que precisa ser combatido com ações de médio e longo prazo. Para alcançar bons resultados, a implementação de políticas não podem ter caráter eleitoreiro. Por isso, acredito ser necessário que sejam construídas políticas de estado com o envolvimento de toda a população.

Fonte: Todos pela Educação