terça-feira, 29 de julho de 2008

Karin Baber na Casa das Africas



Imperdível para quem mora em São Paulo, ou para quem mora em qualquer lugar e deseje se aprofundar no assunto de Africa.

Curso oferecido: Texto, Oralidade e Construção da Pessoa na Africa Subsaariana


O curso será ministrado por Karin Baber, Escritora, Professora da Universidade de Ifé e integrante da Companhia de teatro Oyin Adejobi.

A entrada é franca.

Para visualização completa do folder e maiores informações: http://www.casadasafricas.org.br

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Para Refletir

Quando você pensava que eu não estava olhando

Autor desconhecido


Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você pegar o primeiro desenho que fiz e prender na geladeira e, imediatamente, eu tive vontade de fazer outro para você.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você dando comida a um gato de rua e eu aprendi que é legal tratar bem os animais.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você fazer meu bolo favorito para mim e eu aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.

Quando você pensava que eu não estava olhando, ouvi você fazendo uma oração, e eu aprendi que existe um Deus com quem eu posso sempre falar e em quem eu posso sempre confiar.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você fazendo comida e levando para uma amiga que estava doente e eu aprendi que todos nós temos que ajudar e tomar conta uns dos outros.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você dando seu tempo e seu dinheiro para ajudar as pessoas mais necessitadas e eu aprendi que aqueles que tem alguma coisa devem ajudar quem nada tem.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu senti você me dando um beijo de boa noite e me senti amado e seguro.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi você tomando conta da nossa casa e de todos nós e eu aprendi que nós temos que cuidar com carinho daquilo que temos e das pessoas de que gostamos.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi como você cumpria com todas as suas responsabilidades, mesmo quando não estava se sentindo bem, e eu aprendi que tinha que ser responsável quando eu crescesse.

Quando você pensava que eu não o estava olhando eu vi lágrimas nos seus olhos, e eu aprendi que, às vezes, acontecem coisas que nos machucam, mas que não tem nenhum problema a gente chorar.

Quando você pensava que eu não o estava olhando, eu vi que você estava preocupado e eu quis fazer o melhor de mim para ser o melhor que pudesse.

Quando você pensava que eu não estava olhando foi quando eu aprendi a maior parte das lições de vida que eu precisava, para ser uma pessoa boa e produtiva quando eu crescesse.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu olhava para você e queria te dizer:
"Obrigado por todas as coisas que eu vi e aprendi quando você pensava que eu não estava olhando!"

Este texto é muito verdadeiro. Nossos filhos e alunos aprendem com nosso modo de ser, não com nossas palavras.

Que pais e educadores tenham a sabedoria de perceber a importância de cada minuto com suas crianças, para que eles levem consigo o que temos de melhor. Não nossa irritação, nem nossa cara amarrada, nem nosso pessimismo podem integrar o legado que receberão.

Nossa verdadeira herança é aquilo que somos, que se torna parte indelével das almas que acolhemos como filhos ou alunos.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Caixa seleciona projetos para espaços culturais

Projetos para espaços da Caixa Cultural já podem ser inscritos para 2009. O edital está publicado no site, seção patrocínio. As propostas devem ser enviadas entre 21 de julho e 05 de setembro de 2008. Os espaços estão localizados nas cidades de Brasília, Curitiba , Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os projetos apresentados devem compor as áreas de artes visuais (fotografia, escultura, pintura, gravura, desenho, instalação, objeto, vídeoinstalação, intervenção e novas tecnologias ou performances); artes cênicas (teatro, dança e performance de palco); música; cinema e outros, e também nas modalidades espetáculos, exposições, exibições, palestras, encontros, cursos, workshops, oficinas e lançamento de livros. Os interessados podem obter informações pelo telefone 0800 704 5068. O canal está disponível até 05 de setembro, sempre de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 9h às 19h.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Seminário Nacional de Educação



Mauricio Fabião da Ação da Cidadania me enviou esse folder sobre o Seminário Nacional de Educação.

Corre pra fazer sua inscrição, porque eu já fiz a minha:(21) 2233-7460

O evento é no dia 09/08, é gratuito e a programação está imperdível!

Quem sabe não nos encontramos lá?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pode-se trabalhar com modelos de textos?

Esse texto pode ajudar, você, Coordenador Pedagógico, a planejar uma reunião onde os elementos abordados aqui estejam presentes na discussão da equipe.
Vale sempre lembrar que a formação continuada se dá na escola, e que somos responsáveis por ela.
Outra questão que deve sempre ser levantada na escola é a questão da leitura;/escrita como ponto de chegada para a aprendizagem.

Aproveite.

"Todos nós sabemos que as grandes mudanças de um ou outro aspecto do conhecimento parte justamente do modelo. É a partir do modelo, de seu conhecimento e domínio que surge a possibilidade de se re-inventar outro.

Para uma mesma estrutura de texto, por exemplo, uma carta, existe vários modelos e assim, podemos oferecer aos alunos a possibilidade de estabelecerem comparações, identificando semelhanças e diferenças e o que tem ou não em comum, sendo então possível fazer generalizações sobre cada estrutura textual.

Assim, fica claro que não falando em “modelos” no sentido de impedir e limitar a criação, mas sim, na função e na forma de como utilizar os modelos que cumprem um papel importante no processo de aprendizagem. No papel do modelo enquanto identificação de estruturas características à ampla variedade de tipologias textuais. No reconhecimento de que os modelos nos conferem a possibilidade de transgredir em direção à novas criações e re-invenções.

Como trabalhar com diversos tipos de textos?

Ao longo de toda a escolaridade, é importante interagir com uma ampla variedade de textos, principalmente literários.

Os alunos estão desenvolvendo inúmeras competências e dentre elas, algumas adquirem um papel prioritário, tais como:

- utilização de diferentes linguagens como meio de expressão e comunicação de suas idéias, interpretando e usufruindo as produções do patrimônio cultural;
- utilização da Língua Portuguesa para compreender e produzir registros escritos ou orais, em diferentes contextos, atendendo às diferentes intenções e situações de comunicação;

Se, na escola, o aluno deve aprender a utilizar linguagens variadas em distintos contextos, é preciso desenvolver um intenso trabalho com diferentes tipos de texto, tanto para a compreensão como para a produção.

Quais textos são mais adequados às faixas etárias?

Nas situações em que o professor faz a leitura, praticamente todo texto é adequado, pois o professor atua como mediador entre o texto e os alunos. Mas se o texto se destinar à leitura feita pelos próprios alunos, é preciso considerar a capacidade deles de compreendê-lo de forma autônoma, condição para qualquer pessoa se dispor a ler um texto inteiro.

Se a situação for de produção de texto, então as possibilidades se restringem um pouco mais, pois não se pode produzir bem textos com os quais não se tenha familiaridade. Isto requer a coordenação de procedimentos complexos relacionados tanto com o planejamento do que se pretende expressar quanto com a própria escrita.


Como organizar o trabalho sistemático com texto em cada ciclo/série?

Garantir a diversidade de textos não significa propor aos alunos que desenvolvam todos os tipos de atividade com todos os tipos de texto. É preciso ter critérios de seleção, considerando, por exemplo:

- a complexidade do gênero;
- o nível de dificuldade da atividade em relação ao gênero;
- a familiaridade dos alunos com o gênero;
- a adequação do conteúdo do texto à faixa etária;
- a importância do gênero em função de determinados projetos de trabalho.


...É importante e necessário que o professor se pergunte quais conhecimentos os alunos já possuem. Esta investigação inicial, orienta o professor para o que se pretende construir. Além disso, passa a conhecer os interesses, expectativas e vivências, pois assim o professor poderá prever se um texto ficará ou não além das possibilidades dos alunos, se deve substituí-lo ou articular algum tipo de ensino prévio.

Quando o professor tenta dar algumas pistas sobre o texto, está ajudando a construir contextos mentais compartilhados. Desta forma, pode-se garantir uma compreensão compartilhada, os alunos passam a possuir, antes de iniciar a tarefa solicitada, um esquema que lhe diz o que tem que fazer e o que ele sabe ou não sobre o que vai ler ou escrever.

Em cada ocasião pode-se escolher o que parecer mais adequado, como por exemplo:
Dar uma explicação geral sobre o que será lido. A explicação sobre o que será lido é importante desde que não se pretenda explicar o conteúdo, mas sim indicar sua temática. Podemos considerar que informar aos alunos sobre o tipo de texto e sua estrutura é uma forma de lhes proporcionar conhecimentos úteis.

Ajudar os alunos a identificarem determinados aspectos do texto pode ativar seus conhecimentos prévios. Em função do texto que vai ser trabalhado, pode-se explicar por exemplo a função das ilustrações, quando acompanham o texto, os títulos, os subtítulos, as numerações, os sublinhados, as mudanças de letras, e etc. Estes são aspectos que os ajudarão a saber do que se trata o texto e em cada caso.

Incentivar e motivar os alunos a exporem o que já sabem muda significativamente os procedimentos do ensino, relativizando o lugar do professor e dos alunos numa determinada situação de ensino e aprendizagem.

Quando se deixa os alunos falarem, estamos promovendo um papel ativo na aprendizagem e o papel do professor será a de reconduzir as informações e centrá-las no tema em questão. A discussão sobre as contribuições dos alunos é um dos melhores meios de atualizar o conhecimento prévio, mas deve-se atentar para cuidar da condução na hora da discussão sobre o tema, e evitar o desvio da temática ou dos aspectos principais do texto, proporcionando uma organização clara antes de defrontarem-se com o trabalho.

Para concluir, vale lembrar que toda leitura e escrita são processos contínuos de formulação e verificação de hipóteses sobre o que sucede no texto. As previsões são estabelecidas antes do trabalho em relação aos aspectos sobre a estrutura textual, títulos, subtítulos, numerações, ilustrações, cabeçalhos e etc. Naturalmente, estes índices ou indicadores textuais nos permitem inferir ou antever conteúdos do texto.

Acredita-se que lidar com variedade de textos sobre cada tipologia textual, assim como vários modelos de tipologias diferenciados, podem confundir os alunos. Diria que ao contrário, pois os alunos estão em suas vidas cotidianas, interagindo com uma ampla variedade de informações, veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação.

Então o que acontece, de forma natural, é um processo de seleção dos tipos de textos num determinado momento, do que interessa, do que desperta a curiosidade, do que atende às necessidades iminentes."

Fonte: Minha Paixão Alfabetização

terça-feira, 15 de julho de 2008

Capoeira, Patrimônio Nacional

Olha que maravilha gente. Eu Adorei com A maiúsculo essa noticia!

A capoeira assim como o candomblé foram uma das maiores resistências negras na época da escravidão, e esse nosso jogo gingado, marcado pelos golpes agéis e ao mesmo tempo delicado como uma dança merece todo o nosso reconhecimento. Axé pra todo povo da capoeira!

Mestre Berg, grande mestre e capoerista carioca deve tá rindo á toa, né mestre?

"A capoeira se tornou, nesta terça-feira (15), o mais novo patrimônio cultural brasileiro. O registro desta manifestação cultural foi votado em Salvador, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que é constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e delibera a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio nacional.

De acordo com o Iphan, o instrumento legal que assegura a preservação do patrimônio cultural imaterial do Brasil é o registro. Uma vez registrado o bem, é possível elaborar projetos que envolvam ações necessárias à preservação e continuidade da manifestação.

Segundo o secretário-executivo da Cultura, Juca Ferreira, a votação foi um momento de reparação em relação a esta prática afro-descendente. “Nós estávamos devendo isso aos mestres de capoeira, responsáveis por uma das manifestações mais plurais e brilhantes de nossa cultura”, afirma. A manifestação já foi considerada prática criminosa no século passado (chegou a ser incluída no código penal da República Velha).


Registro

O pedido de registro da capoeira foi uma iniciativa do Iphan e do Ministério da Cultura, e é o resultado de uma pesquisa realizada entre 2006 e 2007 para a produção de documentação sobre esse bem imaterial. Todo o levantamento foi sintetizado em um dossiê final que compõe o processo de registro.

A preservação do patrimônio é uma conseqüência do registro e prevê um plano de previdência especial para os velhos mestres da capoeira; o estabelecimento de um programa de incentivo dessa manifestação no mundo; a criação de um Centro Nacional de Referência da Capoeira; e o plano de manejo da biriba - madeira utilizada na fabricação do instrumento.

Com a inclusão da capoeira, já existem 14 bens culturais registrados no Brasil. Entende-se por patrimônio cultural imaterial representações da cultura brasileira como cerimônias (festejos e rituais religiosos), danças, músicas, lendas e contos, brincadeiras e modos de fazer (comidas, artesanato etc).

Fonte: G1

domingo, 13 de julho de 2008

Hospital vira sala de aula

Em 12 hospitais de Goiânia, o corre-corre pelos corredores não é só de médicos e enfermeiros. As doutoras do ensino cuidam da vida escolar de quem precisou se afastar da escola buscar. Assim, os quartos acabam virando sala de aula. Todo brasileiro tem direito a isso, mas poucos sabem.

Lucas há um mês não sai do hospital buscar. É uma ordem dos médicos para o tratamento de uma doença nos pulmões. Para não atrapalhar os estudos, o quarto da pediatria virou sala de aula. “A escolinha é grande e ajuda. Está ajudando ele a interagir e esquecer um pouco desse negócio de injeção todo dia e exames”, comentou a mãe, Milca Lopes de Souza.

A estudante Ranyelle Messias também não pode deixar o hospital onde o filho recém-nascido está internado. A mãe abandonou a escola, mas não o estudo. “É bom que eu consigo recuperar o que não estou estudando no colégio”, disse a jovem.

Pouca gente sabe, mas está na Lei de Diretrizes Básicas da Educação: é obrigação do poder público garantir o acesso à educação até mesmo quando a saúde parece ser um obstáculo.

“O atendimento pedagógico hospitalar, além de possibilitar a inclusão escolar dele, também faz com que ele se sinta melhor dentro desse processo terapêutico que é cuidar da saúde”, diz a coordenadora pedagógica Zilma Rodrigues Neto.

Carta

Crianças e adolescentes não são os únicos beneficiados pelo projeto. A idéia é também dar uma nova chance para quem não teve a oportunidade de ir à escola no tempo certo. Foi depois que passou a freqüentar sessões de hemodiálise que o aposentado Gercino Carlos de Oliveira, aos 71 anos de idade, começou a aprender a ler e a escrever.

As letras ainda são trêmulas, mas Oliveira já ensaia uma carta para aos parentes. Aliás, pegar um ônibus para ir ao encontro deles não é mais problema. “Estou conhecendo nome de ônibus, para onde vai e o número de casa”, conta o aposentado.

Fonte:G1

Seria muito bom e importante se todos os estados e municipios dessem o mesmo exemplo de Goiânia. Já fiquei sabendo de muitos alunos que perderam o ano por intrasigência de diretoras e secretários de educação que não cumprem com os direitos dos alunos enfermos.

Em casos assim, só resta uma única alternativa possível: Denúncia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

ONGs britânicas defendem educação sexual a partir dos 4 anos

As organizações Family Planning Association e Brook afirmaram ao programa Newsbeat, da BBC Radio 1, que são necessários mais esforços para reduzir o índice de abortos e infecções sexualmente transmissíveis entre os adolescentes.

O argumento das ONGs é que a educação gradual, iniciada na infância, ajudaria as crianças a não se apressarem para iniciar a vida sexual quando ficarem mais velhas.

"Todas as provas indicam que, quando começam a ter educação sexual e a aprender sobre relacionamentos cedo, antes da puberdade, antes de sentirem atração sexual, os adolescentes começam a vida sexual mais tarde", disse Simon Blake, diretor da ONG Brook.

"Além disso, eles tendem a usar contraceptivos e a praticar o sexo seguro", afirmou.

As ONGs acreditam que crianças de quatro anos de idade poderiam aprender o nome de algumas partes do corpo e algumas idéias básicas sobre diferentes tipos de relacionamento.

Falhas

De acordo com as ONGs, a educação básica que as crianças recebem nas aulas de ciências da escola não aborda o tema com profundidade.

Elas defendem que educação sexual seja incluída no currículo das escolas britânicas, ao lado de outras disciplinas obrigatórias como matemática ou inglês, como acontece na Irlanda do Norte.

O Departamento de Infância, Escola e Família da Grã-Bretanha (DCSF, na sigla em inglês), afirmou que está fazendo uma revisão da distribuição da educação sexual nas escolas do país.

De acordo com o DCSF, a educação sexual eficiente é essencial para que os jovens façam escolhas saudáveis e seguras sobre suas vidas e previnam a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis.

"Muitos jovens acabam tendo relações sexuais porque eles querem saber o que é, porque estão bêbados ou porque o parceiro está bêbado", disse Blake.

"Isso não é bom o suficiente para os jovens. Temos que ter expectativas maiores para eles para que eles mesmos tenham expectativas maiores sobre si", afirmou.

Fonte: BBC/Brasil

Eu acredito que se essa idéia fosse adotada pelo Brasil seria ótimo,o que vemos nas escolas são responsáveis que por vergonha ou falta de conhecimento mesmo não dão aos filhos informações necessárias para terem uma vida sexual saudável, acredito que para muitos pais, essa idéia seria um alívio.
Outro fator importante seria o da prevenção,principalmente no Brasil onde programas de natalidade não são levados a sério e onde temos, a cada ano, um aumento no número de adolecentes grávidas ou portadoras de DST.

E você o que pensa sobre o assunto?Deixe sua opinião.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Força de Lei de Derrida

Reproduzo artigo da filósofa Marcia Tiburi.

Não sei se porque admiro a Marcia ou do Derrida.

Talvez ambos.

Força de Lei

"Difícil sugerir um livro de filosofia nos dias de hoje. Do jeito que vai este nosso Brasil é difícil sugerir qualquer livro. Talvez a falta de livros, inclusive, seja mesmo um dos tantos motivos pelos quais violência e barbárie crescem entre nós. Não é mais possível defender a teoria do bom selvagem atualizada em elogio da ignorância, coisa que se vê ainda por aí. Quando falo “entre nós” não é um plural ilustrativo. Penso naquela violência que é gestada no mínimo, no universo micro-físico da nossa vida e que, descontrolada, vira lei, regra e ordem. O estado de exceção não é só a lei imposta pela força, mas a lei que nos força, a cada dia, à submissão à violência. Lei que é estranhamente acolhida por todos nós.
Mesmo assim, quero sugerir mais um livro. Sugerir não é nada, mas me causa menos solidão – e talvez sirva a mais alguém pelo mesmo motivo - quando o assunto é tão assustador. Talvez o livro não seja dos mais simples, mas também não é nenhum horror por difícil de ler ou pelo autor, famoso por seus textos que, para muitos, pode até parecer confuso. O livro é Força de Lei de Jacques Derrida (Martins Fontes, 2007). Trata-se de uma conferência que ele deu nos EUA em 1989 e que há pouco foi traduzida no Brasil. Nela ele analisa a relação entre violência e justiça, entre direito e violência. Justifica que a mesma violência que gera o direito gera a justiça. Que a violência é a mesma “força de lei” que age tanto para o bem quanto para o mal. Ninguém sabe de onde ela vem. Todo mundo pode recorrer à teoria de Thomas Hobbes, outro filósofo que desde o século XVII orienta as tentativas de entender o que é o Estado e qual a sua relação com a violência, apelando à idéia de uma natureza do homem. Cada um tenta explicar o mistério como pode. Mas Derrida coloca que a força de lei é uma espécie de fundamento místico da autoridade, pois ninguém sabe de onde ela vem. Tendo-a na mão, faz-se o que se quiser. O que controlaria isto? O direito? Mas como, se o próprio direito na verdade se instaura com a mesma força que é em si mesma violência? Inclusive quando alguém faz uma “revolução” é a mesma força que está a agir. O poder da polícia em nossa sociedade é a manifestação mais clara do que significa este poder que é, ao mesmo tempo, violência. Quando o exército faz o que fez, está claro que a diferença delicada entre violência e poder extinguiu-se completamente. A história mostra a sua face de Górgona. Estamos petrificados.
Eu continuo com a mesma idéia. Continuo crendo que é preciso defender a ética. Quando vejo fotos do José Dirceu e outros cretinos nas colunas sociais, ou palestrando (em empresas e universidades) como se fossem pessoas de bem, penso que este mundo não cuida de fazer distinções necessárias à sobrevivência. Não é moralização (o cínico pode ser o primeiro a levantar esta bandeira), mas questão de sobrevivência. Que mundo temos pela frente?
Se a autoridade não tem ética, os que devem obedecer estão perdidos. Talvez a ética seja a mudança, que só pode operar como uma espécie de micro-revolução urgente em cada um e junto dos outros. É só uma idéia como bandeira branca geral.
Para quem viu Estamira (tem uma artigo meu numa das últimas revistas Cult) e o entendeu como um retrato do Brasil e do mundo, há mais uma pincelada forte para concluir a imagem do terror que Estamira mostra muito bem, terror a que estamos todos submetidos. Os rapazes mortos na ação que eliminou de vez a diferença entre bandido e lei nesta semana no Rio, foram lançados no lixão de Gramacho onde Estamira trabalha tentando recolher os restos da cultura.
Somos o que nos tornamos... Cada um no lugar que ocupa, mas cada um mostra quem o outro é. Retratos de nós mesmos não nos faltam quando olhamos para o lado.

Pra seguir pensando junto."

Fonte: Post publicado no site Pink Punk, autoria de Marcia Tiburi.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Como resolver conflitos na Educação Infantil?

1. Professor, fique calmo e controle as suas reações;
2. Reconheça que o conflito pertence às crianças;
3. Acredite na capacidade da criança para a resolução dos seus conflitos.

Princípios do ensino em situações de conflito:

1. Assuma a responsabilidade pela segurança física das crianças;
2. Use métodos não-verbais para acalmar as crianças;
3. Reconheça/aceite/valide os sentimentos de todas as crianças e as suas
percepções do conflito;
4. Ajude as crianças a verbalizarem sentimentos e desejos umas às outras e a escutarem o que as outras têm a dizer;
5. Esclareça e declare o problema;
6. Dê oportunidade para que as crianças sugiram soluções;
7. Proponha soluções quando as crianças não têm idéias;
8. Enalteça o valor do acordo mútuo e ofereça oportunidade para que as crianças
rejeitam soluções propostas;
9. Ensine procedimentos imparciais para resolver disputas em que a decisão é
arbitrária;
10. Quando ambas as crianças perdem o interesse num conflito, abandone-o;
11. Ajude as crianças a reconhecerem a sua responsabilidade em situação de conflito;
12. Dê oportunidade para a compensação, se apropriado;
13. Ajude as crianças a restaurarem o relacionamento, mas não as forçe a não serem sinceras;
14. Encoraje as crianças a resolverem os seus conflitos por si mesmas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Retratos da Leitura no Brasil

Saiu na Folha de São Paulo:


02/07/2008 - por Plínio Fraga

"No Brasil, o equivalente a 77 milhões de pessoas dizem não gostar de ler,
segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada em maio pelo
Instituto Pró-Livro. As principais razões para aqueles não-habituados à
leitura: lêem muito devagar (17%); não têm paciência para ler (11); não
compreendem o que lêem (7%); não têm concentração para ler (7%). O
brasileiro que lê, em média, conclui 4,7 livros e compra 1,2 exemplar a cada
ano. Se a genialidade é 10% inspiração e 90% transpiração, a leitura deve
ser 90% instrução e 10% transpiração, entendendo que as dificuldades
apontadas pelos não-leitores vêm do sistema de ensino."

Mais um alerta que precisamos investir em formação de leitores nas escolas, desde a educação infantil.
Isto é prioridade.

Se hoje somos considerados um país de não -leitores, imagine nossa situação daqui a 10, 20 anos?

Esse dado é grave, preocupante, alarmante.

Nós profissionais da educação temos que nos conscientizar da urgência de investir em situaçoes de aprendizagem de leitura com prazer.

A maioria de nossas crianças, alunos de escolas públicas aprendem a ler na escola, tem seu primeiro contato com as letras na escola,ouvem histórias pela primeira vez da boca de um adulto na escola, e por vezes tem seu primeiro encontro com um livro real ma escola.

Não se enganem! A solução está na escola e não fora dela!

A situação é difícil, mas não irreversível.

Mas se nós, enquanto profissionais, também não gostarmos de ler, ou não vermos relevância em dados como este da pesquisa, se acreditarmos que não há mais solução, devo dizer que a situação é gravíssima mesmo e teremos num futuro próximo consequências bem piores do que a realidade já nos mostra.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um pedido, uma pergunta

Hoje estou muito pensativa e entristecida com uma conversa que tive ontem com minha amiga de trabalho Vera.

É sempre muito triste chegar a conclusão que em ano de eleição as coisas ficam tão complicadas e que a educação seja usada para fins eleitoreiros, e como trampolim para os maus políticos se elegerem.

Alguns maus governantes acham que podem tratar-nos, professores, como fossemos gado, e se esquecem completamente que somos profissionais que merecemos respeito e consideração pela importância que temos na formação do capital humano deste país.

Mas digo pra vocês uma coisa:Enganado só é aquele que se deixa enganar.

Bem,mas trocando de assunto, encontrei esse texto belíssimo e compartilho com vocês. Espero que gostem:

Está nos olhos chorosos, nas faces macilentas das crianças africanas, filhas da fome e da pobreza, mas não sai do rosto da linda menina encapotada de longos cabelos ao vento, que patina no gelo do Central Park.

Na expressão temerosa do garoto sardento de cabelos loiros em corte militar e nos grandes olhos negros da criança que caminha pelas empoeiradas estradas do México.

No olhar distante da menina alta e fina que espia na janela, no morro da favela, e nos olhos da pequenina sentada à beira da piscina da escola de natação.

Em todos os olhos, sorrisos e lágrimas de cada criança, Deus endereça aos adultos um pedido e uma pergunta.

Esteja na Índia ou na China, seu idioma é sempre compreendido por quem entende a linguagem do próprio coração.

Pegando latinhas na rua, recitando um jogral ou aprendendo danças no kibutz, ecoa pela Terra seu pedido: Olhe pra mim. Veja quem sou.

(Talvez por isso sejam sempre tão agitadas e ruidosas: porque se está muito distraído a controlar a conta bancária e a escolher a roupa adequada, para poder ouvi-las. Se fizessem muito silêncio, seriam notadas?...)

Todas querem saber: Como é crescer?

Realmente poderei tudo, saciar minha fome, ajudar minha mãe, escolher meu destino?

Serei realmente poderoso, viverei numa linda casa cheia de quartos para meus amigos?
Saberei como curar a dor que me dói, escrever uma carta aos governantes? Terei o poder de acabar com a pobreza e de fazer feliz a quem amo?

Terei tempo para ler e estudar, mas também de trabalhar, sem esquecer de rir e de brincar?
Você, que já é grande, pode me explicar?...

Fonte:Janusz Korczak / Rita Foelker

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O que é Letramentro?

Hoje em dia muito se fala em letramento. alguns acredita,m que o letramento é uma das soluções possíveis para alfabetizar a gurizada que tem muitas dificuldades de aprendizagem.

Nós, Coordenadores Pedagógicos, temos que estar afinados com as novas tendências, tendo que em vista que nossa maior prioridade na escola é FORMAR os profissionais que nela atuam.Precismos esclarecer, tirar dúvidas, levantar hipóteses, enfim, fomentar a discussão.

Mas afinal, o que é Letramento?

Eu achei essa definição bem clara e simples.Veja se vocês gostam.

Letramento não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é treinamento repetitivo
de uma habilidade,
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.

Letramento é diversão
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.

São notícias sobre o presidente
O tempo, os artistas da TV
e mesmo Mônica e Cebolinha
nos jornais de domingo.

É uma receita de biscoito,
uma lista de compras, recados colados na geladeira,
um bilhete de amor,
telegramas de parabéns e cartas
de velhos amigos.

É viajar para países desconhecidos,
sem deixar sua cama,
é rir e chorar
com personagens, heróis e grandes amigos.

É um atlas do mundo,
sinais de trânsito, caças ao tesouro,
manuais, instruções, guias,
e orientações em bulas de remédios,
para que você não fique perdido.

Letramento é, sobretudo,
um mapa do coração do homem,
um mapa de quem você é,
e de tudo que você pode ser.


Fonte:Kate M. Chong

terça-feira, 1 de julho de 2008

Hipóteses silábicas

Aprenda a identificar em qual hipótese de escrita está o seu filho ou aluno

FASE I: HIPÓTESE PRÉ-SILÁBICA

Nesta fase podemos encontrar as crianças que “escrevem” se utilizando de desenhos. Por exemplo: a professora dita a palavra BOLA e a criança ao invés de usar letras, desenha uma bola para representar o que lhe foi ditado.
Também podemos encontrar nesta fase as crianças que para “escrever” já se utilizam de letras mas sem relacioná-las à linguagem oral, ou não conhecendo letras, usam algum tipo de rabisco ou sinal que lembrem letras.
Geralmente, nesta fase, a criança acha que coisas grandes devem ter nomes com muitas letras e coisas pequenas devem ter nomes com poucas letras. Por exemplo: ditando-se a palavra BOI, com certeza a criança usará muitas letras para escrevê-la, pois pensará no tamanho do animal. Ao passo que para a palavra FORMIGA, usará poucas letras.

FASE II: HIPÓTESE SILÁBICA

Nesta fase o aluno acredita que cada letra serve para representar uma sílaba oral. Por exemplo: se alguém perguntar à criança quantas letras são necessárias para escrever a palavra CAVALO, ela repetirá a palavra para si mesma pedaço por pedaço e responderá que são necessárias 03: uma letra para CA, uma para VA e outra para LO.
Assim sendo, a criança poderá escrever CAVALO das seguintes formas:
KVL
AAO
AVL
KAL

Nos exemplos acima, fica claro que a criança faz correspondência das letras com o valor sonoro que cada uma tem.
Mas ainda podemos encontrar nesta fase a criança que, embora, use uma letra para cada sílaba oral não faça correspondência da letra com o valor sonoro que ela tem.
Por exemplo, a mesma palavra CAVALO poderá ser escrita por esta criança da seguinte forma:
TBE (sem correspondência nenhuma das letras com seus valores sonoros, mas escrevendo uma letra para cada sílaba oral).

FASE III: HIPÓTESE SILÁBICO-ALFABÉTICA

Nesta fase a criança descobre que para escrever não é suficiente usar apenas uma letra para cada sílaba. Como esta fase é uma fase de transição “da hipótese silábica para a escrita convencional(alfabética)”, a criança começa a escrever ora representando a sílaba completa (usando uma letra para cada fonema), ora usando uma letra para cada sílaba.
É nesta fase que os pais costumam dizer: O que está acontecendo? Meu filho(a) está lendo, mas na hora de escrever “come” letras. A criança não come letras, está apenas reformulando o que na hipótese silábica acreditava. Logo esta nova fase deixará de satisfazer a criança (assim como ocorreu antes) e ela prosseguirá em busca de uma solução (hipótese) de escrita mais completa.
São exemplos de escritas silábico-alfabéticas:
CAVLU (cavalo)
JABUTCAA (jabuticaba)
MNINO (menino)
CADRA (cadeira)

FASE IV: HIPÓTESE ALFABÉTICA

Esta fase constitui o final da construção da base alfabética. Nela a criança já compreendeu como se dá a escrita. Descobriu que cada letra representa um valor sonoro (fonema) e que as agrupando formamos sílabas. Porém, ainda está caminhando no que se refere ao funcionamento do sistema ortográfico da Língua Portuguesa. Além, das regularidades ortográficas, a partir desta fase a criança terá que aprender a refletir sobre a organização dos textos, de modo que sejam coerentes e eficazes no uso social.