quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pode-se trabalhar com modelos de textos?

Esse texto pode ajudar, você, Coordenador Pedagógico, a planejar uma reunião onde os elementos abordados aqui estejam presentes na discussão da equipe.
Vale sempre lembrar que a formação continuada se dá na escola, e que somos responsáveis por ela.
Outra questão que deve sempre ser levantada na escola é a questão da leitura;/escrita como ponto de chegada para a aprendizagem.

Aproveite.

"Todos nós sabemos que as grandes mudanças de um ou outro aspecto do conhecimento parte justamente do modelo. É a partir do modelo, de seu conhecimento e domínio que surge a possibilidade de se re-inventar outro.

Para uma mesma estrutura de texto, por exemplo, uma carta, existe vários modelos e assim, podemos oferecer aos alunos a possibilidade de estabelecerem comparações, identificando semelhanças e diferenças e o que tem ou não em comum, sendo então possível fazer generalizações sobre cada estrutura textual.

Assim, fica claro que não falando em “modelos” no sentido de impedir e limitar a criação, mas sim, na função e na forma de como utilizar os modelos que cumprem um papel importante no processo de aprendizagem. No papel do modelo enquanto identificação de estruturas características à ampla variedade de tipologias textuais. No reconhecimento de que os modelos nos conferem a possibilidade de transgredir em direção à novas criações e re-invenções.

Como trabalhar com diversos tipos de textos?

Ao longo de toda a escolaridade, é importante interagir com uma ampla variedade de textos, principalmente literários.

Os alunos estão desenvolvendo inúmeras competências e dentre elas, algumas adquirem um papel prioritário, tais como:

- utilização de diferentes linguagens como meio de expressão e comunicação de suas idéias, interpretando e usufruindo as produções do patrimônio cultural;
- utilização da Língua Portuguesa para compreender e produzir registros escritos ou orais, em diferentes contextos, atendendo às diferentes intenções e situações de comunicação;

Se, na escola, o aluno deve aprender a utilizar linguagens variadas em distintos contextos, é preciso desenvolver um intenso trabalho com diferentes tipos de texto, tanto para a compreensão como para a produção.

Quais textos são mais adequados às faixas etárias?

Nas situações em que o professor faz a leitura, praticamente todo texto é adequado, pois o professor atua como mediador entre o texto e os alunos. Mas se o texto se destinar à leitura feita pelos próprios alunos, é preciso considerar a capacidade deles de compreendê-lo de forma autônoma, condição para qualquer pessoa se dispor a ler um texto inteiro.

Se a situação for de produção de texto, então as possibilidades se restringem um pouco mais, pois não se pode produzir bem textos com os quais não se tenha familiaridade. Isto requer a coordenação de procedimentos complexos relacionados tanto com o planejamento do que se pretende expressar quanto com a própria escrita.


Como organizar o trabalho sistemático com texto em cada ciclo/série?

Garantir a diversidade de textos não significa propor aos alunos que desenvolvam todos os tipos de atividade com todos os tipos de texto. É preciso ter critérios de seleção, considerando, por exemplo:

- a complexidade do gênero;
- o nível de dificuldade da atividade em relação ao gênero;
- a familiaridade dos alunos com o gênero;
- a adequação do conteúdo do texto à faixa etária;
- a importância do gênero em função de determinados projetos de trabalho.


...É importante e necessário que o professor se pergunte quais conhecimentos os alunos já possuem. Esta investigação inicial, orienta o professor para o que se pretende construir. Além disso, passa a conhecer os interesses, expectativas e vivências, pois assim o professor poderá prever se um texto ficará ou não além das possibilidades dos alunos, se deve substituí-lo ou articular algum tipo de ensino prévio.

Quando o professor tenta dar algumas pistas sobre o texto, está ajudando a construir contextos mentais compartilhados. Desta forma, pode-se garantir uma compreensão compartilhada, os alunos passam a possuir, antes de iniciar a tarefa solicitada, um esquema que lhe diz o que tem que fazer e o que ele sabe ou não sobre o que vai ler ou escrever.

Em cada ocasião pode-se escolher o que parecer mais adequado, como por exemplo:
Dar uma explicação geral sobre o que será lido. A explicação sobre o que será lido é importante desde que não se pretenda explicar o conteúdo, mas sim indicar sua temática. Podemos considerar que informar aos alunos sobre o tipo de texto e sua estrutura é uma forma de lhes proporcionar conhecimentos úteis.

Ajudar os alunos a identificarem determinados aspectos do texto pode ativar seus conhecimentos prévios. Em função do texto que vai ser trabalhado, pode-se explicar por exemplo a função das ilustrações, quando acompanham o texto, os títulos, os subtítulos, as numerações, os sublinhados, as mudanças de letras, e etc. Estes são aspectos que os ajudarão a saber do que se trata o texto e em cada caso.

Incentivar e motivar os alunos a exporem o que já sabem muda significativamente os procedimentos do ensino, relativizando o lugar do professor e dos alunos numa determinada situação de ensino e aprendizagem.

Quando se deixa os alunos falarem, estamos promovendo um papel ativo na aprendizagem e o papel do professor será a de reconduzir as informações e centrá-las no tema em questão. A discussão sobre as contribuições dos alunos é um dos melhores meios de atualizar o conhecimento prévio, mas deve-se atentar para cuidar da condução na hora da discussão sobre o tema, e evitar o desvio da temática ou dos aspectos principais do texto, proporcionando uma organização clara antes de defrontarem-se com o trabalho.

Para concluir, vale lembrar que toda leitura e escrita são processos contínuos de formulação e verificação de hipóteses sobre o que sucede no texto. As previsões são estabelecidas antes do trabalho em relação aos aspectos sobre a estrutura textual, títulos, subtítulos, numerações, ilustrações, cabeçalhos e etc. Naturalmente, estes índices ou indicadores textuais nos permitem inferir ou antever conteúdos do texto.

Acredita-se que lidar com variedade de textos sobre cada tipologia textual, assim como vários modelos de tipologias diferenciados, podem confundir os alunos. Diria que ao contrário, pois os alunos estão em suas vidas cotidianas, interagindo com uma ampla variedade de informações, veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação.

Então o que acontece, de forma natural, é um processo de seleção dos tipos de textos num determinado momento, do que interessa, do que desperta a curiosidade, do que atende às necessidades iminentes."

Fonte: Minha Paixão Alfabetização

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