quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um pedido, uma pergunta

Hoje estou muito pensativa e entristecida com uma conversa que tive ontem com minha amiga de trabalho Vera.

É sempre muito triste chegar a conclusão que em ano de eleição as coisas ficam tão complicadas e que a educação seja usada para fins eleitoreiros, e como trampolim para os maus políticos se elegerem.

Alguns maus governantes acham que podem tratar-nos, professores, como fossemos gado, e se esquecem completamente que somos profissionais que merecemos respeito e consideração pela importância que temos na formação do capital humano deste país.

Mas digo pra vocês uma coisa:Enganado só é aquele que se deixa enganar.

Bem,mas trocando de assunto, encontrei esse texto belíssimo e compartilho com vocês. Espero que gostem:

Está nos olhos chorosos, nas faces macilentas das crianças africanas, filhas da fome e da pobreza, mas não sai do rosto da linda menina encapotada de longos cabelos ao vento, que patina no gelo do Central Park.

Na expressão temerosa do garoto sardento de cabelos loiros em corte militar e nos grandes olhos negros da criança que caminha pelas empoeiradas estradas do México.

No olhar distante da menina alta e fina que espia na janela, no morro da favela, e nos olhos da pequenina sentada à beira da piscina da escola de natação.

Em todos os olhos, sorrisos e lágrimas de cada criança, Deus endereça aos adultos um pedido e uma pergunta.

Esteja na Índia ou na China, seu idioma é sempre compreendido por quem entende a linguagem do próprio coração.

Pegando latinhas na rua, recitando um jogral ou aprendendo danças no kibutz, ecoa pela Terra seu pedido: Olhe pra mim. Veja quem sou.

(Talvez por isso sejam sempre tão agitadas e ruidosas: porque se está muito distraído a controlar a conta bancária e a escolher a roupa adequada, para poder ouvi-las. Se fizessem muito silêncio, seriam notadas?...)

Todas querem saber: Como é crescer?

Realmente poderei tudo, saciar minha fome, ajudar minha mãe, escolher meu destino?

Serei realmente poderoso, viverei numa linda casa cheia de quartos para meus amigos?
Saberei como curar a dor que me dói, escrever uma carta aos governantes? Terei o poder de acabar com a pobreza e de fazer feliz a quem amo?

Terei tempo para ler e estudar, mas também de trabalhar, sem esquecer de rir e de brincar?
Você, que já é grande, pode me explicar?...

Fonte:Janusz Korczak / Rita Foelker

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