sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Comparação entre irmãos

Comparação entre irmãos: É algo difícil de não se fazer, mas imprescindível que não se faça, para não criar conflitos insuperáveis na vida adulta

Eu sei bem o que é isso sendo mãe de três filhos, e mesmo com toda experiências e leituras de manuais de psicologia e educação,nem sempre é fácil não perder a cabeça e cair na tentação da comparação que sempre termina em brigas, birras e malcriações.

Por mais que pareça impossível, é preciso respirar,colocar os pontos nos "is" e respeitar o direito de cada um ser o que é.

Achei essa reportagem bem legal e construtiva.

Compartilho com vocês, na esperança que possam tirar proveito.


Eu adoro-me, tu adoras-te, ele adora-se...

*Adriana Campos

"A comparação entre irmãos é algo que deve evitar, se não quer dar um contributo negativo na construção da auto-estima do seu filho.
Se o seu filho dificilmente arrisca fazer coisas novas, se considera que é alvo de críticas desfavoráveis por parte de todos, se afirma frequentemente que ninguém gosta dele, então provavelmente apresenta uma baixa auto-estima.

A auto-estima consiste na forma como a pessoa se vê a si própria. Esta é positiva ou negativa consoante o indivíduo goste ou não do que vê. Na sua construção entram aspectos variados, tais como a aparência física, a capacidade intelectual e também a forma como se percepciona o olhar dos outros.

Os pais devem dar uma atenção especial a este conceito, uma vez que a infância é um período essencial no seu desenvolvimento, e é de grande importância para o bem-estar da criança ser detentora de uma boa auto-estima. A representação que os mais novos vão construindo de si próprios, depende primeiramente da opinião que lhe é transmitida pelas pessoas mais próximas, tais como pais, avós, irmãos, educadores e professores.

Se estes lhe forem transmitindo a mensagem de que são "muito inteligentes", esta é a imagem que vai sendo assimilada, o mesmo acontecendo se o conteúdo da informação for negativo. Se os pais disserem à criança que ela é "mesmo burra" é essa a representação que ela irá ter de si, uma vez que os filhos acreditam nos pais, não questionando a veracidade daquilo que eles lhes dizem.

Os pais e as pessoas à volta das quais as crianças vão crescendo têm, assim, uma grande responsabilidade, no sentido de promoverem o desenvolvimento desta importante faceta da personalidade.

Sempre que encoraje a criança a terminar uma tarefa em que encontre alguma dificuldade ou pareça estar desanimada a meio, transmitindo-lhe a ideia de que será capaz de a resolver com sucesso, está a contribuir para que confie mais em si própria. O elogio tem também um papel importante no desenvolvimento de uma boa auto-estima.

Não devemos temer elogiar as crianças sempre que estas mereçam, uma vez que, ao sublinhar o que de bom os nossos filhos fazem ou têm estamos a contribuir para que estes se tornem mais seguros de si próprios e mais capazes de ultrapassar o medo da rejeição.

O desenvolvimento de um diálogo interno positivo é outra importante arma para ajudar a criança a ter uma melhor auto-estima. O diálogo interno é aquilo que a criança diz a si própria, quando está a desenvolver uma tarefa. Sempre que a criança transmita mensagens como "não consigo", "não percebo", "não tenho jeito", devemos ajudá-la a substituí-las por outras positivas, tais como "ainda preciso de esforçar-me mais", "estou quase a conseguir", "vou praticar mais". Ajudar os mais pequenos a desenvolverem um diálogo interno positivo é contribuir para que adquiram um espírito vencedor.

A comparação entre irmãos é algo que deve evitar, se não quer dar um contributo negativo na construção da auto-estima do seu filho. Além de provocarem prejuízo na auto-imagem, na maior parte das vezes, as comparações só servem para tornar ainda maior a rivalidade entre irmãos.

A brincadeira tem também uma contribuição importante no desenvolvimento de sentimentos positivos, no que se refere à imagem de si próprio, uma vez que, ao brincar, a criança explora os seus limites, adquire reportórios comportamentais e afectivos de uma forma suave e divertida, restabelece o seu controlo interior e desenvolve relações de confiança consigo mesma e com os outros.

Antes de terminar, uma questão: a sua auto-estima é positiva ou negativa? Se respondeu pela positiva, então, provavelmente, concordará que o facto de gostar de si próprio o tem ajudado a vencer muitas das adversidades que a vida já o obrigou a enfrentar. Ao ajudar o seu filho a ver-se como alguém com valor, que merece o respeito e a consideração dos outros, estará a dar-lhe uma ferramenta, com um poder ilimitado, para enfrentar as contrariedades que são inevitáveis ao longo da vida."

*Adriana Campos

Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar ações de formação em diversas áreas."

fonte;Educare

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